Estudo aponta que empresas enfrentam dificuldades para treinar profissionais em início de carreira no modelo remoto e priorizam candidatos mais experientes. Desemprego entre graduados aumentou
Embora a inteligência artificial (IA) seja frequentemente apontada como uma das principais ameaças aos empregos de entrada, um novo estudo sugere que outro fator pode estar desempenhando papel mais relevante no aumento do desemprego entre jovens graduados: o trabalho remoto.
De acordo com pesquisadores do Federal Reserve Bank de Nova York, a dificuldade das empresas em treinar, supervisionar e desenvolver profissionais em início de carreira à distância tem levado muitos empregadores a priorizar candidatos mais experientes para vagas remotas.
O levantamento mostra que a taxa de desemprego entre graduados com menos de 29 anos aumentou cerca de 20% em comparação ao período anterior à pandemia. A média passou de 3,1% entre 2017 e 2019 para 3,7% entre 2022 e 2025. Entre os profissionais de 22 a 27 anos, o índice chegou a 5,6% em 2026, superando a taxa geral de desemprego dos Estados Unidos.
Segundo os autores do estudo, o modelo remoto dificulta a transmissão de conhecimento, a supervisão cotidiana e o desenvolvimento das habilidades necessárias para quem está começando a carreira. Em equipes distribuídas, gestores tendem a optar por profissionais que já possuem experiência e exigem menos treinamento.
A pesquisa indica que o trabalho remoto pode explicar quase dois terços do aumento do desemprego registrado entre jovens graduados desde a pandemia. Em contrapartida, trabalhadores mais experientes que atuam em funções compatíveis com o home office apresentaram uma leve redução na taxa de desemprego durante o mesmo período.
Inteligência artificial ainda gera preocupação
O estudo não descarta que a inteligência artificial possa impactar o mercado de trabalho nos próximos anos. No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda existem poucas evidências de que a tecnologia seja a principal responsável pelas dificuldades enfrentadas atualmente pelos recém-formados.
Outras análises recentes também apontam que a desaceleração das contratações, a menor rotatividade no mercado e a crescente competição por vagas contribuem para o cenário desafiador enfrentado pelos jovens profissionais.
Especialistas alertam que períodos prolongados de desemprego logo após a graduação podem gerar consequências duradouras, incluindo salários mais baixos, progressão mais lenta na carreira e menos oportunidades de crescimento profissional ao longo do tempo.
Apesar dos desafios, pesquisas indicam que o diploma universitário continua oferecendo vantagens importantes no mercado de trabalho. Graduados ainda apresentam maiores taxas de empregabilidade e rendimentos médios superiores aos de trabalhadores sem formação universitária.






