Combustível, instabilidade internacional e custos operacionais pressionam as companhias aéreas e dificultam a queda dos preços das passagens – esperar redução pode não funcionar
Viajar de avião pelos Estados Unidos continua pesando no bolso. Mesmo quando os preços do petróleo e do combustível para aviação apresentam períodos de queda, as tarifas aéreas permanecem elevadas e não acompanham imediatamente essa redução.
Segundo dados divulgados pela Associated Press, a passagem aérea média nos Estados Unidos passou de US$ 405 nos últimos três meses de 2025 para US$ 428 no primeiro trimestre de 2026 e chegou a US$ 436 entre abril e junho. Os valores não incluem cobranças adicionais, como bagagem despachada e escolha de assento.
O cenário preocupa especialmente os viajantes que dependem de voos domésticos e internacionais, incluindo brasileiros que vivem nos Estados Unidos e costumam viajar para o Brasil.
O combustível para aviões representa uma parcela significativa dos custos das companhias aéreas. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a previsão é de que o combustível responda por quase um terço das despesas operacionais das empresas em 2026, acima da proporção registrada em 2025.
A instabilidade dos preços também dificulta o planejamento das companhias. As empresas definem suas programações e colocam passagens à venda meses antes dos voos, com base em estimativas de custos.
Por isso, uma queda momentânea no preço do combustível não significa necessariamente uma redução imediata no valor pago pelo passageiro.
Passagens para o fim de ano preocupam
Quem pretende viajar durante os períodos de Thanksgiving e Natal também encontra preços elevados. Segundo a empresa de reservas Hopper, o valor médio de uma passagem doméstica de ida e volta estava estimado em US$ 402 para o Thanksgiving e US$ 452 para o Natal. Os valores representavam aumentos de 31% e 23%, respectivamente, em relação ao ano anterior.
Para quem compra a passagem de última hora, os preços podem ser ainda maiores. O aumento dos custos de combustível também está levando grandes companhias aéreas a rever seus horários e reduzir voos considerados menos rentáveis.
American Airlines, United Airlines e Southwest Airlines estão entre as empresas que anunciaram ajustes em suas programações diante da pressão dos custos. A United, por exemplo, retirou alguns voos previstos para dezembro e indicou que novos cortes poderão ocorrer caso os preços do combustível permaneçam elevados.
O resultado é uma combinação que preocupa os passageiros: menos voos em determinadas rotas e tarifas que permanecem elevadas.
Especialistas ouvidos pela Associated Press explicam que, para uma redução consistente das tarifas, não basta o combustível cair por alguns dias ou semanas. É necessário que os preços permaneçam baixos por um período prolongado para que as companhias consigam absorver a mudança em seus custos.
Para o passageiro, a mensagem é clara: esperar uma queda imediata nas passagens pode não funcionar.
Enquanto as companhias aéreas enfrentam a volatilidade dos custos, os viajantes — inclusive milhares de brasileiros que cruzam regularmente o espaço aéreo entre Estados Unidos e Brasil — precisam pesquisar com antecedência e acompanhar as tarifas antes de comprar.
A viagem de avião continua sendo uma das despesas que mais exigem planejamento para quem vive nos Estados Unidos e mantém vínculos familiares ou profissionais com o Brasil.








