Crise de acessibilidade derruba vendas de casas nos EUA ao menor nível em 14 meses

Crise de acessibilidade derruba vendas de casas nos EUA ao menor nível em 14 meses

O mercado imobiliário dos Estados Unidos voltou a dar sinais de forte desaceleração. As vendas de casas usadas caíram 2% em agosto de 2026 na comparação com julho, atingindo o ritmo mais baixo registrado em 14 meses, em meio à combinação de preços elevados e juros hipotecários próximos de 7%.

Segundo dados da National Association of Realtors (NAR), as vendas recuaram para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 3,98 milhões de unidades, o menor patamar desde junho de 2025.

Na comparação com agosto do ano passado, a queda foi de 1,2%.


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Juros altos afastam compradores

Um dos principais obstáculos continua sendo o custo dos financiamentos imobiliários.

As taxas das hipotecas de 30 anos voltaram a subir e permanecem próximas de 7%, reduzindo o poder de compra das famílias. O cenário tem levado muitos americanos a adiar a decisão de comprar um imóvel, mesmo com uma quantidade maior de propriedades disponíveis no mercado.

O problema é especialmente significativo porque muitos proprietários atuais contrataram financiamentos durante o período em que as taxas estavam muito mais baixas. Para essas pessoas, vender a casa atual e financiar outra propriedade com os juros de hoje pode representar um aumento expressivo na prestação mensal.

Casas continuam ficando mais caras

Apesar da queda nas vendas, os preços dos imóveis não acompanharam o movimento.

O preço mediano de uma casa usada vendida nos Estados Unidos chegou a USD $429.100 em agosto, estabelecendo um novo recorde para o mês.

O valor representa crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior, mostrando que a redução da procura ainda não foi suficiente para provocar uma queda significativa dos preços em nível nacional.

A combinação de imóveis caros e financiamento mais pesado continua sendo uma das principais barreiras para quem pretende entrar no mercado.

Número de casas disponíveis aumenta

Se por um lado as vendas estão mais fracas, por outro os compradores que permanecem no mercado começam a encontrar mais opções.

Ao final de agosto, havia aproximadamente 1,62 milhão de casas usadas disponíveis para venda nos Estados Unidos.

O estoque aumentou 3,2% em relação a julho e 5,9% na comparação anual, alcançando o maior nível desde novembro de 2019.

No ritmo atual de vendas, essa quantidade representa cerca de 4,9 meses de oferta.

O aumento do estoque pode favorecer compradores em algumas regiões, principalmente porque imóveis estão permanecendo mais tempo anunciados e vendedores podem ter menos espaço para exigir preços acima do mercado.

Casas levam mais tempo para encontrar comprador

As propriedades vendidas em agosto permaneceram anunciadas por uma mediana de 31 dias antes da conclusão da venda.

O cenário é bastante diferente daquele observado durante os anos de maior aquecimento do mercado imobiliário americano, quando compradores disputavam imóveis recém-anunciados e muitas propriedades recebiam diversas ofertas em poucos dias.

Agora, quem está disposto e financeiramente preparado para comprar pode encontrar melhores condições para negociar.

Compradores de primeira viagem ainda enfrentam dificuldades

Os compradores adquirindo seu primeiro imóvel representaram aproximadamente 30% das vendas realizadas em agosto.

Embora o percentual tenha apresentado alguma melhora, ele permanece abaixo dos níveis historicamente associados a um mercado imobiliário mais saudável.

Preços elevados, necessidade de entrada, impostos, seguros e principalmente o custo dos financiamentos continuam dificultando a entrada de compradores mais jovens no mercado.

Queda atingiu grande parte dos Estados Unidos

Regionalmente, as vendas diminuíram no Nordeste, Meio-Oeste e Sul dos Estados Unidos.

A região Oeste foi a única que conseguiu manter o volume de vendas praticamente estável em relação ao mês anterior.

Mesmo com diferenças entre estados e cidades, os números nacionais mostram que o mercado imobiliário americano continua atravessando um período de baixa movimentação.

Recuperação pode demorar

As perspectivas de uma recuperação rápida também perderam força.

As taxas hipotecárias permanecem elevadas e economistas esperam que o custo dos financiamentos continue pressionando o mercado nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, o crescimento do estoque começa a alterar a relação de forças entre compradores e vendedores. Quem precisa comprar uma casa ainda enfrenta preços e juros elevados, mas pode encontrar mais imóveis disponíveis, menos concorrência e maior possibilidade de negociação do que nos últimos anos.

Para os vendedores, o cenário exige mais cautela. Com compradores seletivos e imóveis permanecendo mais tempo no mercado, definir corretamente o preço da propriedade pode se tornar cada vez mais importante para conseguir fechar negócio.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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