Brasil deve ser o grande beneficiado por nova janela de importação de carne dos EUA

Brasil deve ser o grande beneficiado por nova janela de importação de carne dos EUA

Diante da pressão da inflação nos alimentos às vésperas das eleições de meio de mandato, o presidente Donald Trump anunciou uma medida temporária para tentar reduzir o preço da carne moída nos Estados Unidos. Pelos próximos 90 dias, o país vai permitir a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne bovina destinada à produção de carne moída sem a cobrança da tarifa mais alta aplicada quando as cotas de importação são ultrapassadas.

O que Trump prometeu aos consumidores

Segundo publicação do próprio presidente em rede social, existe um compromisso para que essa carne importada seja vendida por até 25% abaixo dos preços atuais de mercado. Um funcionário da Casa Branca reforçou que o acordo foi fechado diretamente com exportadores estrangeiros de carne bovina, que concordaram em repassar esse desconto aos consumidores americanos em troca do alívio tarifário. Trump afirmou ainda que pretende assinar uma ordem executiva formalizando a medida nas próximas duas semanas.

Por que os preços da carne dispararam nos EUA

A decisão ocorre em meio a um cenário de preços historicamente altos para a carne bovina no país. Em julho, a carne moída custava, em média, US$ 6,89 por libra (cerca de 450 gramas), 57% mais do que há cinco anos. O rebanho bovino americano caiu para seu menor nível desde a década de 1950, resultado de anos de seca prolongada, aumento nos custos de ração e restrições às importações de gado vivo do México, país que enfrenta a disseminação de uma praga que afeta os animais.


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O papel do Brasil nessa história

O Brasil deve ser o maior beneficiado pela nova medida. O país já se tornou o principal fornecedor mensal de carne bovina para os Estados Unidos em março deste ano, ultrapassando a Austrália pela primeira vez. A situação ganha um contorno curioso: o próprio governo Trump havia imposto, em agosto, uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, após uma investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos que classificou práticas comerciais brasileiras como injustas. Segundo analistas do setor, mantida a tarifa anterior, a taxação sobre a carne brasileira poderia chegar a cerca de 76% até o fim do ano, o que praticamente inviabilizaria o comércio do produto.

O anúncio da nova janela de importação sem tarifa já movimentou as ações de grandes frigoríficos brasileiros no mercado financeiro.

A reação dos produtores americanos

Nem todos comemoraram a decisão. A Associação Nacional de Criadores de Gado dos Estados Unidos (National Cattlemen’s Beef Association) criticou publicamente a medida, afirmando que nenhum produtor de gado do país está pedindo mais importações. Segundo a entidade, prejudicar produtores e criadores americanos com produtos de concorrentes estrangeiros não gera confiança no mercado nem incentiva a reconstrução do rebanho nacional. Criadores, tradicionalmente aliados políticos de Trump, temem que a entrada de carne mais barata reduza os preços pagos pelo gado internamente, desestimulando justamente a recuperação do rebanho que a própria Casa Branca diz querer incentivar.

O que ainda não foi esclarecido

Até o momento, Trump não detalhou publicamente quais países, além do Brasil, poderão se beneficiar da cota livre de tarifa, nem especificou os mecanismos exatos de fiscalização do desconto prometido aos consumidores. A medida também é vista por analistas como parte de uma estratégia mais ampla para conter a preocupação de eleitores com o custo de vida antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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