Idosos da Flórida temem perder acesso a medicamentos mais baratos do Canadá

Nova regra alfandegária dos EUA, prevista para entrar em vigor em 22 de outubro, pode dificultar a importação de remédios por correspondência e elevar os custos para pacientes

Idosos e pacientes que dependem de medicamentos importados do Canadá estão preocupados com uma nova regra federal que poderá comprometer o acesso a tratamentos com preços mais acessíveis nos Estados Unidos. A medida, prevista para entrar em vigor em 22 de outubro, altera os procedimentos alfandegários para encomendas internacionais, incluindo remédios vendidos sob prescrição médica.

A mudança preocupa especialmente aposentados que precisam de medicamentos de uso contínuo e enfrentam dificuldades para arcar com os elevados preços praticados no mercado americano.


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Um dos casos é o de Margo Chenault, moradora da Flórida, que utiliza diariamente o colírio Vyzulta para tratar o glaucoma. Segundo a reportagem do ClickOrlando, o medicamento custa aproximadamente US$ 500 no mercado americano, valor que não é coberto por seu seguro de saúde. Ao comprar o produto em uma farmácia canadense, ela consegue economizar cerca de 80%.

A paciente teme perder o acesso ao tratamento e relata preocupação com as consequências para sua visão caso não consiga manter o uso do medicamento.

A nova determinação da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) elimina uma isenção que permitia a entrada simplificada de encomendas internacionais de baixo valor. A partir da data prevista para a implementação, os envios estarão sujeitos a exigências adicionais de documentação e garantias alfandegárias.

Embora a regra não seja direcionada exclusivamente aos medicamentos, farmácias canadenses e representantes de pacientes alertam que os novos procedimentos poderão tornar inviável o envio de prescrições destinadas ao uso pessoal, além de provocar atrasos, custos adicionais e possíveis impedimentos.

Ken Hunter, diretor-executivo da Campanha pela Importação Pessoal de Medicamentos Prescritos, afirma que milhões de americanos recorrem a farmácias estrangeiras para conseguir tratamentos a preços menores. Entre os principais interessados estão idosos que utilizam medicamentos para doenças cardíacas, prevenção de acidentes vasculares cerebrais, diabetes e glaucoma.

Diferença de preços preocupa pacientes

A diferença de preços é um dos principais motivos da preocupação. Segundo os dados apresentados na reportagem, uma quantidade de três meses do anticoagulante Eliquis, utilizado para prevenir e tratar coágulos sanguíneos, pode custar cerca de US$ 565 em farmácias canadenses que vendem o medicamento pela internet.

Nos Estados Unidos, o mesmo tratamento pode chegar a aproximadamente US$ 1.017 na Amazon Pharmacy e US$ 1.029 por meio da plataforma GoodRx.

Para pacientes que vivem com rendimentos limitados, uma elevação dessa magnitude pode representar um obstáculo à continuidade do tratamento. Especialistas e defensores dos consumidores também alertam que a interrupção de medicamentos essenciais pode aumentar o risco de complicações graves e gerar despesas ainda maiores para o sistema de saúde.

A preocupação ocorre apesar das iniciativas para ampliar o acesso a medicamentos mais baratos. A Flórida aprovou, em 2019, uma legislação para criar um programa de importação de medicamentos prescritos do Canadá. Em janeiro de 2024, a iniciativa recebeu autorização da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), mas, segundo a reportagem, os primeiros carregamentos ainda não haviam chegado.

A possível restrição também provocou reação política. Parlamentares democratas e republicanos manifestaram preocupação com os impactos da medida sobre pacientes que dependem de medicamentos importados para manter a saúde.

Representantes de consumidores defendem que o governo federal suspenda a implementação da regra para avaliar suas consequências e garantir que pessoas que importam medicamentos para uso pessoal não sejam prejudicadas.

Enquanto isso, pacientes que temem perder o acesso aos tratamentos são orientados a conversar com seus médicos sobre alternativas terapêuticas, medicamentos genéricos e programas de assistência oferecidos pelos fabricantes.

O debate expõe um problema que afeta diretamente os idosos da Flórida: como manter tratamentos indispensáveis diante dos altos preços dos medicamentos e das mudanças nas regras de importação. Para muitos pacientes, a questão vai além da economia e envolve a possibilidade de continuar recebendo os cuidados de saúde de que necessitam.

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