Incerteza eleitoral deve adiar acordo comercial entre Brasil e EUA, dizem especialistas

Incerteza eleitoral deve adiar acordo comercial entre Brasil e EUA, dizem especialistas

Legenda da foto: O embaixador Marco Farani, do Consulado Brasileiro em Miami, destacou a importante participação da Flórida na relação comercial com o Brasil (foto de divulgação) 

Debate na Flórida avaliou os desafios e perspectivas do comércio bilateral entre os dois países

O calendário eleitoral de 2026 desponta como um dos principais obstáculos para a assinatura de um acordo comercial definitivo entre o Brasil e os Estados Unidos nos próximos meses. A avaliação foi o principal consenso do painel “Tarifas e Comércio Exterior: Impactos, Desafios e Oportunidades”, evento promovido pela Associação de Profissionais Brasileiros em Logística (ABPL) e pelo Ouribank, com apoio institucional do Consulado-Geral do Brasil em Miami.


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Embora as negociações tenham sido retomadas e um telefonema recente entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tenha ajudado a mitigar tensões, analistas presentes no evento sinalizam que decisões de maior peso devem ficar para 2027. O horizonte considera o término das eleições de outubro no Brasil e das eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos EUA, em novembro.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e integrante do grupo que mantém diálogo contínuo com autoridades americanas, ressaltou que as conversas bilaterais extrapolam a seara tarifária. Segundo Barral, Washington demonstra forte interesse em áreas como minerais críticos, mercados digitais e transição energética — pautas que demandam alterações regulatórias e, eventualmente, o aval do Congresso Nacional. O especialista adiantou ainda que Lula e Trump podem voltar a se reunir à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. “Há muito em jogo, por isso acredito realmente que os dois lados chegarão a um acordo a partir de 2027”, pontuou.

Uma postura mais conservadora foi adotada por Leonardo Capra, presidente da DRACO Freight Logistics. Para ele, não há garantias de que as tarifas aduaneiras sofram cortes significativos após o pleito. Capra pondera que os governos historicamente protegem a receita gerada por esses tributos, além de utilizá-los como ferramentas de política comercial e industrial.

Diante do cenário, o ambiente corporativo internacional é compelido a se adaptar. Thiago Covre, diretor da Maersk para a América Latina, definiu o momento atual como “a era da imprevisibilidade”. Ele defende que as companhias precisam estar prontas para revisar fornecedores, mercados, rotas logísticas, custos e estratégias de financiamento, em vez de aguardar as diretrizes governamentais.

João Granato, membro do Conselho da ABPL, recorreu a uma metáfora esportiva para ilustrar a conjuntura global. “Os times precisam se acostumar com o novo campo, porque não há perspectiva de mudança nos próximos sete anos”, advertiu.

Enquanto a diplomacia avança a passos lentos, a iniciativa privada busca saídas práticas. Durante o encontro, o Ouribank anunciou a ampliação em até 50% nos prazos de financiamento para fretes marítimos e aéreos. A medida deve injetar fôlego financeiro em importadores e exportadores de cerca de 120 empresas associadas à ABPL.

O evento, que celebrou o 10º aniversário da ABPL, reuniu lideranças governamentais, corporativas e da comunidade brasileira no sul da Flórida. O embaixador Marco Farani, do Consulado-Geral do Brasil em Miami, e a prefeita de Doral, Christi Fraga, enfatizaram a relevância do fortalecimento dos laços econômicos com a Flórida.

Farani destacou que o intercâmbio comercial entre as duas nações atingiu a marca histórica de US$ 80,9 bilhões, impulsionado por níveis recordes de integração. Desse montante, a Flórida consolidou-se como o principal parceiro estadual do Brasil, concentrando, sozinha, US$ 27,5 bilhões do comércio de mercadorias.

Para Erika Bachiega, da Lúmen — correspondente do Ouribank responsável pela organização do painel —, o debate deve ter caráter permanente. “Reunir especialistas, líderes empresariais e profissionais para discutir oportunidades é essencial para compreender essas transformações e traçar caminhos concretos para mitigar os desafios”, concluiu.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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