EUA endurecem regras de visto e barram candidatos que temem voltar ao país de origem

Passaporte brasileiro e visto americano sobre mesa com bandeira dos EUA ao fundo

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova diretriz que pode mudar de forma significativa o acesso de estrangeiros ao país, incluindo brasileiros que buscam vistos temporários. A medida, já em vigor, determina que consulados e embaixadas americanas em todo o mundo passem a perguntar diretamente aos solicitantes de vistos se eles têm medo de retornar ao seu país de origem. Caso a resposta seja afirmativa, o visto será automaticamente negado.

A orientação foi enviada por meio de um comunicado interno do Departamento de Estado dos Estados Unidos a missões diplomáticas ao redor do mundo. Pela nova regra, todos os candidatos a vistos de não imigrante — categorias que incluem turismo (B1/B2), estudo (F1) e trabalho temporário — devem responder a duas perguntas obrigatórias durante o processo consular: se já sofreram algum tipo de dano, perseguição ou maus-tratos no país de origem, e se têm medo de retornar a esse país.

A admissão de qualquer temor transforma o processo de solicitação de visto em uma triagem direta contra possíveis pedidos de asilo ainda fora do território americano. Pela lei dos Estados Unidos, uma pessoa precisa demonstrar um “medo fundamentado de perseguição” para solicitar proteção humanitária. Com a nova regra, no entanto, admitir esse medo antes mesmo de embarcar impede a emissão do visto e, consequentemente, a entrada no país.


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O documento oficial não esclarece o que acontece com os candidatos que negam o medo durante a entrevista consular e, posteriormente, solicitam asilo após entrarem nos EUA. Especialistas em imigração alertam que há risco real de essas pessoas serem acusadas de fraude de visto, o que pode resultar em deportação imediata e banimento de futuras entradas no território americano.

A nova diretriz surge em um contexto de endurecimento progressivo das políticas migratórias do governo Trump. Analistas apontam que a medida representa uma mudança de estratégia: em vez de limitar o asilo apenas nas fronteiras físicas, a administração passa a impedir que potenciais solicitantes sequer consigam embarcar para os Estados Unidos. A nova regra redefine o papel dos consulados americanos, que passam a funcionar como uma barreira inicial no processo de imigração.

Essa ação faz parte de um conjunto mais amplo de mudanças que inclui restrições a vistos de estudantes e trabalhadores, cortes em programas migratórios, aumento das checagens de segurança e a criação de novas taxas obrigatórias para solicitantes de asilo. Todo esse pacote de medidas tem reduzido o número de vistos emitidos e alterado o perfil da imigração legal para os Estados Unidos.

Para a comunidade brasileira, a mudança exige atenção redobrada durante as entrevistas consulares. É fundamental que os solicitantes compreendam o impacto de cada resposta fornecida ao oficial consular e busquem orientação jurídica especializada antes da entrevista, especialmente aqueles que tenham qualquer histórico que possa ser interpretado como fundamento para um pedido de asilo. Em um cenário de regras cada vez mais rígidas, a preparação e o conhecimento dos próprios direitos são os melhores aliados de quem busca uma vida nos Estados Unidos.

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