O aumento do custo de vida nos Estados Unidos e na Europa está levando brasileiros que vivem há anos no exterior a reconsiderar a permanência fora do país. Aluguéis elevados, perda de poder de compra e saudade da família estão entre os principais motivos.
Segundo Carlos Eduardo Altona, cofundador da consultoria de recrutamento Exec, o interesse de profissionais em retornar ao Brasil cresceu entre 30% e 50% nos últimos 12 a 18 meses. A estimativa é baseada na experiência da empresa, não em um levantamento nacional.
Moradia mais cara pesa no orçamento
Nos Estados Unidos, onde vivem aproximadamente 2,1 milhões de brasileiros, o custo da habitação é um dos principais desafios.
A jornalista Patrícia Matos, que morava em Nova York desde 1999, pagava USD $2.900 mensais por um apartamento em Manhattan. Uma unidade semelhante no mesmo prédio passou a ser alugada por cerca de USD $4.400 após reformas.
Na Europa, a situação também preocupa. O profissional de marketing Matheus Marteli, que viveu mais de duas décadas em Londres, relatou que o aluguel dobrou depois da pandemia. A perda de poder de compra e a distância da família contribuíram para sua decisão de retornar ao Brasil.
Medo da deportação também influencia decisões
Além das dificuldades financeiras, o endurecimento da fiscalização migratória nos Estados Unidos tem levado alguns brasileiros em situação irregular a considerar o retorno voluntário.
Segundo relatos de organizações que atendem imigrantes, há pessoas que preferem voltar com suas economias a enfrentar o risco de deportação e perder o patrimônio construído no exterior.
A proximidade de familiares, especialmente pais idosos, também aparece como fator importante entre profissionais que emigraram há mais de 20 anos.
Portugal registra aumento de 52% nos pedidos de retorno
Em Portugal, dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam crescimento de 52% nos pedidos de assistência ao retorno voluntário feitos por brasileiros entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Foram 470 solicitações nos primeiros sete meses do ano, indicando maior interesse pelo programa de apoio ao retorno.
Voltar ao Brasil nem sempre é simples
Apesar das vantagens de estar perto da família, a readaptação pode apresentar dificuldades, principalmente na busca por emprego e na reconstrução da vida financeira.
Especialistas destacam que ainda não existem dados consolidados capazes de determinar quantos brasileiros estão efetivamente retornando ao país.
O cenário, entretanto, mostra uma mudança nas prioridades de parte dos emigrantes. Para muitos, os salários mais elevados no exterior já não compensam os custos de moradia, a distância dos familiares e as incertezas sobre o futuro.







