Entenda por que a Flórida se tornou o epicentro da pena de morte nos Estados Unidos

aEntenda por que a Flórida se tornou o epicentro da pena de morte nos Estados Unidos

A Flórida se tornou, sob o comando do governador Ron DeSantis, o estado que mais executa prisioneiros em toda a história recente dos Estados Unidos. Em julho, o estado realizou sua primeira execução dupla da era moderna, reacendendo o debate nacional sobre o ritmo acelerado da pena capital no estado.

A execução dupla que chamou atenção do país

No dia 28 de julho, a Flórida executou dois homens no mesmo dia, em um intervalo de cerca de cinco horas: James Aren Duckett, de 68 anos, ex-policial condenado pelo assassinato de uma menina, e Dominick Occhicone, de 80 anos, condenado por matar os pais de sua ex-namorada em 1986. Foi a primeira vez em quase uma década que um estado americano realizou duas execuções em um único dia, e Occhicone se tornou o segundo octogenário já executado na era moderna da pena de morte nos Estados Unidos.

DeSantis, que tem autoridade para definir as datas de execução segundo a legislação estadual, não explicou publicamente por que optou por marcar as duas execuções no mesmo dia.


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Os números do recorde

Sob a administração de DeSantis, a Flórida executou 19 prisioneiros somente em 2025, o maior número em um único ano por qualquer governador do estado desde que a pena de morte foi restabelecida nos Estados Unidos em 1976. O recorde anterior era de oito execuções, registrado tanto em 1984 quanto em 2014.

Em 2026, a Flórida já soma 12 execuções até o momento, mais do que todos os outros estados americanos somados. Ao todo, desde o início de 2025, a Flórida já é responsável por quase metade de todas as execuções realizadas nos Estados Unidos. Somando toda sua gestão, DeSantis já ordenou 33 execuções desde o início de 2025 e 42 desde que assumiu o cargo em 2019, superando integralmente os números de seus antecessores: Rick Scott presidiu 28 execuções ao longo de oito anos de mandato, enquanto Jeb Bush teve 21 execuções em toda sua gestão.

O que diz o governador

DeSantis raramente comenta publicamente sobre o ritmo das execuções, mas já afirmou que seu objetivo é levar justiça às famílias das vítimas que esperaram décadas pelo cumprimento das sentenças. Segundo o governador, muitos dos crimes julgados foram cometidos ainda nos anos 1980, e a justiça atrasada seria uma forma de injustiça. Ele afirmou sentir que devia a essas famílias garantir que o processo corresse de forma organizada e dentro do prazo.

As críticas de especialistas e defensores de direitos humanos

Do outro lado do debate, organizações de defesa de direitos humanos e especialistas em direito penal expressam forte preocupação com o ritmo acelerado das execuções. Segundo Maria DeLiberato, advogada sênior do Projeto de Pena Capital da ACLU, a atual administração seria a mais ativa em execuções já vista no estado.

Críticos também apontam que execuções vêm sendo aplicadas em casos envolvendo réus com deficiência intelectual e problemas de saúde mental, fatores que anteriormente costumavam impedir a aplicação da pena de morte. Segundo analistas, a dupla execução de julho também levantou questionamentos sobre dignidade no processo, risco de erros e o desgaste da equipe responsável por conduzir os procedimentos em sequência.

Um panorama nacional

Enquanto o uso da pena de morte vinha em declínio nos Estados Unidos ao longo das últimas duas décadas, o ritmo acelerado da Flórida contribuiu para reverter parcialmente essa tendência em nível nacional. Em 2025, foram registradas 47 execuções em todo o país, o maior número desde 2009. Atualmente, a Flórida mantém 251 condenados no corredor da morte, segundo registros oficiais do estado.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.



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