Voracidade no tatame

Voracidade no tatame

Na categoria até 52 kg, a judoca Érika Miranda equilibra treinos puxados e dieta controlada

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Érika Miranda com sua medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Toronto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube
Érika Miranda com sua medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Toronto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube

Aos 28 anos, a brasiliense Érika de Souza Miranda é a judoca mais consistente do país – a única que obteve medalhas nos três últimos mundiais. Começou com uma prata no Mundial do Rio de Janeiro, em 2013, seguido de dois bronzes nos mundiais de Chelyabinsk (Rússia) e Astana (Cazaquistão). Nos Jogos Pan-Americanos, conquistou a medalha de prata em 2007 e 2011, seguida do ouro na edição de 2015, em Toronto. Nas Olimpíadas, ainda deve a si mesma uma performance mais convincente. Classificada para os Jogos de Pequim, em 2008, contundiu-se às vésperas do embarque e foi substituída. Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, foi derrotada na primeira luta. “Olimpíada é uma competição onde todos os atletas são de alta performance e a parte psicológica é o grande diferencial”, pondera a judoca.

Para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, as últimas vagas no judô serão definidas pela posição no ranking da Federação Internacional de Judô no dia 30 de maio. “O Brasil tem ótimas chances, a equipe como um todo está bem preparada e tenho certeza que virão muitas medalhas”, acredita Érika que, três semanas antes da data marcada, aparece em terceiro lugar no ranking mundial na categoria meio-leve – até 52 kg. O peso, aliás, é uma preocupação constante para a judoca de 1,62 m. “Essa é a parte que eu não gosto no meu esporte – preciso sempre estar controlando a balança. Ter que perder peso me deixa bem triste”, conforma-se a atleta do Minas Tênis Clube, que integra o Programa Olímpico da Marinha e recebe a Bolsa Pódio do Ministério dos Esportes.

Jogos Cariocas – Como o judô surgiu na sua vida?

Erika Miranda – Foi por acaso. Quando eu tinha 11 anos, minha mãe queria muito que eu e meus irmãos praticássemos algum esporte num clube perto da minha casa, em Ceilândia. Queria fazer natação ou ginástica rítmica, mas as vagas tinham acabado. Fui para o judô, muito a contragosto. Nunca imaginei que poderia chegar onde estou hoje, até por que eu apanhava demais nas competições. Tudo foi acontecendo de forma natural e, quando percebi, já estava no alto rendimento!

Jogos Cariocas – Quais são seus pontos fortes no esporte? E quais fundamentos precisa aprimorar?

Erika Miranda – Meu ponto forte é a minha vontade inabalável de treinar e de sempre aprender coisas novas. Sou muito forte fisicamente, mas tenho algumas limitações técnicas e tento evoluir cada dia um pouco mais nesse aspecto. Outro ponto que estou sempre trabalhando é a parte psicológica. Sou ansiosa demais e, se não isso for controlado, pode atrapalhar.

Jogos Cariocas – Como o judô influiu na sua personalidade?

Erika Miranda – O judô tem uma filosofia muito bonita e isso teve uma influência muito forte na minha vida! Sempre fui uma pessoa muito ansiosa, gostava de resolver tudo no meu tempo. Hoje sou mais calma, mais disciplinada e segura, tanto no tatame quanto na minha vida pessoal. O judô ensina coisas maravilhosas que você leva para toda vida: respeito, humildade e gratidão!

Jogos Cariocas – Qual foi seu momento mais emocionante, dentro do esporte?

Erika Miranda – Foi o bronze que conquistei no Mundial de Chelyabinsk, em 2014. Saí de uma derrota na semifinal e em menos de 10 minutos já estava disputando o bronze, tendo de segurar todas as emoções da derrota anterior. Quando ganhei, foi uma felicidade muito grande!

Jogos Cariocas – Atualmente, como é sua rotina de treinos?

Erika Miranda – Todos dias, faço de manhã o treino físico e à noite tenho o treinamento de judô – exceto na quarta à noite, quando eu tenho folga! Geralmente sábado eu treino no tatame ou faço algum treinamento alternativo, como correr na praia, fazer trilha ou algo do tipo.

Jogos Cariocas – Atletas das lutas muitas vezes sofrem para manter o peso. Como é a sua relação com a balança?

Erika Miranda – Tenho uma rotina muito restrita e desgastante e, quando penso em comer tudo que quero, eu também não posso. Tenho certeza que esse sofrimento vai valer a pena e aí vou querer comer o mundo depois dos Jogos Olímpicos.

Jogos Cariocas – Já sonhou com os Jogos Rio 2016?

Erika Miranda – Moro no Rio e todos dias vejo a cidade se transformando para receber a maior festa do esporte olímpico mundial. Vivo diariamente o sonho das Olimpíadas brasileiras e estarei preparada no momento certo. Poder disputar os Jogos Olímpicos em casa, com seus amigos e familiares por perto, será ótimo!

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