FTC investiga se Walmart e companhias aéreas usam dados pessoais para definir preços

Órgão federal dos EUA quer esclarecer se informações dos consumidores influenciam o valor de produtos, passagens e serviços, além da remuneração de trabalhadores

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) determinou que grandes empresas, como Walmart, Delta Air Lines e outras companhias, forneçam informações detalhadas sobre o uso de dados pessoais na definição de preços e pagamentos. A iniciativa, anunciada na quarta-feira (28), busca esclarecer se consumidores e trabalhadores recebem valores diferentes com base em seus perfis e comportamentos.

Além da varejista Walmart e da companhia aérea Delta, a determinação envolve United Airlines, JetBlue, Uber, Lyft, DoorDash, Instacart e Target. As empresas deverão explicar quais ferramentas, dados e critérios utilizam para estabelecer preços de passagens aéreas, corridas, entregas de alimentos e outros produtos e serviços.


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A preocupação da FTC é que informações como histórico de navegação na internet, localização, participação em programas de fidelidade e hábitos de consumo possam ser utilizadas para calcular quanto cada cliente estaria disposto a pagar. A agência também investiga se plataformas de transporte e entrega usam dados dos motoristas e entregadores, incluindo o histórico de aceitação de ofertas e o uso do celular, para determinar a remuneração.

Segundo o presidente da FTC, Andrew Ferguson, o objetivo é examinar métodos pouco transparentes que podem fazer com que consumidores paguem valores diferentes pelo mesmo produto ou serviço, enquanto trabalhadores recebam pagamentos distintos por atividades semelhantes.

Empresas contestam práticas de preços personalizados

A Delta afirmou que não utiliza ofertas individualizadas baseadas em dados pessoais e declarou cumprir as leis de preços e publicidade. A JetBlue também informou que suas tarifas são determinadas pela demanda e pela disponibilidade de assentos, negando o uso de informações pessoais ou do histórico de navegação para estabelecer preços individuais.

O Walmart, por sua vez, já havia declarado que não utiliza informações como renda, histórico de compras ou disposição do consumidor para pagar mais na definição dos preços.

A investigação ocorre em meio ao aumento das preocupações com o uso de inteligência artificial e algoritmos nas estratégias comerciais. A FTC também discute medidas para exigir que as empresas informem claramente quando utilizam dados pessoais para estabelecer preços personalizados.

As companhias têm 45 dias, a partir do recebimento das determinações, para fornecer as informações solicitadas. A agência pretende utilizar os dados para elaborar um estudo que ajude a orientar futuras decisões regulatórias e legislativas sobre transparência, proteção do consumidor e remuneração de trabalhadores nos Estados Unidos.

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