O aumento dos custos operacionais está levando empresas e seguradoras dos Estados Unidos a cortar a cobertura de canetas injetáveis usadas para perda de peso, como Ozempic, Wegovy e Zepbound. Sem o subsídio do plano de saúde, o preço desses tratamentos baseados em GLP-1 varia entre US$ 900 e US$ 1.350 por mês, por paciente.
Por que o custo virou um problema para as empresas
Como a obesidade é considerada uma condição crônica, e a interrupção do tratamento pode levar à recuperação do peso perdido, o impacto financeiro para quem paga o plano de saúde se torna contínuo, e não pontual. Em grandes corporações americanas, os gastos com esse tipo de medicamento saltaram de um custo marginal para mais de 10% de todo o orçamento anual destinado a remédios prescritos.
A queda na cobertura, segundo pesquisas do setor
Levantamentos das consultorias Mercer e Business Group on Health mostram que a proporção de grandes empresas americanas que cobrem medicamentos para obesidade caiu de 72% em 2025 para 60% em 2026, enquanto 14% das empresas já cortaram ou planejam cortar a cobertura desses medicamentos. Redes hospitalares e multinacionais como HCA Healthcare, PricewaterhouseCoopers e Cigna já alteraram suas apólices para limitar o acesso a essas terapias.
A divisão entre diabetes e obesidade
A estratégia adotada pelas operadoras de saúde costuma seguir uma divisão rígida por diagnóstico: a cobertura é mantida para medicamentos destinados ao tratamento do diabetes tipo 2, como Ozempic e Mounjaro, mas recusada quando os mesmos remédios são prescritos especificamente para obesidade. Dados da consultoria IQVIA mostram que mais de 60% das receitas de GLP-1 voltadas para emagrecimento acabam sendo rejeitadas diretamente nas farmácias.
O cenário na Flórida
O Florida Medicaid integra o grupo de 38 estados americanos que não oferecem cobertura para tratamentos com GLP-1 voltados exclusivamente à perda de peso, afetando mais de 3,6 milhões de residentes que dependem de programas públicos de saúde no estado. O Legislativo estadual chegou a criar um programa-piloto controlado voltado a servidores públicos, com o objetivo de medir o impacto orçamentário do uso desses medicamentos no controle da obesidade.
Já entre administradoras privadas de benefícios, como a Prime Therapeutics, e operadoras como Florida Blue, Aetna e UnitedHealthcare, a inclusão do benefício fica a critério de cada empresa contratante. Como as despesas líquidas variam entre US$ 7.200 e US$ 10.800 por ano, por funcionário elegível, a maioria dos empregadores tem optado pela exclusão da cobertura.
As alternativas de quem perdeu o benefício
Diante da negativa do seguro, pacientes na Flórida vêm recorrendo a clínicas particulares e a programas de desconto direto oferecidos pelas próprias farmacêuticas. Outra alternativa tem sido a adesão a programas conduzidos por redes locais de saúde, que conseguiram reduzir os custos do tratamento em até 21% por meio de acompanhamento médico integrado.







