Centro de Artes Cênicas em Washington enfrenta grave crise financeira, problemas estruturais e ameaça de fechamento; nome de Donald Trump está no centro da disputa
Um dos mais importantes símbolos culturais dos Estados Unidos, o Kennedy Center, em Washington, está diante de uma das maiores crises de sua história e poderá fechar as portas já nesta semana diante do agravamento de sua situação financeira.
Documentos apresentados ao conselho de administração indicam que o centro corre risco de não conseguir manter o pagamento de funcionários e contratos básicos de manutenção nas próximas semanas. A instituição também enfrenta problemas estruturais no prédio, aumentando a pressão por uma decisão imediata sobre seu futuro.
A crise ganhou uma dimensão ainda mais política depois que integrantes do conselho, nomeados durante a gestão de Donald Trump, passaram a defender que o nome do presidente seja associado oficialmente ao centro como uma forma de ampliar a capacidade de arrecadação de recursos.
Segundo documentos obtidos pelo Washington Post, integrantes da administração avaliam que o apoio de Trump na captação de doações poderia ser decisivo para impedir um colapso financeiro. O conselho deverá discutir o futuro da instituição em uma reunião marcada para esta terça-feira.
A situação financeira é considerada preocupante. O Kennedy Center teria projetado receitas de aproximadamente US$ 220 milhões, mas a arrecadação ficou muito abaixo do esperado, contribuindo para um déficit estimado em cerca de US$ 23 milhões, mesmo depois de medidas de redução de despesas.
A queda nas vendas de ingressos e o cancelamento de apresentações por artistas também agravaram a situação. A mudança na administração do centro e a intervenção política de Trump provocaram forte reação no meio artístico.
Além das dificuldades financeiras, o prédio enfrenta problemas que exigem uma ampla reforma. Recentemente, parte do revestimento do teto caiu no saguão principal, embora ninguém tenha ficado ferido.
A administração afirma que o edifício precisa de uma intervenção de grande porte e que determinadas áreas apresentam condições preocupantes para funcionários e visitantes. O conselho avalia, inclusive, a possibilidade de fechamento do prédio principal para permitir obras.
O nome de Trump
A controvérsia em torno do nome de Donald Trump transformou o Kennedy Center em palco de uma disputa que ultrapassa a questão cultural.
O presidente assumiu a presidência do conselho após substituir integrantes anteriores por nomes indicados por sua administração. Posteriormente, seu nome passou a ser associado à instituição, provocando questionamentos legais e forte reação de setores culturais.
Agora, em meio à ameaça de falência, integrantes do conselho defendem que o reconhecimento público de Trump poderia ajudar na obtenção de recursos privados.
A situação coloca o histórico centro de artes cênicas diante de uma decisão dramática: encontrar rapidamente uma solução financeira e estrutural ou enfrentar o risco de fechamento.
Criado como um memorial vivo em homenagem ao presidente John F. Kennedy, o Kennedy Center é um dos principais espaços culturais de Washington e abriga importantes apresentações de música, teatro, dança e ópera.
O destino da instituição deverá começar a ser definido nos próximos dias, enquanto aumenta a pressão sobre seus administradores para evitar uma crise que pode atingir não apenas as finanças do centro, mas também sua identidade histórica.







