Brasil reinaugura estação de pesquisa científica na Antártica

Brasil reinaugura estação de pesquisa científica na Antártica

A nova estação do Brasil de pesquisa científica na Antártica ocupa área de 4.500 metros quadrados, com investimento do governo federal de US$100 milhões. A base irá receber pesquisadores das áreas de oceanografia, glaciologia e meteorologia

Edição de janeiro/2020 – p. 16

Brasil reinaugura estação de pesquisa científica na Antártica

Finalmente o Brasil reinaugurou a nova estação de pesquisa científica na Antártica – base “Estação Antártica Comandante Ferraz” –, ocupando uma área de 4.500 metros quadrados, com investimento do governo federal de US$100 milhões, dispondo dos equipamentos mais modernos do mundo, adaptada para receber pesquisadores das áreas de oceanografia, glaciologia e meteorologia. A operação e a logística da base são de responsabilidade da Marinha, que recebe o a apoio da Aeronáutica. E durante a cerimônia de reinauguração no dia 15 de janeiro, a presença de autoridades brasileiras – do vice-presidente General Hamilton Mourão e Ministros –, de convidados e pesquisadores.

O Capitão de Fragata Luiz Filho, chefe da estação, diz que “é uma honra ter esta estação construída em nosso território – oito anos após o incêndio – e certamente ela vai servir de modelo para outros países”. Segundo ele, antigamente existiam cinco laboratórios e depois da reinauguração, o número passa para 17 laboratórios, sendo que os cientistas da Fiocruz vão ter um laboratório exclusivo de microbiologia para pesquisar fungos que só existem na Antártica. A Agência Internacional de Energia Atômica também já confirmou que vai desenvolver projetos no local.

O projeto arquitetônico da estação impressiona no meio do gelo da Antártica. Algumas medidas foram tomadas para adaptar a base às condições climáticas do local. Para ficar acima da densa camada de neve, que se forma no inverno, o prédio recebeu uma estrutura elevada. Os pilares de sustentação pesam até 70 toneladas e deixam o Centro de Pesquisa a mais de três metros do solo.

A estação de pesquisa – localizada na Ilha George, no arquipélago de Shetland do Sul –, também oferece conforto. Os quartos com duas camas e banheiros lembram acomodações de um hotel. Eles vão abrigar pesquisadores e militares. A estação tem ainda uma sala de vídeo, locais para reuniões, academia de ginástica, cozinha e um ambulatório para emergências.

Uma das maiores preocupações é com a segurança, por isso, entre todas as unidades da base foram instaladas portas corta fogo e também foram colocados sensores de fumaça e alarmes de incêndio. Nas salas onde ficam máquinas e geradores, as paredes são feitas de um material ultrarresistente. No caso de um incêndio elas conseguem suportar o fogo durante duas horas e não permitem que ele se espalhe por outros locais. Esse tempo possibilita acionar o esquadrão anti-incêndio e retirar as pessoas da estação em segurança.

Agressão ao meio ambiente

A nova base “Comandante Ferraz” também foi construída com objetivo de reduzir ao máximo a agressão ao meio ambiente e por isso 30% da energia consumida no centro de pesquisa vem de fontes renováveis produzidas no local. Atrás da estação fica uma usina eólica que aproveita os fortes ventos antárticos. Placas para captar energia solar também foram instaladas na base e vão gerar energia principalmente no verão quando o sol na Antártica brilha mais de 20 horas por dia.

Outro detalhe é que o calor produzido pelos geradores de energia ao invés de ser lançado para o ar é canalizado para aquecer a usina. Esta técnica elimina a utilização de diesel para alimentar o sistema de climatização. A novidade foi elogiada pelo contra-almirante Sérgio Guida: “A Antártica é um patrimônio da humanidade que precisa ser preservado, e o Brasil está dando uma lição de sustentabilidade para o mundo”.

Brasil reinaugura estação de pesquisa científica na Antártica

Projeto de reconstrução

O projeto de reconstrução da estação começou a ser executado em 2017. A empresa responsável pela obra é a “China Electronics Import and Export Corporation” que precisou dividir o trabalho em três etapas porque só é possível fazer qualquer tipo de serviço externo na Antártica durante o verão. Entre abril e outubro, os fortes ventos, as nevascas constantes e a temperatura – que pode chegar a 40 graus negativos –, inviabilizam qualquer tipo de atividade. Para driblar o problema, os chineses adotaram a seguinte estratégia: construir os módulos na China no inverno e transportar e instalar na Antártica nos verões de 2017, 2018 e 2019.

Antes mesmo da reinauguração da estação de pesquisa, a “Base Comandante Ferraz” havia ganho um novo sistema de comunicação. A empresa Oi instalou antenas para facilitar a transmissão de dados. Os equipamentos permitem conexão direta com internet, chamadas de vídeo e a realização de videoconferências.

A Antártica, coberta principalmente de neve e gelo, abriga enormes recursos minerais e a maior reserva de água potável do mundo em sua camada continental. Sua exploração comercial ou militar foi proibida pelo “Tratado da Antártica”, assinado em Washington em 1959 e válido até 2041. O Brasil aderiu ao tratado em 1975 e desde 1982 desenvolve atividades científicas na Antártica, um requisito para os países-membros signatários do documento.