Escolas dos EUA reduzem uso de telas após reação de pais e professores

Após anos de investimentos em laptops e ensino digital, distritos escolares americanos adotam limites para o uso de tecnologia em sala de aula e retomam práticas mais tradicionais

Depois de anos acelerando a digitalização do ensino, escolas públicas dos EUA enfrentam uma crescente reação ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos em sala de aula. O que antes era tratado como um avanço inevitável na educação passou a ser questionado por pais, professores e gestores, preocupados com distrações, dependência tecnológica e possíveis impactos no aprendizado.

A presença de telas no ambiente escolar ganhou força especialmente durante a pandemia de Covid-19, período em que escolas distribuíram laptops e tablets em larga escala para manter o ensino remoto. Entre 2021 e 2022, cerca de 96% das escolas públicas americanas relataram fornecer dispositivos digitais aos estudantes, enquanto o setor de tecnologia educacional se consolidou como uma indústria bilionária.


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Agora, diversos distritos escolares começam a rever essa estratégia. O distrito escolar de Los Angeles tornou-se um dos primeiros grandes sistemas de ensino do país a adotar medidas para restringir o acesso à tecnologia entre crianças mais novas. As mudanças incluem a eliminação do uso de dispositivos até o segundo ano escolar, limites diários para o tempo de tela, bloqueio do YouTube em aparelhos fornecidos pela escola e proibição do uso durante recreios e intervalos.

Professores relatam que os dispositivos passaram a disputar diretamente a atenção dos estudantes. Uma professora do ensino fundamental em Los Angeles afirmou enfrentar diariamente desafios para manter o foco dos alunos diante de distrações digitais, como jogos e conteúdos de entretenimento online.

Pais também afirmam que as escolas acabaram enfraquecendo regras estabelecidas em casa para limitar o tempo de exposição às telas. Muitos relatam que, apesar dos esforços para reduzir o uso de dispositivos fora do ambiente escolar, os estudantes continuam passando grande parte do dia diante de atividades digitais obrigatórias.

O movimento vem ganhando força em todo o país. Pelo menos 14 estados americanos já discutem projetos de lei relacionados à limitação do uso de telas nas escolas. Paralelamente, o governo federal emitiu recentemente um alerta classificando o excesso de exposição digital entre jovens como uma preocupação crescente de saúde pública.

Outros distritos escolares também passaram a revisar suas políticas. Em algumas regiões, os alunos deixaram de levar computadores para casa, tanto por questões pedagógicas quanto pelos altos custos de manutenção e substituição dos equipamentos. Em Fresno, na Califórnia, o sistema escolar gasta milhões de dólares anualmente com reparos de laptops.

Especialistas e educadores afirmam que o desafio atual não é eliminar a tecnologia da educação, mas encontrar um equilíbrio. A discussão deixou de ser se os dispositivos devem fazer parte do ensino e passou a se concentrar em como utilizá-los sem comprometer a concentração, a aprendizagem e o desenvolvimento social dos estudantes.

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