Funcionário do USCIS é preso por vender green cards em esquema de quase US$ 1 milhão

Funcionário do USCIS é preso por vender green cards em esquema de quase US$ 1 milhão

Um ex-funcionário sênior do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) foi preso no Texas, acusado de comandar um esquema de corrupção de vários anos que teria movimentado quase US$ 960 mil para acelerar e aprovar indevidamente processos de imigração, incluindo pedidos de green card e cidadania americana.

Quem é o acusado

Lukman Owolabi Ganiyu atuava como Senior Immigration Services Officer no escritório do USCIS em Dallas. Segundo o Ministério Público Federal do Distrito Norte do Texas, ele usou seu cargo para aprovar processos de imigração em troca de dinheiro entre dezembro de 2019 e março de 2026. Ganiyu foi preso em 2 de setembro, junto com Adeniyi Akeem Somoye, apontado pelas autoridades como seu parceiro no esquema e responsável por intermediar parte dos pagamentos. Ambos são imigrantes nigerianos.

Como o esquema teria funcionado

Segundo a acusação, Ganiyu conseguia desviar processos de outros escritórios do USCIS, incluindo unidades em Minneapolis, Charlotte e Houston, para assumi-los pessoalmente, contornando a supervisão local e aprovando os pedidos sem que todas as etapas obrigatórias fossem cumpridas. Em muitos casos, entrevistas, verificações de antecedentes criminais e revisões por supervisores teriam sido puladas, permitindo a aprovação de benefícios a pessoas que, segundo os investigadores, não atendiam aos requisitos previstos na legislação federal.


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Entre os documentos processados de forma irregular estavam o Formulário I-485, usado por quem busca o status de residente permanente legal, o famoso green card, além de petições de patrocínio familiar, remoção de condições de residência e naturalização. Segundo a acusação, Ganiyu chegou a acelerar a cidadania do próprio Somoye e, em seguida, aprovar os pedidos de residência da esposa e do filho dele.

Os valores movimentados

Documentos judiciais apontam que Ganiyu recebeu aproximadamente US$ 671.438 por meio de transferências via Zelle, Cash App e outras plataformas digitais, além de cerca de US$ 287.830 em depósitos em dinheiro, que os investigadores acreditam terem sido usados para tentar esconder a origem dos valores. Já Somoye, atuando como intermediário financeiro do esquema, teria processado cerca de US$ 1,7 milhão em transferências ligadas aos candidatos, incluindo contas bancárias, Zelle e Cash App, ficando com parte dos pagamentos.

Segundo o mesmo documento, Ganiyu recebeu cerca de US$ 407.838 em salário entre 2020 e 2025, sem qualquer outro emprego formal registrado durante o período em que trabalhava na agência, o que chamou a atenção dos investigadores para a origem dos valores extras movimentados em suas contas.

O que a investigação encontrou

A apuração, conduzida pelo Escritório de Investigações Internas do próprio USCIS, reuniu milhares de mensagens de WhatsApp trocadas entre os dois acusados e centenas de ligações telefônicas relacionadas ao esquema e aos candidatos com processos de imigração em andamento.

O que diz a defesa

O advogado de Ganiyu, Alfonso Cabanas, afirmou à revista Newsweek que seu cliente nega qualquer conduta criminosa e contesta a forma como o governo caracterizou as transações financeiras e os processos de imigração citados na denúncia.

A resposta das autoridades

Em comunicado oficial, o procurador federal Ryan Raybould, do Distrito Norte do Texas, afirmou que vender benefícios de imigração em troca de dinheiro é um abuso claro da confiança pública, e que, quando um funcionário federal coloca um preço sobre o status legal de alguém, as autoridades vão intervir imediatamente, reforçando que a corrupção pública nunca será tolerada na região.

As acusações formais

Os dois homens respondem por conspiração para receber gratificações ilegais por funcionário público. Se condenados, podem pegar até cinco anos de prisão.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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