Nem todo mundo precisa saber de tudo

Nem todo mundo precisa saber de tudo

Existe uma ideia que parece correta, mas que, na prática, mais atrapalha do que ajuda: a de que todo mundo precisa estar por dentro de tudo.

Por segurança, a gente copia mais pessoas nos e-mails, adiciona gente nos grupos, amplia listas de distribuição e convida participantes extras para reuniões que, muitas vezes, não precisariam de tanta gente. A intenção é boa. Ninguém quer deixar alguém de fora ou correr o risco de falhar por falta de informação.

O problema é que, quando muita gente está envolvida em tudo, pouca gente se sente realmente responsável por alguma coisa.


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A comunicação começa a se diluir. As mensagens perdem direção. As decisões ficam mais lentas. E o que parecia colaboração vira excesso.

Nem toda informação precisa chegar a todo mundo. Nem toda conversa exige todos os envolvidos. E nem toda decisão melhora com mais opiniões ao redor.

Saber quem precisa estar e, principalmente, quem não precisa, é parte essencial da comunicação, embora raramente seja tratado assim.

Porque comunicar não é apenas transmitir uma mensagem. É direcioná-la com intenção.

Quando esse filtro não existe, o que deveria facilitar começa a complicar. As pessoas passam mais tempo acompanhando do que executando, mais tempo lendo do que fazendo e mais tempo participando do que decidindo. A rotina fica cheia, mas o resultado nem sempre aparece.

Na gestão de projetos, isso fica evidente. Equipes grandes demais para decisões simples, reuniões com pouca objetividade e trocas de mensagens que geram mais acompanhamento do que ação. Tudo parece organizado, mas o andamento perde ritmo.

Com o tempo, esse excesso cansa. Não necessariamente pelo volume de trabalho, mas pela falta de clareza sobre o que realmente importa.

Comunicar bem também é reduzir. É escolher melhor quem precisa estar envolvido, ajustar o alcance das mensagens e evitar incluir mais pessoas do que o necessário.

Incluir todo mundo em tudo não melhora a comunicação. Só espalha a responsabilidade.

E, quando a responsabilidade se espalha demais, o resultado costuma desaparecer.

Comunicar bem não é alcançar todo mundo. É alcançar as pessoas certas.

Este é o segundo texto da série de maio, dedicada à gestão de comunicação e pessoas. Nas próximas semanas, vamos explorar outros pontos do dia a dia que ajudam a explicar por que, mesmo nos comunicando tanto, ainda enfrentamos tantos ruídos.

Até lá!

Autor

  • Raquel Cadais Amorim

    /// Mãe, esposa, pastora, palestrante, especialista em Desenvolvimento Humano na Gestão de Projetos com bacharelado em Ciências da Computação e feliz!



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