Câmara dos EUA aprova fim da mudança de horário por 308 votos e coloca pressão no Senado

Câmara dos EUA aprova fim da mudança de horário por 308 votos e coloca pressão no Senado

Trump prometeu assinar o projeto assim que chegar à sua mesa, mas Senado é o obstáculo

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na terça-feira (14 de julho) o Sunshine Protection Act por 308 votos a 117, com amplo apoio bipartidário, avançando com a ideia de tornar o horário de verão permanente em todo o país e acabar de vez com a troca de horário duas vezes por ano. O projeto, do deputado republicano Vern Buchanan, da Flórida, agora precisa passar pelo Senado antes de seguir para a sanção presidencial.

O que muda se a lei for aprovada

Se virar lei, os Estados Unidos adotarão definitivamente o horário que hoje vigora entre março e novembro, eliminando o “spring forward” (adiantar o relógio em março) e o “fall back” (atrasar o relógio em novembro). Na prática, os dias de inverno terão manhãs mais escuras e tardes com mais luz, enquanto o verão permanece praticamente como está hoje. Os estados teriam a opção de se isentar da mudança caso aprovem legislação estadual específica para isso. Havaí e partes do Arizona, que já não adotam o horário de verão atualmente, continuariam com seus próprios padrões de tempo.

Trump apoia e quer assinar

O presidente Donald Trump tem sido um dos defensores mais visíveis da proposta. Em maio, ele publicou em seu Truth Social que centenas de milhões de dólares são gastos todos os anos por pessoas, cidades e estados por serem obrigados a mudar os relógios, e prometeu trabalhar muito para ver o Sunshine Protection Act sancionado. A Casa Branca enviou memorando interno às equipes do Congresso na terça-feira classificando a medida como uma reforma popular e de bom senso, e sinalizou que assessores recomendarão ao presidente que assine o projeto caso ele chegue à sua mesa.


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No momento da aprovação, o deputado Scott DesJarlais, republicano do Tennessee que presidia a sessão, celebrou ligando no celular a música “Here Comes the Sun”, dos Beatles, enquanto anunciava o placar final.

O Senado é o nó da questão

Apesar do resultado expressivo na Câmara, o caminho no Senado é incerto. O senador Tom Cotton, republicano do Arkansas, é o principal opositor e já sinalizou que vai tentar bloquear o projeto. O argumento de Cotton é que o horário de verão permanente seria especialmente prejudicial para crianças em idade escolar e trabalhadores de setores como construção civil, agropecuária e outros que dependem da luz natural pela manhã. Segundo o senador, em alguns estados as crianças chegariam à escola no escuro absoluto, e trabalhadores que iniciam o expediente cedo poderiam ficar até quatro ou cinco horas sem ver o sol durante o inverno.

Além de Cotton, pelo menos uma dúzia de senadores de ambos os partidos, especialmente aqueles que representam estados onde o sol nasceria depois das 8h30 da manhã no inverno com o novo horário fixo, já manifestaram reservas ou se opuseram anteriormente à medida. O líder da maioria republicana no Senado ainda não agendou uma votação para o projeto.

Uma discussão com quase cem anos de história

O debate sobre horário de verão nos Estados Unidos existe desde a Primeira Guerra Mundial, quando o país adotou a prática pela primeira vez para economizar energia. Em 1973, durante a crise do petróleo, o governo americano chegou a adotar o horário de verão permanente por dois anos, mas recuou após forte rejeição popular, especialmente das famílias com crianças que se queixavam de filhos indo para a escola no escuro durante o inverno. Pesquisas recentes mostram que a maioria dos americanos é contra a mudança de horário duas vezes por ano, mas divergem quanto ao horário permanente preferido: alguns querem manter o horário de verão o ano todo, outros preferem o horário de inverno (horário padrão) permanente, que os especialistas em saúde do sono costumam defender como mais alinhado ao ritmo biológico humano.

Em 2022, o Senado chegou a aprovar por unanimidade uma versão anterior do Sunshine Protection Act, mas a Câmara deixou o texto na gaveta até o projeto caducar. Desta vez, a situação se inverteu: foi a Câmara que agiu com folga, e o Senado que enfrenta resistências internas.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.



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