Inflação desacelera nos EUA, mas supermercado continua pesando no bolso das famílias

Mesmo com a queda da inflação, preços dos alimentos seguem elevados e especialistas alertam que consumidores não devem esperar reduções significativas no curto prazo

Apesar dos sinais de desaceleração da inflação nos Estados Unidos, os consumidores continuam enfrentando contas cada vez mais altas nos supermercados. Economistas explicam esse fenômeno por meio da chamada teoria dos “foguetes e penas” (“rockets and feathers”), que descreve a rapidez com que os preços sobem e a lentidão com que recuam.

Na prática, os preços dos alimentos dispararam como um foguete após a pandemia, impulsionados por problemas nas cadeias de abastecimento, guerra na Ucrânia, surtos de gripe aviária e aumento dos custos de produção. Agora, mesmo com a inflação em queda, os preços descem lentamente, como uma pena caindo ao chão.


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Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os preços dos alimentos consumidos em casa devem subir, em média, 2,7% em 2026, percentual superior ao registrado em 2024 e 2025, embora próximo da média histórica do país. Ou seja, os americanos continuam pagando mais caro para abastecer a despensa.

Especialistas destacam que muitos consumidores confundem desaceleração da inflação com queda dos preços. No entanto, uma inflação menor significa apenas que os preços continuam subindo em um ritmo mais lento. Para que os produtos realmente fiquem mais baratos seria necessário ocorrer deflação, um cenário considerado raro na economia.

“O público começa a perceber que ouvir que a inflação caiu não significa que os produtos ficarão mais baratos”, explicou Matt Hamory, especialista em varejo alimentar da consultoria AlixPartners.

Diante dos preços elevados, milhões de famílias americanas passaram a comprar menos produtos, trocar marcas tradicionais por marcas próprias dos supermercados e buscar ofertas em redes de atacado e descontos, como Walmart, Costco e Aldi. As marcas próprias bateram recorde de vendas em 2025, refletindo a busca por economia.

Pesquisas também apontam que o consumo de alimentos vem sendo influenciado por fatores como o aumento do preço dos combustíveis, redução de programas de assistência alimentar e até o crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento da classe GLP-1, que reduzem o apetite e alteram os hábitos de compra.

Café e tomate entre os produtos pressionados

Alguns alimentos continuam sofrendo pressões específicas. O café, por exemplo, acumulou forte alta nos últimos anos devido a problemas climáticos em grandes países produtores, incluindo o Brasil. Já o tomate ficou mais caro após a adoção de tarifas de importação sobre o produto mexicano pelos Estados Unidos.

Especialistas acreditam que grandes redes varejistas começaram a reduzir preços de alguns produtos para recuperar clientes, movimento que poderá aumentar a concorrência e pressionar outros supermercados a fazer o mesmo. Ainda assim, a expectativa é de que os preços dos alimentos permaneçam acima dos níveis observados antes da pandemia por um longo período.

Para a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos, a desaceleração da inflação representa um alívio parcial, mas não significa economia imediata nas compras do dia a dia. O custo da alimentação continua elevado e exige planejamento financeiro, pesquisa de preços e maior atenção às promoções para reduzir o impacto no orçamento familiar.

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