Determinação da autoridade de aviação dos EUA envolve modelos 737 MAX 8, MAX 9 e 737-8200; até agora, nenhuma rachadura foi identificada nos aviões do modelo
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou a inspeção de 471 aeronaves Boeing 737 MAX registradas no país após autoridades identificarem a possibilidade de rachaduras em uma estrutura localizada na fuselagem dos aviões. A medida envolve os modelos 737 MAX 8, MAX 9 e 737-8200.
Apesar da preocupação, a FAA não informou a existência de rachaduras nos Boeing 737 MAX que estão atualmente em operação. A determinação tem caráter preventivo e está relacionada a problemas semelhantes já encontrados em versões mais antigas do 737, conhecidas como 737 Next Generation.
O componente que está no centro da preocupação é chamado de “bear strap”, uma estrutura de reforço que contribui para a sustentação da fuselagem, especialmente na região próxima às portas. Segundo as autoridades, o desgaste ou aparecimento de fissuras nessa área pode comprometer a integridade estrutural da aeronave se não for identificado e corrigido.
As inspeções deverão começar até 10 de setembro de 2026. A exigência da FAA também determina verificações adicionais em aeronaves que já passaram por determinados reparos na fuselagem.
A Boeing informou que a questão já vinha sendo acompanhada pela empresa e que o problema estrutural foi identificado anteriormente em aeronaves da geração anterior do 737. A fabricante afirmou que não foram encontradas rachaduras nos 737 MAX, mas apoia a realização das inspeções determinadas pela FAA.
A preocupação das autoridades está relacionada às semelhanças de projeto e de fabricação entre diferentes versões do 737. Por isso, a inspeção preventiva busca detectar qualquer eventual problema antes que ele possa representar risco à segurança dos passageiros.
A determinação ocorre em um momento particularmente delicado para a Boeing, que permanece sob forte escrutínio das autoridades de aviação depois de uma série de problemas envolvendo a família 737 MAX.
Aumenta atenção sobre segurança
O Boeing 737 MAX ficou marcado pelos acidentes envolvendo os voos da Lion Air, em 2018, e da Ethiopian Airlines, em 2019. As duas tragédias provocaram a morte de 346 pessoas e levaram à suspensão mundial das operações do modelo por aproximadamente 20 meses.
Em 2024, outro episódio envolvendo um Boeing 737 MAX 9 voltou a colocar a fabricante no centro das atenções. Durante um voo da Alaska Airlines, um painel da fuselagem se desprendeu da aeronave, levando a FAA a determinar inspeções e a suspender temporariamente a operação de centenas de aviões do modelo.
Agora, a nova determinação da FAA não significa que os 471 aviões estejam sendo retirados de serviço. Trata-se de uma ação preventiva para verificar a existência de possíveis falhas estruturais e garantir que eventuais problemas sejam identificados antes de evoluírem.
A decisão reforça o nível de fiscalização sobre a Boeing, especialmente em relação à segurança e aos processos de fabricação. A FAA vem mantendo uma postura de maior controle sobre a empresa após os problemas registrados nos últimos anos.
A medida também ocorre poucos dias depois de a própria FAA certificar o Boeing 737 MAX 7, o menor integrante da família MAX, para operações comerciais, após anos de atrasos e exigências adicionais de segurança.
Para os passageiros, a orientação é acompanhar eventuais comunicados das companhias aéreas. Até o momento, a determinação da FAA é de inspeção preventiva e não representa uma ordem geral de aterramento dos Boeing 737 MAX.
A segurança volta a ser o centro das atenções em torno do Boeing 737 MAX — e a nova inspeção determinada pela FAA mostra que, mesmo após anos de mudanças e revisões, o modelo continua sob rigoroso acompanhamento das autoridades americanas.








