Que tipo de negócio devo abrir nos EUA?

Sem dúvida, para quem mora aqui, essa é uma das perguntas mais ouvidas de quem tem interesse em mudar para os Estados Unidos. Evidente que não há resposta imediata e simples, mas alguns exemplos que podem ajudar cada um a encontrar seu próprio horizonte.

As histórias de sucesso que encontro são muito menores do que as de fracassos. Posso dizer que o que dá certo tem sempre alguma coisa em comum. Aparentemente, é a busca de nichos de mercado e a profissionalização para a área de prestação de serviços ou/e busca de emprego. Se sua especialidade for voltada para a área de serviços, ou se você é profissional liberal, deve ter em mente que quase todas as carreiras requerem formação ou licença.

Por isso, a diferença entre o bem-sucedido eletricista, que fez um curso e tirou sua  licença, e aquele que faz serviços sem seguro e é muito mal remunerado. Via de regra, esses cursos de especialização são baratos e muito incentivados pelos condados. Essas licenças não se limitam a duas ou três tradicionais profissões. Elas vão de operadores de guindastes até motoristas de ônibus ou de motoristas de caminhões de inflamáveis. As menos procuradas têm remuneração melhor e as mais comuns, menor. Uma pequena investigação na página de anúncio de empregos pode dar ideia para o que está em falta em sua cidade ou condado.

Aí vem a tradicional pergunta: “Eu tenho curso superior e pós-graduação, como me sentirei fazendo um curso para poder consertar aparelhos de ar-condicionado?” Você não estará sozinho nessa empreitada: muitos daqueles que tiram licença, mesmo americanos, têm curso superior, ou até pós-graduação.

Porém, se você está pensando em abrir um negócio, algumas dicas: – Procure um nicho de mercado. Alguma coisa vendida acima do preço, que você pode fazer ou importar, ou alguma coisa que você viu em outro lugar e poderia ser vendida aqui, ou, ainda, algum serviço que possa fazer e que não é muito comum. Exemplo de negócios bem-sucedidos: uma empresa, que traz peças para veículos fora de estrada fabricados na Itália, ficou sendo o único importador para essa marca e, hoje, abastece todo o mercado americano; outro caso didático é uma empresa que faz cosméticos por encomenda, era um pequeno negócio dentro da garagem, agora tem 30 empregados e atende empresas de médio e grande porte, produzindo e embalando cosméticos mediante fórmula. A pessoa em questão tinha esse conhecimento profissional e, com fórmulas precisas e de qualidade, conseguiu estabelecer-se. Em poucos anos, passou a contar com uma lista de grandes clientes.

– Se você tem vocação para o comércio (parece sempre ser “mais fácil”), procure produtos e marcas que não estão no mercado local. Também poderia estar buscando uma empresa para distribuir. Esse mercado tem muito mais histórias de insucesso do que de sucesso. O setor de comércio é muito disputado por grandes e médios grupos e tem poucos nichos disponíveis. Recomenda-se uma investigação em grandes centros, como NY e Los Angeles, mas pesquisar por internet não é mal.

O apelo são as novidades ou o preço. Quando fui consultado por uma empresa italiana para trazer pontas de estoque da Itália e vender nos outlets, fiquei muito confiante que iria dar certo. Até hoje não vi isso acontecer, pois o Oriente Médio (leia-se Dubai) compra tudo e paga prêmio por cada container. – Compre uma franquia. Use sua intuição para saber em que tipo de mercado vai “se meter” e siga os passos que forem recomendados pelas franqueadoras. Essa é uma possibilidade que, como dizem no volley, é a bola de segurança. São raros os casos de fracassos, desde que se siga a risca o que o franqueador obriga você a fazer e acredite no julgamento dele.

Não adianta insistir que, na esquina de casa, precisa de um Subway se o franqueador com sua experiência não recomenda. Os casos de serviços (U-Haul, Dollar rent  a car) na área de transporte e os relacionados a comidas e também de outros serviços são os mais bem-sucedidos. Tivemos experiência recente com a U-Haul, que mostra o seu nível de profissionalismo e acerto.

Um empresário local, ao invés de comprar uma loja, teve a visão de comprar uma área da Flórida para restaurantes da Panera Bread. Ele está indo muito bem e abre mais do que um restaurante por semestre. Essa possibilidade de criatividade entre franqueado e franqueador é praticamente ilimitada.

– Negócios internacionais. Nesse país, a abertura faz com que você possa trazer e levar produtos para qualquer parte do mundo com simplicidade. Não é tão livre quanto parece, mas se você se dispuser a seguir as regras de importação ou exportação e tiver um bom produto, o governo não será empecilho. Tenho o exemplo de um pequeno empresário brasileiro que resolveu trazer acessórios para celulares da China.

Depois de algumas importações, ele virou o abastecedor de uma região do estado de Massachusetts de revendedores da T Mobile e, hoje, tem um território que vende milhões de dólares por ano. Também temos um grupo em Miami que resolveu comprar cabos de fibra óptica excedente e obsoleto nos Estados Unidos e vender para a América Latina. Ele compra agora cabos de até 2 pernas, obsoletos, e os vende de 5 a 10 vezes acima do preço de custo. Busque informações e conselhos com aqueles que estão no setor há mais tempo ou com os que estão na América, porém cuidado com conselhos de quem não é do ramo e que dá palpite no que não sabe. Não peça conselhos sobre casamento a um padre.

Antonio Romano
antonioromano@gmail.com
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