Transplante de medula óssea

Transplante de medula óssea

Edição de novembro/2018 – p. 31

Transplante de medula óssea

O que é o transplante de medula óssea?

O transplante de medula óssea, chamado abreviadamente de “transplante de medula”, consiste na substituição de uma medula óssea doente por células normais de uma medula óssea saudável. O transplante é dito autogênico quando a medula provém do próprio paciente e alogênico se ela vem de outra pessoa. O transplante pode ainda partir de células precursoras de medula óssea, chamadas células tronco, retiradas do sangue circulante de um doador ou do sangue do cordão umbilical. É muito difícil achar um doador compatível, daí a importância da doação de medula, para aumentar as possibilidades de encontrar-se um doador adequado. Pessoas de 18 a 55 anos que estejam em bom estado de saúde podem se cadastrar para doar. A doação, no entanto, só será realizada quando surgir um receptor compatível.

O que é a medula óssea?

A medula óssea, popularmente chamada de tutano, é o tecido gelatinoso que fica no interior dos ossos, na qual são produzidas as hemácias (glóbulos vermelhos), que transportam o oxigênio dos pulmões para todo o organismo, os leucócitos (glóbulos brancos), que fazem parte do nosso sistema de defesa e as plaquetas, que integram o sistema de coagulação do sangue. Muito diferente dela é a medula espinhal, formada por tecido nervoso e localizada no espaço interior da coluna vertebral.

Quem deve fazer um transplante de medula óssea?

O transplante de medula óssea pode ser indicado para pessoas que sofram de doenças que afetam as células sanguíneas, como leucemias, linfomas, anemias graves e hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, mielofibrose e talassemia, entre outras. A anemia aplástica, doença caracterizada pela falta de produção de células do sangue, apesar de não ser uma doença maligna, também pode ser tributária de transplante. É necessário que haja total compatibilidade entre doador e receptor; do contrário, a medula será rejeitada. A análise de compatibilidade é realizada por meio de testes laboratoriais, a partir de amostras de sangue do doador e do receptor. As chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos são de 25%. Se não houver um doador compatível aparentado, a solução é fazer uma busca nos registros de doadores voluntários.

Em que consiste o transplante de medula óssea?

Antes do transplante o paciente deve receber altas doses de quimioterapia e, às vezes também de radioterapia, com a finalidade de destruir as células imunes para que o paciente possa receber a nova medula óssea. O doador deve ser exaustivamente examinado e submetido a exames complementares para certificar-se que esteja sadio. A doação se passa no centro cirúrgico de um hospital, sob anestesia, tanto do doador como do receptor, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções com agulhas, nos ossos posteriores da bacia do doador e a medula é aspirada, retirando-se um volume de até 15% da medula do doador. O receptor recebe a medula sadia por via venosa, como se fosse uma transfusão de sangue. Todo o procedimento dura em média duas horas e após isto o doador estará apto a retomar a suas atividades. Se apenas forem transplantadas células do cordão umbilical, o procedimento durará apenas cerca de 20 minutos. As novas células circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. O receptor deve ser mantido no hospital, em regime de isolamento, até que essas novas células comecem a produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, sem o que o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorrágicos. Mesmo depois disso, o receptor deve ser mantido internado por duas ou três semanas, em observação permanente, porque os episódios de febre, entre outras intercorrências, são muito comuns. Depois da alta o receptor continua recebendo tratamento, em regime ambulatorial, devendo comparecer regularmente ao hospital, às vezes diariamente.

Quais são as complicações possíveis no transplante de medula óssea?

Para o receptor, uma evolução favorável do transplante de medula depende de um diagnóstico precoce da doença, do seu estado geral, de boas condições nutricionais e clínicas, além de ter encontrado o doador ideal.

Os principais riscos do transplante de medula dizem respeito às infecções e aos efeitos secundários das drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. As novas células podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação é relativamente comum e tem intensidade variável, mas pode ser controlada com medicação adequada. A rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer e por isso é necessária uma seleção rigorosa do doador.

Para o doador os riscos são mínimos e dentro de poucas semanas sua medula estará inteiramente recuperada. Sintomas que podem ocorrer após a doação, como dor local, diminuição da força física (astenia) e dor de cabeça, em geral, são passageiros e facilmente controláveis com medicações.