Veja como checar se sua placa já foi pesquisada na maior rede de vigilância veicular dos EUA

Veja como checar se sua placa já foi pesquisada na maior rede de vigilância veicular dos EUA

Uma rede de mais de 120 mil câmeras de leitura automática de placas, espalhada por praticamente todo o território dos Estados Unidos, está no centro de uma polêmica nacional depois que dezenas de policiais foram flagrados usando o sistema para fins pessoais, incluindo casos de perseguição a ex-parceiras. Agora, qualquer motorista pode verificar gratuitamente se sua própria placa já foi pesquisada.

Como funciona o sistema

A tecnologia é operada pela empresa Flock Safety, que mantém contratos com milhares de departamentos de polícia em todo o país. As câmeras fotografam veículos em tempo real e alimentam um banco de dados nacional pesquisável, usado oficialmente para localizar carros roubados, pessoas desaparecidas e suspeitos de crimes.

Os casos de uso indevido que vieram à tona

Uma investigação do jornal The Washington Post revelou que pelo menos 50 policiais em diferentes estados americanos foram acusados ou processados por usar o sistema para fins não autorizados, muitos deles relacionados a perseguição de ex-parceiras, parceiras atuais ou outras mulheres com quem mantinham algum tipo de relação pessoal.


______continua após a publicidade_______

seguro


Um dos casos mais graves envolveu um chefe de polícia de uma pequena cidade nos arredores de Atlanta, na Geórgia, que pesquisou a placa da ex-namorada mais de 500 vezes, chegando a enviar mensagens indicando que sabia exatamente onde ela estava em determinados momentos. Em Milwaukee, no estado de Wisconsin, um policial renunciou ao cargo depois que se descobriu que ele havia rastreado a parceira quase 180 vezes ao longo de dois meses. Já na Geórgia, três policiais do Condado de Bibb foram presos em agosto por acusações de perseguição e uso indevido de dados de placas, levando os três a pedir demissão.

A resposta da empresa

Diante da repercussão, Garrett Langley, fundador e CEO da Flock Safety, pediu desculpas publicamente e anunciou uma série de novas medidas de segurança. A partir de 1º de janeiro, todo policial que realizar uma busca no sistema precisará vincular a pesquisa a um número de ocorrência criminal, dificultando buscas feitas por curiosidade ou motivação pessoal. A empresa também vai passar a identificar automaticamente atividades consideradas anormais, como buscas repetidas pela mesma placa, e vai reduzir o período padrão de armazenamento dos dados de localização para sete dias, podendo ser estendido para até um ano somente com aprovação de uma autoridade eleita.

Cidades já cancelaram contratos

A repercussão do caso já provocou reações concretas: mais de 50 cidades e órgãos de segurança pública cancelaram ou suspenderam contratos com a Flock neste ano, e câmeras chegaram a ser vandalizadas em algumas comunidades como forma de protesto contra o sistema de vigilância.

Como verificar se sua placa já foi pesquisada

Motoristas agora podem checar se a própria placa já foi consultada no sistema por meio do site gratuito HaveIBeenFlocked.com. A ferramenta cruza o número da placa informado com registros de auditoria tornados públicos por diferentes governos locais, reunindo mais de 4,6 milhões de placas ligadas a cerca de 242 milhões de buscas já realizadas no sistema. Segundo o próprio site, os dados digitados pelo usuário não são armazenados nem salvos após a consulta.

Vale destacar que os resultados podem demorar meses para aparecer, já que dependem da divulgação pública dos registros pelas autoridades locais, e o site consegue mostrar apenas buscas manuais feitas por operadores do sistema, não sendo capaz de indicar se o veículo já passou fisicamente por alguma das câmeras da rede.

Outra ferramenta colaborativa, chamada DeFlock, permite que moradores mapeiem a localização física das câmeras da Flock em diferentes cidades, funcionando como um projeto de conscientização sobre o alcance da rede de vigilância.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

Compartilhe esta notícia

WhatsApp

No Instagram, o link é copiado para você colar em uma publicação, Story ou mensagem.



____________________publicidade___________________

seguro

anuncie