México recebe cerca de 20 mil deportados em nova estratégia migratória dos EUA

México recebe cerca de 20 mil deportados em nova estratégia migratória dos EUA

Mais de 25 mil imigrantes foram deportados pelos Estados Unidos para países diferentes de suas nações de origem desde o início do segundo governo de Donald Trump, segundo uma investigação internacional divulgada nesta segunda-feira, 21 de setembro.

O levantamento identificou pelo menos 25.447 pessoas enviadas a terceiros países até 31 de agosto de 2026. Em muitos casos, os deportados não possuíam vínculos anteriores com os locais que os receberam.

A maior parte, cerca de 20 mil pessoas, foi enviada ao México. Outros milhares foram transportados para países da América Latina, África, Caribe, Ásia Central e região do Pacífico.


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Investigação encontrou acordos com 35 países

Os números fazem parte do Deportation Project, investigação coordenada pela organização jornalística Forbidden Stories em colaboração com veículos de imprensa de diferentes países.

O levantamento identificou acordos fechados pelos Estados Unidos com 35 países para receber imigrantes de outras nacionalidades.

Até o período analisado, deportados já haviam sido enviados para 28 desses países. Outros sete governos haviam fechado acordos, mas ainda não tinham recebido pessoas por meio do programa.

As condições variam conforme o país. Alguns acordos estabelecem quais nacionalidades podem ser recebidas, enquanto outros impõem restrições relacionadas a pessoas com determinados antecedentes criminais.

Cerca de 20 mil pessoas foram enviadas ao México

O México se tornou, de longe, o principal destino dessas deportações.

Aproximadamente 20 mil estrangeiros de outras nacionalidades foram enviados dos Estados Unidos ao território mexicano entre janeiro de 2025 e agosto de 2026.

Dados obtidos junto ao Instituto Nacional de Migração do México mostram que somente entre 20 de janeiro e 31 de dezembro de 2025 o país recebeu pelo menos 12.983 pessoas que não eram mexicanas.

Entre elas estavam milhares de cubanos, venezuelanos, guatemaltecos, hondurenhos, salvadorenhos, nicaraguenses e haitianos.

Em 2026, o fluxo continuou. Entre janeiro e meados de junho, outras 5.504 pessoas de terceiros países foram enviadas ao México.

Governo reservou cerca de USD $410 milhões

A política também envolve centenas de milhões de dólares.

Segundo documentos analisados pela investigação, o governo americano reservou aproximadamente USD $410 milhões para viabilizar os acordos e auxiliar no recebimento ou posterior deslocamento dos deportados.

Desse total, cerca de USD $81 milhões foram destinados diretamente a governos participantes.

Outros aproximadamente USD $178 milhões foram previstos para a Organização Internacional para as Migrações, enquanto USD $123 milhões foram destinados ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Os recursos podem ser utilizados para operações relacionadas à recepção, assistência e retorno de migrantes.

Países africanos entraram na estratégia

A investigação aponta que a administração americana procurou 49 dos 54 países africanos para discutir a possibilidade de receber deportados de outras nacionalidades.

Entre os países que passaram a integrar ou negociar esse tipo de acordo aparecem Camarões, Uganda, Libéria, Guiné Equatorial e República Centro-Africana.

Em alguns casos, os valores envolvidos são expressivos.

Documentos analisados pela investigação indicam que aproximadamente USD $30 milhões foram reservados para apoiar operações das Nações Unidas em Camarões em um acordo relacionado à possibilidade de receber até mil deportados.

A República Democrática do Congo, por sua vez, teria recebido uma previsão de USD $50 milhões em apoio a operações internacionais associadas a um acordo para até 2 mil pessoas.

Novo escritório coordena parte das negociações

Grande parte das negociações passou a ser conduzida pelo Office of Remigration, estrutura criada dentro do Departamento de Estado em maio de 2025.

O escritório atua na negociação com governos estrangeiros e na organização dos recursos utilizados nos acordos.

A estratégia busca encontrar destinos alternativos principalmente para pessoas que possuem ordem final de deportação, mas que não podem ser enviadas diretamente ao país de origem em determinadas circunstâncias.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando existe uma proteção judicial contra o retorno a determinado país devido ao risco de perseguição ou tortura.

Política enfrenta disputa nos tribunais

A estratégia também se tornou alvo de uma importante batalha judicial nos Estados Unidos.

Em 18 de setembro, o Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito manteve grande parte de uma decisão que considerou ilegal o procedimento adotado pelo Department of Homeland Security para realizar rapidamente determinadas deportações a terceiros países.

O caso envolve principalmente o direito dos imigrantes de contestar o envio para um país onde afirmam correr risco.

Segundo a decisão, o governo precisa oferecer uma oportunidade significativa para que essas preocupações sejam apresentadas antes da remoção.

O tribunal, porém, derrubou uma parte da decisão anterior relacionada à obrigação de o governo tentar primeiro deportar a pessoa para países com os quais ela possui algum vínculo.

A disputa ainda pode chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos.

Governo afirma que política permite cumprir ordens de deportação

A administração Trump argumenta que as deportações para terceiros países são necessárias para executar ordens válidas de remoção quando o imigrante não pode ser enviado para seu país de origem.

O governo sustenta que pode utilizar destinos alternativos quando recebe garantias diplomáticas consideradas confiáveis de que a pessoa não será perseguida ou torturada.

Autoridades também afirmam que a política faz parte da estratégia de ampliar as deportações e reforçar o cumprimento das leis migratórias.

Organizações de direitos humanos e advogados dos deportados, por outro lado, questionam a falta de transparência dos acordos e afirmam que algumas pessoas foram enviadas para países desconhecidos sem tempo suficiente para contestar a decisão.

Alguns deportados não tinham antecedentes criminais

Embora autoridades americanas tenham afirmado que pessoas com antecedentes criminais estão entre as prioridades das operações migratórias, a investigação encontrou casos de deportados sem histórico criminal.

Além disso, vários dos próprios países que fecharam acordos com Washington estabeleceram restrições para não receber pessoas condenadas por crimes violentos.

Isso significa que o grupo atingido pela política não é formado exclusivamente por pessoas condenadas por crimes.

Entre os casos investigados estão imigrantes que receberam proteção contra deportação para seus países de origem porque autoridades ou tribunais americanos reconheceram que poderiam enfrentar perseguição ou outros riscos caso retornassem.

Política deve continuar no centro da disputa migratória

As deportações para terceiros países cresceram rapidamente desde janeiro de 2025 e se transformaram em uma das ferramentas utilizadas pelo governo Trump para ampliar o número de remoções.

Ao mesmo tempo, decisões judiciais recentes colocaram limites sobre a maneira como algumas dessas deportações podem ser executadas.

Com mais de 25 mil pessoas já enviadas para países diferentes dos seus de origem, centenas de milhões de dólares reservados para os acordos e negociações envolvendo dezenas de governos, a política deverá continuar no centro das disputas migratórias e judiciais nos Estados Unidos.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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