Funcionário aposentado afirma que agência de imigração ofereceu cargos antes da conclusão de verificações de antecedentes, incluindo impressões digitais, identidade e análise de crédito
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) estaria contratando novos agentes de deportação sem concluir etapas básicas de triagem, segundo uma denúncia de irregularidades apresentada por um funcionário que atuava na área de verificação de antecedentes da agência. Em comunicado divulgado na quinta-feira, o ICE afirmou que o denunciante não trabalha mais para a agência.
Atualmente, o ICE conta com cerca de 6.500 agentes de deportação e pretende ampliar esse quadro em mais 10 mil profissionais até o final do ano. A expansão ocorre em meio ao esforço do governo do presidente Donald Trump para intensificar as prisões e deportações de imigrantes.
Segundo a denúncia, um supervisor responsável pela verificação de antecedentes alertou, no ano passado, que a agência estaria contratando um grande número de novos agentes sem que eles tivessem passado por uma triagem básica. Na avaliação do funcionário, a prática poderia violar normas federais e aumentar os riscos de má conduta dentro da agência.
O denunciante era chefe de unidade no Escritório de Responsabilidade Profissional do ICE, setor responsável pelas verificações de antecedentes. De acordo com o documento, o volume de análises estava se acumulando e sofrendo atrasos justamente no momento em que a agência acelerava a contratação de milhares de novos agentes.
Ofertas antes da conclusão da triagem
Na denúncia, o funcionário afirmou que a divisão de recursos humanos do ICE estaria fazendo ofertas definitivas de emprego antes da conclusão de etapas preliminares de verificação, entre elas a coleta de impressões digitais, a confirmação da identidade dos candidatos e a análise de crédito.
Em um memorando enviado ao Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna (DHS), datado de agosto de 2025, o funcionário classificou a mudança como uma redução sem precedentes nos padrões de segurança.
Segundo ele, a prioridade dada à velocidade das contratações poderia comprometer os mecanismos de prevenção de riscos e deixar o DHS mais vulnerável à infiltração e a ameaças internas.
O jornal The New York Times foi o primeiro a divulgar a denúncia na quinta-feira. A Associated Press teve acesso ao documento e a um memorando relacionado, elaborado por Kevin Owens, advogado do funcionário.
O denunciante já está aposentado, e sua identidade foi omitida no documento. Segundo o Times, ele trabalhou no ICE durante 17 anos e era um republicano de longa data que votou em Donald Trump nas eleições de 2020 e 2024.
Em janeiro, o ICE anunciou a contratação de 12 mil novos agentes em menos de um ano. A expansão é financiada por um aporte de US$ 75 bilhões aprovado pelo Congresso para ampliar as operações de prisão e deportação realizadas pela agência.
O ritmo acelerado das contratações, que inclui um bônus de assinatura de US$ 50 mil, também levantou questionamentos sobre o processo de seleção dos novos funcionários.
Uma investigação da Associated Press identificou casos de recém-contratados que apresentavam problemas financeiros considerados sérios em seus históricos, haviam sido acusados de má conduta em empregos anteriores ou possuíam históricos profissionais considerados irregulares.
A denúncia coloca sob questionamento os procedimentos adotados pelo ICE para acelerar a formação de seu novo contingente de agentes, justamente em um momento de forte expansão das operações de imigração e deportação nos Estados Unidos.







