Violência de ‘Round 6’ deixa em alerta pais e educadores; pedem retirada da série

Cenas perturbadoras de “Round 6” alertam pais e educadores que pedem retirada da série

 

A princípio parece simples brincadeira de crianças, mas o resultado é sagaz e perturbador. A série sul-coreana que se tornou a mais vista da história da Netflix, “Round 6”, mobiliza pais e educadores em vários países – inclusive no Brasil –, para que seja retirada do streaming

 

Da Redação

A série sul-coreana que se tornou a mais vista da história da Netflix, “Round 6” – rendeu à empresa cerca de cinco bilhões de dólares até o momento –,  vem sendo contestada por pais, educadores e autoridades de alguns países – inclusive no Brasil. Com problemas financeiros, os personagens da série arriscam a própria vida para concluir desafios em busca de um prêmio em dinheiro. Apesar de indicar uma classificação mínima de 16 anos, o sucesso da produção, que conta com grande número de cenas de violência, também atraiu a atração do público mais jovem que acessa a plataforma de streaming.

 

Mortes violentas e perturbadoras – “Round 6” mostra cenas de suicídio, tráfico de órgãos, tortura psicológica, violência explícita e palavrões. As mortes violentas da série, que se utiliza de brincadeiras de crianças para matar pessoas de forma sumária e cruel, vem provocando resultados surpreendentes em adolescentes e crianças em algum países.

Na França, por exemplo, um grupo de cinco crianças foi levado a um hospital após serem esmagados por alunos mais velhos que tentavam reproduzir um dos jogos exibidos na série, informou o jornal “Le Parisien”, na edição do dia 21 de outubro.

No Brasil, pais contestam a violência de “Round 6”, que deixa o espectador atônito em algumas cenas, onde matar de forma cruel é algo banal – entre as personagens. Inclusive, na cidade de Içara, em Santa Catarina, a Câmara de Vereadores, atendendo ao pedido de pais e educadores, aprovaram o envio de uma solicitação para a Netflix pedindo a retirada da série sul-coreana “Round 6” do catálogo disponível para clientes no Município.

A proposta do vereador Edson Freitas (MDB) foi aprovada em votação na Câmara e enviada para a empresa responsável pela plataforma de streaming no dia 20 de outubro. Há, inclusive, preocupação em outras cidades do Brasil, e a campanha para a retirada de “Round 6” da plataforma de streaming vem se intensificando.

“As crianças e adolescentes estão tendo acesso a um dos produtos mais sombrios e prejudiciais, que pode desencadear consequências perigosas dentro da própria casa. O conteúdo da série é violento e sagaz, matando pessoas de forma brutal e, isso, mexe com o psicológico”, alegou Mario Santos, da cidade de Jundiaí (SP) – ele tem três filhos adolescentes.

 

“Tortura psicológica”

O psicólogo Rodrigo Nery alertou sobre o perigo de a série ser assistida por crianças. “Depois que ‘Round 6’ viralizou, no catálogo da Netflix, muitas crianças acabaram tendo acesso ao conteúdo da produção coreana, que mostra várias brincadeiras infantis. Isso pode acabar atraindo as crianças e causar danos psicológicos. A série mostra cenas de suicídio, tráfico de órgãos, tortura psicológica, violência explícita e palavrões. É completamente inapropriada para as crianças”, alerta o psicólogo.

Algumas brincadeiras infantis em escolas estão assumindo tons mais sombrios. Uma escola na Bélgica supostamente alertou crianças que estavam imitando a série da Netflix, batendo nos jogadores “eliminados”.

Outras escolas enviaram avisos aos pais, como foi revelado por um pai morador de Londres. Ele tuitou: “Não acredito que a escola dos meus filhos precisou enviar uma carta aos pais dizendo que as crianças estão jogando a própria versão de ‘Round 6’ e que os pais sofrerão sanções caso imitem a série. A popularidade desse programa é de outro nível”.