Investigação aponta que certidão de nascimento, registros judiciais e passaportes reforçam a alegação de que homem nasceu na Flórida – autoridades de imigração tentam deportá-lo
Um homem de 39 anos com diagnóstico de esquizofrenia paranoide está detido desde janeiro de 2026 pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), apesar de documentos que indicam que ele nasceu na Flórida e é cidadão americano. O caso foi revelado por uma investigação da Associated Press (AP), publicada em 27 de outubro.
Phillip James, que também utilizou outros nomes, permanece em um centro de detenção em Indiana. Sua mãe, seus advogados e registros públicos sustentam que ele nasceu no condado de Orange, na Flórida, em 1987. Entre as evidências estão uma certidão de nascimento, documentos judiciais e o histórico de emissão de passaportes americanos, incluindo um documento que ele manteve por aproximadamente 15 anos.
O Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, contesta a cidadania de James e afirma que a certidão de nascimento apresentada seria fraudulenta. No entanto, segundo a AP, as autoridades não forneceram provas públicas que sustentem essa acusação. O governo da Jamaica também informou não ter registros de nascimento ou cidadania do homem naquele país.
A situação é agravada pelo estado de saúde mental do detido. Relatórios médicos apresentados à Justiça indicam que suas afirmações de ter nascido na Jamaica e possuir vínculos com uma família real no Líbano fazem parte de um quadro de delírios associado à doença.
James foi preso após uma audiência migratória, e um juiz de imigração determinou sua deportação para a Jamaica, decisão que está sendo contestada por seus advogados. A defesa também entrou com um pedido na Justiça federal para obter sua libertação.
Especialistas ouvidos pela AP afirmam que a detenção indevida de cidadãos americanos pelo ICE não é inédita, mas ressaltam que um caso prolongado por quase dez meses é incomum. Pesquisadores apontam falhas na verificação de documentos e na condução de processos que envolvem dúvidas sobre cidadania.
O Departamento de Segurança Interna nega que o ICE detenha cidadãos americanos e afirma que pessoas submetidas a processos de deportação têm direito ao devido processo legal. Até a publicação da reportagem, o governo não havia reconhecido qualquer erro no caso.
A investigação reacende o debate sobre os procedimentos de fiscalização migratória nos Estados Unidos, especialmente em situações que envolvem pessoas com transtornos mentais e possíveis falhas na identificação da cidadania.







