Um ex-instrutor da agência U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) apresentou um depoimento explosivo perante membros do Congresso dos Estados Unidos, alegando que a agência reduziu drasticamente o programa de treinamento de novos agentes, cortando cerca de 240 horas de instrução consideradas “vitales”, e teria mentido sobre isso a legisladores e ao público.
Segundo o instrutor, Ryan Schwank, que recentemente deixou o cargo na academia de treinamento de Glynco, Geórgia, o curso de formação (que antes tinha cerca de 584 horas de conteúdo) foi encurtado para menos de 300 horas, eliminando aulas importantes que incluíam segurança com armas de fogo, uso legal da força, procedimentos de detenção e explicações sobre limites constitucionais do poder policial. Ele afirmou que essas mudanças colocam em risco tanto a segurança dos agentes quanto dos cidadãos.
Schwank declarou que a redução do treinamento ocorreu enquanto o governo federal expandia rapidamente o número de policiais de imigração, como parte de uma estratégia maior de aplicação da lei migratória. Ele também alegou que a agência teria mudado exames práticos e teóricos, incluindo a eliminação de testes cruciais, e deixou de reprovar candidatos que cometiam erros graves em cenários de prática, como mostrar armas uns aos outros de forma inapropriada.
Em resposta às acusações, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), que supervisiona o ICE, afirmou que o treinamento não perdeu conteúdos essenciais e que o suposto corte de horas foi compensado por aulas mais intensas em um cronograma condensado, bem como por treinamento no trabalho após a formatura. Autoridades também reforçaram que os recrutas continuam recebendo instruções sobre táticas de desescalada, direitos constitucionais e uso seguro de armas.
As declarações de Schwank surgem em um momento de crescente escrutínio público sobre o papel e a conduta de agentes federais de imigração, especialmente após incidentes de uso de força em operações anteriores, levando legisladores a pressionarem por maior transparência e supervisão das práticas de treinamento e aplicação da lei.








