“Velejando com Deus” leva amor e ajuda à família carente

“Velejando com Deus” leva amor e ajuda à família carente

A ONG “Velejando com Deus”, comandada pelo casal Márcio Fabrício Nunciaroni e Daniela Nunciaroni, percorre vários países com missão de levar amor e ajuda ao próximo. A bordo de um barco visitou famílias carentes no Nordeste, passou pela África e realiza palestras na Europa. Nos EUA realiza a missão “Velejando nas Estradas”

Edição de fevereiro/2020 – p. 12

“Velejando com Deus” leva amor e ajuda à família carente

“Sinto-me mais próximo de Deus quando ajudo pessoas. É um trabalho de dez anos, velejando em alto-mar, levando às famílias carentes o amor e a virtude de que tanto carecem. A nossa missão é no mar, nos hospitais, onde quer que Deus nos leve. Somos o sal da terra, a luz do mundo”, relata Márcio Fabrício Nunciaroni, da ONG “Velejando com Deus”, que, ao lado da esposa, Daniela Nunciaroni, desenvolve trabalho missionário a bordo de um veleiro, resgatando a autoestima de cidadãos sem visibilidade no contexto social. “Temos ajudado o próximo, sem levantar bandeira religiosa, exercendo o verdadeiro amor em Cristo que é fazer o bem, e não olhar a quem”.

Você trocaria sua casa própria por um barco? E mesmo sob o olhar incrédulo da família decidiria velejar pela costa brasileira visitando comunidades carentes, levando doações, amor e esperança? E não se trata aqui de roteiro de filme, pelo contrário, essa a história real do jovem casal Nunciaroni, que abriu mão do conforto do lar para embrenhar-se numa missão árdua, sem horizonte seguro, mas vislumbrando o chamado de Deus. O fato ocorreu durante viagem de lua de mel, a bordo de um barco: “olhamos um para o outro e decidimos fazer algo pelo próximo. Foi um insight divino, e começou ali a nossa missão”, lembra Márcio.

Foi o passo inicial para a fundação da ONG “Velejando com Deus”, que galga feitos importantes de ajuda humanitária, há 10 anos, em vários países, viajando por toda costa brasileira a bordo de um barco, suprindo a necessidade de pessoas vivendo em condições de extrema carência. Um trabalho de empenho e dedicação – também ministrando palestras em igrejas e empresas –, o que despertou a atenção da mídia no Brasil e internacional. Foram produzidos documentários com o casal, filmes e a publicação de livros abordando a trajetória incansável e exemplar. “Temos um trabalho importante na África, ajudando a manter quinhentas crianças e três lares. Também damos treinamentos para duzentos pastores na África. Periodicamente, tenho ido à África para acompanhar de perto dos trabalhos de lá”, conta Márcio.

O missionário também ressaltou o empenho da ONG no Reino Unido, onde realiza atividades em parceria com missionários daquele país. “Nas Olimpíadas de Londres – em 2012 –, realizamos um trabalho paralelo de ajuda as pessoas carentes, com o apoio de missionários de Londres. Também fizemos várias palestras pela Europa, conscientizando pessoas da importância da ajuda ao próximo. Precisamos transpor a barreira do individualismo e do egocentrismo, auxiliando a quem precisa de amor e esperança. E se cada um fizer a sua parte, vamos ter um mundo melhor, evidente”, orienta Márcio.

Indagado sobre a necessidade primordial das pessoas em plena era da mecanização, Márcio foi enfático: “Amor! As pessoas vivem em depressão por carência financeira, carência de alegria, carência de amor e de compreensão. Pessoas invisíveis que carecem de palavras de incentivo. A ONG tem como lema, amor a Deus, amor ao próximo. Falta compaixão! E a nossa equipe visita os hospitais, lares e lugares distantes onde a população vive no mais absoluto abandono pela falta de amor”.

“A nossa primeira viajem a bordo de um barco durou quarenta dias. Saímos do Guarujá (SP) – em 2008 –, rumo ao Nordeste brasileiro, parando em vilarejos, locais ermos, levando comida e elementos essenciais como creme dental e escova de dente. Crianças naquelas localidades nunca tinham visto uma escova de dente, imagine. E optamos em levar pasta de dente e escova de dente porque são mais leves para transportar. O nosso barco ficou pequeno demais para atender a tantas necessidades”, relata o missionário.

Troca da casa própria por barco

E voltando ao início desta fantástica jornada missionária, aponta Márcio que o casal, quando voltou da viagem ao Nordeste, optou em trocar a casa própria na cidade de Jundiaí – interior de São Paulo – por um barco maior. “A família achou que tínhamos enlouquecido, mas a decisão já tinha sido tomada e fizemos o que foi melhor. O barco a vela que eu tinha construído em Jundiaí, no início na missão, ficara pequeno demais para atender a tantas necessidades das famílias carentes. Não tínhamos espaço o suficiente para acomodar as doações, a nossa equipe, então trocamos a nossa casa por um barco bem grande. E foi a partir daí que surgiram os convites para entrevistas na televisão, para palestras em empresas, treinamentos em igrejas, e o nosso projeto ganhou visibilidade”.

“Jornalistas, pessoas formadoras de opinião e mesmo voluntários de diversos segmentos, pediam para nos acompanhar em nossas missões. Todos que visitavam os vilarejos com a nossa equipe mostravam-se impressionados com o que viam. A dura realidade de um povo relegado ao esquecimento. A nossa família, que a princípio achou loucura a troca da nossa casa pelo barco, entendeu o trabalho e passou a nos apoiar na causa”, informa Márcio. “Contamos com uma equipe de voluntários que nos auxilia, sem remuneração, desenvolvendo importante trabalho”.

Velejando nas estradas

O casal Márcio e Daniela, atualmente residindo em Orlando com os três filhos – Gabriel, Júlia e Rafaela –, realiza palestra em escolas públicas americanas, levando às crianças a realidade de meninos e meninas que vivem na mais absoluta pobreza. “É uma situação que algumas crianças desconhecem então mostramos a elas o quanto têm meninos e meninas que sofrem, principalmente na África onde o índice de pobreza e carência é muito grande”, diz Márcio.

Explica o missionário, que frequenta a “First Batista – Horizon West Church”, em Orlando, que a ONG “Velejando com Deus” adquiriu nos EUA um trailer que tem se deslocado para várias localidades onde famílias necessitam de uma palavra de apoio e que vivem em depressão – com carência de alegria. O projeto “Velejando nas Estradas”, a bordo de um trailer já percorreu cinco estados americanos e tem feito um trabalho de extrema valia. “O nosso trabalho é no mar, em terra, com o propósito de ajudar pessoas, sempre”, determina.

Quando se pergunta sobre gratidão, discriminação social e futuro, Márcio Fabrício Nunciaroni responde sem hesitar: “Gratidão é você ser grato, independente da situação ao seu redor. Quanto à discriminação social, tenho muito claro que somos iguais diante de Deus. Eu estava na África quando resolvi pegar a enxada e trabalhar na terra, ajudando os moradores locais, mostrando às crianças e aos pais que somos iguais. Eles, a princípio, viram o meu gesto com estranheza, dizendo que aquele serviço não era para branco. Fiz uma palestra sobre igualdade, orientando-os de que não há desigualdade e, no final da palestra, nós lavamos os pés deles. Eles ficaram assustados no início, mas depois choravam”.

“Para definir o futuro, uso como exemplo o para-brisa de um carro que é maior do que o retrovisor. O que vem, o que está para acontecer é muito mais importante do que o que já passou. Temos de focar no que virá e ficarmos atentos a isso. A prática é a minha fé em Jesus. Viajo com Deus no mar, na tempestade”, comenta. “Um novo ano se aproxima, então é o momento de reflexão para o futuro, de prestar solidariedade a quem precisa. O nosso papel é ser luz, portanto, tenho falado às pessoas o seguinte: use aquilo que Deus te deu, exercite o amor!”

Informações úteis

Site: www.velejando.org