Xerife brasileiro dá dicas e orienta turistas em Orlando

Xerife brasileiro dá dicas e orienta turistas em Orlando

O Xerife Marcos Cigagna esclarece dúvidas e alerta o visitante sobre procedimentos de locomoção em Orlando, a cidade que recebe 75 milhões de turistas ao ano. Os cuidados após as compras e dicas imprescindíveis. E mais: o que os pais residentes devem saber, para orientar os filhos adolescentes

Edição de novembro/2019 – p. 17 e 18

Xerife brasileiro dá dicas e orienta turistas em Orlando

Carismático e sempre atento à movimentação de turistas brasileiros durante o patrulhamento no Setor 5 da Orange County em Orlando – área que inclui o quadrilátero da International Drive com hotéis, inúmeras atrações e intenso fluxo de visitantes –, o Xerife Marcos Cigagna esclarece dúvidas e alerta os transeuntes sobre procedimentos de locomoção. Idêntico aos filmes americanos, lá está ele com seu uniforme e distintivo da corporação, às vezes a bordo de veículo – ou seguindo a pé – em tarefa incansável pela cidade que recebe em média 75 milhões de turistas ao ano. “O nosso papel é atender a necessidade do turista em trânsito, acompanhar o que acontece em meio ao fluxo de visitantes que têm dúvidas e que precisa de orientação adequada para se sentir seguro durante a sua estada em Orlando. O turista se sente seguro com a nossa presença”, informa Cigagna.

“Presto assistência a todos, indistintamente, ouvindo queixas e reivindicações. Procuro auxiliar o visitante da melhor forma possível, seja para atender alguma ocorrência de trânsito, encontrar um determinado endereço, auxilio com problemas nos carros, informações sobre restaurantes ou locais de compras. Trabalho fardado, mas não sou autorizado a atuar em operações de crimes, por exemplo. E se eu visualizar alguma ameaça ou algo suspeito imediatamente peço reforços. Como entrei para o patrulhamento? Fui convidado pelo xerife da cidade para ser xerife voluntário, tenho experiência oficial. Atuei como engenheiro alfandegário na Receita Federal do Brasil, trabalhei como perito judicial ao lado de importantes juízes”, ressalta Marcos.

Lembra o brasileiro que antes de iniciar trabalho voluntário como xerife ele passou por um período de treinamento durante um ano, posteriormente recebendo autorização para dirigir carro oficial durante patrulhamento em Orange County. E quanto às perguntas mais frequentes do turista quando abordado, relata Marcos que as indagações mais comuns são: “Onde Estou?”, “Para onde eu vou?”, “Como posso fazer isso?”, entre outras dúvidas.

Xerife brasileiro dá dicas e orienta turistas em OrlandoDominando cinco idiomas – português, inglês, espanhol, italiano e francês –, não tem dificuldades para se comunicar com o turista europeu ou hispânico, alertando-os sobre possíveis desatenções que podem comprometer a respectiva viagem. E nesse contexto de cautela, evidente, se encontram os brasileiros. “É comum para o turista que vem a Orlando alugar um carro ou van e encher o veículo de compras e, depois, deixar os pacotes, celulares e óculos à mostra no carro e sair para comer lanche ou almoçar com a família. É necessário estacionar em locais seguros para evitar o roubo de seus pertences. Infelizmente o furto ocorre, dependendo de onde o carro fica estacionado, então oriento o turista, principalmente os brasileiros que fazem grandes compras para levar para o Brasil”, alerta o xerife.

Indagado sobre o esquema de segurança do turista em uma das cidades mais visitadas dos EUA, com parques temáticos, inúmeras atrações, além de gastronomia e compras em alta, afirma Marcos Cigagna que “o nível de criminalidade na Flórida é muito baixo. Agora, quanto a Orlando, o fluxo transitório de turistas é muito visado porque são pessoas que compram o tempo todo, atraídas por bons preços e pela qualidade dos produtos. Isso, em contrapartida, desperta os cidadãos desonestos que se aproveitam da situação de vulnerabilidade do turista, por falta de atenção, para praticar roubos. Mas se o turista é bem orientado de como se proceder, tomando os devidos cuidados, nada vai lhe acontecer”, garante o xerife.

“O turista pode caminhar pelas ruas com um relógio de marca, por exemplo, com sua filmadora ou outro objeto de valor que ele não será roubado. O furto acontece para quem se descuida, compreende? A nossa função é orientar para que ninguém fique desatento, alvo de ladrões”, complementa.

Turista de primeira viagem

O chamado turista de primeira viagem, aquele que chega a Orlando deslumbrado, sem conhecer leis e regras do país, pode ter algumas surpresas, evidente. Questionado sobre o assunto, o xerife foi enfático: “aquele que chega ao país pela primeira vez tem que tomar muito cuidado de como se comportar aqui. Precisa estar ciente de que não deve avançar o sinal vermelho quando está ao volante, deve evitar o excesso de velocidade. Outro fator preponderante é não usar drogas, não dirigir embriagado, é necessária atenção absoluta. As agências de viagem com certeza realizam este trabalho de orientação ao turista. Os hotéis também informam a esse respeito”, diz.

Perguntado sobre os turistas de outros países, de como se comportam, Marcos Cigagna disse o seguinte: “Os hispânicos são tranquilos, mas quando resolvem sair do eixo, não é fácil. O americano se comporta bem. Já os europeus se comportam melhor, entretanto, são mais exigentes aos seus direitos. Qualquer ato que invada o seu direito como cidadão ele reage, chama a polícia, questiona. Não perde o controle da situação. O turista europeu é assim em qualquer lugar do mundo. Ele tem mais ciência do seu direito e o faz valer. Mas, a grande maioria dos turistas, incluindo os brasileiros, se comporta muito bem, isso é um fato”, pondera.

“O policial nos Estados Unidos é muito respeitado e também respeita o turista. E quando ele pede para alguém parar numa rodovia ou estrada, o motorista deve encostar o carro e aguardar. A pior situação é tentar fugir o que poderá incorrer em muitas complicações. Agindo com serenidade, respeitando as leis, com certeza o turista jamais terá algum tipo de problema de ordem judicial”, complementa.

Ajuda às famílias residentes

Outro fator preponderante, alerta Marcos, é em relação à família brasileira e os respectivos filhos quando vêm a Orlando para residir. “O problema da família que chega do Brasil, que compra casa e decide viver no país, são os filhos, em idade entre onze a dezessete anos, que agem com indisciplina. Acontece que essas crianças trazem costumes do Brasil que não se encaixam no esquema autoritário das escolas americanas. Muitos destes garotos são imprudentes, não se comportam conforme as leis americanas e isso traz sérios problemas para eles próprios e para os pais. O adolescente precisa ser muito bem orientado pelos pais”, avisa.

“O comportamento indevido desses jovens pode incomodar o vizinho, o que acaba envolvendo a polícia e a situação fica desgastante para os pais, que precisam estar atentos. É um problema muito sério que vem ocorrendo. E para ajudar essas famílias, temos feito palestras em condomínios, igrejas e Rotary, alertando-as sobre os cuidados que os jovens precisam ter. São palestras que instruem, por exemplo, o jovem a não usar as redes sociais para fazer ameaças, que podem ter consequências. É preciso ter cuidado com bulling, entende? Uma simples brincadeira pode gerar resultados desastrosos. Este tipo de comportamento pode levar o jovem para a Corte e aí as coisas se complicam”, comenta.

“Nos Estados Unidos a legislação é rigorosa com posse e uso de drogas. Eu tive de livrar três adolescentes brasileiros, que foram presos com maconha no carro. Não foi considerado tráfico por ser um pequeno porte, mas fui chamado para traduzir a ocorrência. Os adolescentes que não fumavam, estavam no lugar errado e na hora errada. São episódios lamentáveis, e o jovem chega aqui e desconhece as leis americanas, não tem consciência do que isso pode resultar. Parte dos rapazes, no caso, foram liberados, mas houve desgaste”, enfoca Marcos.

“É triste prender um garoto de quatorze anos. Ele é algemado e terá de responder pelo que fez perante o juiz. Vai algemado para a cadeia, e tem que falar com o juiz. Uma ocorrência que pode ser evitada. As palestras têm sido essenciais para esclarecer pontos obscuros entre pais e filhos”, alerta.

Prêmio e carreira

Recentemente, o Xerife Marcos Cigagna foi premiado pela “Associação Brasileira de Imprensa dos EUA” – ABI –, com o Prêmio “Comunicação e Serviço Junto a Comunidade”, em reconhecimento ao seu trabalho junto aos brasileiros. A outorga, concedida a profissionais que se destacaram em suas áreas de atuação, consolida a carreira vitoriosa do xerife, natural de São Paulo, Capital, há doze anos residindo em Orlando com a família. Consultado sobre o privilégio de falar cinco idiomas, Marcos relata que o inglês, “vem desde os tempos que minha mãe era professora de inglês, aprendi o idioma. O italiano vem dos meus avós, e o espanhol aprendi com uma pessoa com quem trabalhei e que era de origem hispânica. O francês aprendi na escola”, finaliza o xerife.