Quem pretende aproveitar as praias de Miami, Fort Lauderdale e outras áreas do sul da Flórida precisa redobrar os cuidados. Um novo ciclo de king tides, as chamadas marés excepcionalmente altas, está elevando o nível do oceano, provocando alagamentos em comunidades costeiras e aumentando o risco para banhistas.
Neste domingo, 28 de setembro, o National Weather Service mantém alertas para inundações costeiras em partes de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe, além de risco alto de correntes de retorno nas praias voltadas para o Atlântico.
A combinação de maré astronômica elevada, ondas e condições marítimas adversas pode fazer com que a água avance sobre ruas e áreas normalmente secas durante os horários de pico da maré.
Miami Beach e Fort Lauderdale estão entre as áreas afetadas
As king tides atingem principalmente comunidades costeiras de baixa altitude.
Miami Beach, Fort Lauderdale, Hollywood e outras áreas próximas ao litoral estão entre os locais que podem registrar água salgada avançando sobre ruas, estacionamentos e propriedades.
No sábado, moradores da região de Hollywood já relataram alagamentos provocados pela maré. Em alguns pontos, a água chegou a dificultar até mesmo a saída de moradores de suas casas.
Miami-Dade e Broward permaneceram sob alerta de inundação costeira neste domingo, enquanto áreas de Monroe County, incluindo partes das Florida Keys, enfrentaram condições ainda mais severas.
King tides podem elevar o oceano mais de 2 pés
As king tides não são provocadas por tempestades. Elas são marés astronômicas excepcionalmente altas que acontecem em determinados períodos do ano devido ao alinhamento gravitacional entre Terra, Lua e Sol.
No sul da Flórida, o fenômeno costuma ser mais intenso entre setembro e novembro, principalmente próximo das luas cheia e nova.
Em determinadas áreas da costa leste, essas marés podem elevar o nível da água em mais de 2 pés, aproximadamente 61 centímetros, acima dos níveis habituais.
Quando ventos fortes, ondas ou sistemas meteorológicos coincidem com o fenômeno, os impactos podem ser ainda maiores.
Correntes de retorno representam perigo até para bons nadadores
Para quem pretende ir à praia, o maior perigo não está apenas na altura da maré.
O National Weather Service mantém risco alto de correntes de retorno nas praias do Atlântico no sul da Flórida pelo menos até a tarde de segunda-feira.
Essas correntes são canais estreitos e rápidos de água que se deslocam da praia em direção ao oceano.
Elas podem arrastar uma pessoa para águas mais profundas em poucos segundos e são capazes de surpreender até nadadores experientes.
Um dos problemas é que nem sempre são facilmente identificadas. Em alguns casos, a região onde existe uma corrente de retorno pode até parecer mais calma do que as áreas ao redor.
Nunca tente nadar diretamente contra a corrente
Caso seja arrastado por uma corrente de retorno, a recomendação das autoridades é não tentar nadar diretamente contra ela em direção à praia.
Isso pode provocar exaustão rapidamente.
A orientação é manter a calma, flutuar e, quando possível, nadar paralelamente à costa até conseguir sair da corrente. Depois disso, a pessoa pode retornar em direção à praia.
Se não conseguir escapar, deve continuar flutuando e sinalizar por ajuda.
O National Weather Service recomenda entrar no mar somente em praias supervisionadas por salva-vidas e sempre respeitar bandeiras e avisos de segurança.
Bandeiras na praia precisam ser levadas a sério
Antes de entrar na água, moradores e turistas devem verificar as bandeiras instaladas nos postos de salva-vidas.
Elas indicam as condições do oceano e podem alertar para ondas fortes, correntes perigosas ou outras ameaças.
Durante períodos de risco elevado, autoridades recomendam evitar praias sem supervisão.
Mesmo quando o céu está azul e o tempo parece perfeito para um dia de praia, as condições dentro do oceano podem continuar perigosas.
Ruas também podem ficar alagadas sem chuva
Outro efeito curioso das king tides é a possibilidade de encontrar ruas alagadas mesmo durante um dia completamente ensolarado.
A água do oceano pode subir por canais, sistemas de drenagem e outras áreas baixas, inundando temporariamente bairros próximos ao litoral.
Fort Lauderdale, por exemplo, convive há anos com episódios recorrentes desse tipo e vem investindo em infraestrutura como válvulas de maré, sistemas de drenagem e muros de contenção.
O fenômeno também é bastante conhecido em Miami Beach, onde determinadas ruas podem registrar água salgada durante os ciclos mais fortes.
Nunca atravesse uma rua alagada sem saber a profundidade
Motoristas também precisam tomar cuidado.
A recomendação oficial é não dirigir por ruas cobertas por água quando não for possível determinar sua profundidade.
Além do risco de o veículo ficar preso, a água salgada pode provocar danos mecânicos e acelerar a corrosão de componentes do automóvel.
Pedestres também devem evitar caminhar por áreas inundadas.
A orientação utilizada pelas autoridades americanas é simples: se uma rua estiver alagada, procure outro caminho.
Fenômeno continuará acontecendo nos próximos meses
O atual episódio não será o último de 2026.
O sul da Flórida deverá passar por novos ciclos de marés excepcionalmente altas durante o outono americano, com episódios previstos até dezembro.
As king tides normalmente ganham maior atenção entre setembro e novembro, período em que algumas das maiores marés astronômicas do ano atingem a costa.
Para moradores de áreas vulneráveis, prefeituras como Fort Lauderdale disponibilizam calendários com as previsões dos períodos de maior risco.
Domingo ensolarado não significa oceano seguro
O alerta deste fim de semana chama atenção justamente porque as condições meteorológicas em terra podem transmitir uma falsa sensação de segurança.
O sul da Flórida tem tempo predominantemente seco e agradável neste domingo, mas o oceano continua apresentando condições perigosas.
Por isso, quem estiver em Miami Beach, Fort Lauderdale, Hollywood, Palm Beach ou outras praias da costa atlântica deve verificar as bandeiras e orientações dos salva-vidas antes de entrar na água.
A recomendação é especialmente importante durante as próximas marés altas, quando o avanço da água e as correntes de retorno podem ficar ainda mais intensos.







