Transfusões de sangue

Transfusões de sangue

As transfusões de sangue representam bem social essencial, de valor inestimável e que só são possíveis devido à consciência social de doadores altruístas como você

Edição de dezembro/2019 – p. 10 e 12

Transfusões de sangue

A doação de sangue é um gesto solidário de doar uma pequena quantidade do próprio sangue para salvar a vida de pessoas que se submetem a tratamentos e intervenções médicas de grande porte e complexidade, como transfusões, transplantes, procedimentos oncológicos e cirurgias.

O que é a doação de sangue?

A doação é a retirada de aproximadamente 450 mL de sangue, através de inserção de uma agulha em um dos braços. A coleta é feita por pessoal capacitado e sob supervisão de um médico ou enfermeiro, garantindo o bem estar do doador.

Por que doar sangue?

A doação de sangue e seu processamento são fundamentais para garantir a disponibilização de componentes sanguíneos para os pacientes que necessitam de transfusão, como vítimas de acidentes, que necessitam de cirurgias ou outras situações clínicas. Se cada cidadão saudável doasse sangue pelo menos duas vezes por ano, não seriam necessárias campanhas emergenciais para coletas de reposição de estoques. O sangue não tem substituto e, por isso, a doação voluntária é fundamental. Uma simples doação pode salvar muitas vidas.

Toda pessoa em boas condições de saúde pode doar sangue sem qualquer risco ou prejuízo à sua saúde.

Doação de sangue por aférese – doação em máquinas

O que é?

Trata-se da doação de um componente do sangue utilizando uma máquina coletora, que separa os componentes do sangue por centrifugação, permitindo a coleta seletiva de um ou mais de seus componentes.

Quais são os componentes do sangue coletados por máquinas?

Submetido à centrifugação, o sangue é separado em seus componentes primários: plasma, plasma rico em plaquetas, glóbulos brancos e glóbulos vermelhos.

1.Plasma

De cor amarela e transparente, é composto principalmente por água, sais e proteínas. Pode ser útil para pacientes que necessitam reposição de proteínas da coagulação.

2.Glóbulos sanguíneos

Temos três grupos principais de glóbulos, os brancos, os vermelhos e as plaquetas que desempenham funções muito importantes para manutenção da saúde.

Os glóbulos vermelhos transportam o oxigênio dos pulmões para os tecidos, permitindo a respiração de nossas células.

Os glóbulos brancos são importantes para a defesa de nosso organismo, em especial, no combate a micro-organismos invasores.

As plaquetas são pequenos glóbulos incolores, muito importantes no estancamento de hemorragias. Pacientes com poucas plaquetas têm sangramentos espontâneos.

Quem pode ser doador por aférese- doação em máquinas?

Para ser doador por aférese é preciso atingir critérios para ser doador de sangue convencional, sendo que será avaliado previamente pela equipe de aférese. Em especial, essa avaliação é útil para verificar a condição das veias e o resultado do exame hematológico, conhecendo os níveis do componente do sangue que pretendemos coletar.

Como funciona a coleta?

Para sua melhor compreensão, podemos dividir esse processo em partes.

Um kit plástico, estéril e descartável é instalado na máquina coletora. o sangue do doador vai circular por ele e, em nenhum momento, entrará em contato com a máquina. Esse circuito é composto de três partes unidas entre si. A primeira coleta o sangue, adiciona a ele um anticoagulante e o transfere a um segundo compartimento, de centrifugação, onde o sangue é separado em seus componentes principais, que ficam dispostos em camadas (plasma, plasma rico em plaquetas, glóbulos brancos e glóbulos vermelhos), permitindo a coleta seletiva do componente desejado em uma pequena bolsa coletora. Por último, a via de devolução, onde os outros componentes são remisturados e devolvidos ao doador.

Esse processo continua até que a coleta programada tenha chegado ao seu final.

O tempo de coleta varia de 30,90 e 130 dependendo do produto a ser coletado e do calibre das veias do doador.

As células-tronco do sangue, utilizadas para transplante de medula óssea, podem ser coletadas por esse método, no qual o tempo é muito variável, de 2-6h, dependendo da quantidade de células-tronco circulantes do doador e da dose desejada de células para o receptor.

Qual a vantagem da doação por aférese – em máquinas?

Para os pacientes, porque esse método permite coletar maior quantidade do componente desejado do sangue em pequeno volume. Assim, o paciente que recebe esse produto tem sua necessidade atendida sendo exposto a menor número de transfusões.

Para o Serviço de Transfusão, manter seus estoques quando pode contar com pequeno número de doadores de aférese. Um doador de plaquetas por aférese doa quantidade de plaquetas suficientes para atender até dois pacientes, o que seriam necessários até 20 doadores de sangue. Isto é, com 120 doadores de plaquetas por aférese em um mês, produzimos o equivalente à coleta convencional de 2.000 doadores. Portanto, a coleta automática permite atender uma demanda muito maior de transfusões de plaquetas com um número relativamente pequeno de doadores.

Para os doadores a primeira vantagem é de natureza espiritual, ao ver o bem que fez aos pacientes necessitados. A outra vantagem para o doador é de natureza técnica. Nas doações de plaquetas, a perda de hemácias do doador é muito reduzida, correspondendo a 15-30 mL apenas.

Também devemos lembrar que devido a excelente tolerância do doador, é possível doar plaquetas em intervalos de 3 dias, enquanto uma doação de sangue convencional deve respeitar intervalos de 2 ou 3 meses.

Se o paciente for seu amigo ou parente e você se dispuser a ser doador de plaquetas, significa que sua disposição de doar em intervalos pequenos, uma vez por semana, por exemplo, poderá suprir toda ou quase toda a necessidade dessa pessoa que é tão preciosa para você.

A doação por aférese é segura para o doador?

Essas doações são muito seguras. Embora qualquer procedimento médico implique algum risco, ocorrem sob uma disciplina muito rigorosa onde o maior valor é a segurança.

Doação de Medula Óssea

1. O que é medula óssea?

É um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por ‘‘tutano’’. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

2. O que é transplante de medula óssea? 

É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças malignas que afetam as células do sangue. O objetivo é reconstituir as funções da medula óssea de uma pessoa doente por células normais de medula óssea retiradas de um doador saudável.

3. Como as células-tronco são coletadas do doador?

Podem ser obtidas de três fontes:

  • Medula óssea: por meio de um procedimento cirúrgico sob anestesia, com múltiplas punções aspirativas no osso da bacia. O volume coletado depende do tamanho do doador e do receptor, mas para indivíduos adultos, costuma ser de pouco mais de 01 litro.
  • Sangue periférico: administra-se ao doador, por injeções diárias por via subcutânea, um medicamento que aumenta o número das células-tronco e faz com que parte delas migre da medula óssea para o sangue, de onde podem ser coletadas da veia, com facilidade e segurança, com o emprego de uma máquina apropriada. Este tipo de procedimento tem duração de cerca de duas a três horas e não requer anestesia.
  • Cordão umbilical: o sangue é coletado logo após o parto.

4. Quais os riscos da doação?

O procedimento de coleta das células-tronco da medula óssea é seguro, contudo, podem ocorrer complicações relacionadas à anestesia e à coleta propriamente dita, como dor local, que é facilmente controlada com analgésicos comuns, e anemia, relacionada ao volume retirado, mas que em geral é leve e de fácil controle.

5. Como é o procedimento da doação? 

Antes da doação, o doador faz um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita por meio de uma pequena cirurgia, de aproximadamente 90 minutos, em que são realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 10%. Esta retirada não causa nenhum comprometimento à saúde.

6. Quem necessita de um transplante?

Pacientes que têm câncer que pode comprometer a função da medula óssea (ex. leucemias), pacientes com medula óssea incapaz de produzir células do sangue e pacientes com doença genética, como anemia falciforme e talassemia.

7. Como é feito o transplante?

O transplante de células-tronco requer que o paciente seja preparado para receber a medula óssea do doador. Esta preparação é iniciada cerca de 10 dias antes do transplante propriamente dito, e consiste na administração ao receptor de altas doses de drogas denominadas de quimioterápicos. A função destas drogas é eliminar a medula óssea e o sistema imune do receptor. Completada esta fase, é então infundida na veia do receptor a medula óssea coletada do doador. As células-tronco infundidas na veia se dirigem à medula óssea do receptor, onde se estabelecem e proliferam, dando origem às células maduras do sangue. Neste momento, que ocorre em geral duas a quatro semanas depois da infusão, dizemos que a medula “pegou”, ou seja, a medula começou a funcionar.

8. Posso desistir da doação?

Sim, você pode desistir da doação a qualquer momento depois de se ter cadastrado. Contudo, depois que o paciente passou a ser preparado para receber a sua medula, ou seja, está recebendo altas doses de quimioterápicos, a sua recusa em doar provavelmente acarretará a morte dele, uma vez que não haveria tempo hábil para localizar um outro doador compatível. Portanto, a decisão de doar tem de ser bem pensada. É recomendável que os candidatos à doação de medula óssea, antes se tornem doadores de sangue, que, além de ser muito útil à sociedade, é uma maneira de torná-los mais familiarizados com os procedimentos de doação de material biológico (o sangue) e contribuir para que se perca o medo de doar a medula óssea.

9. Posso doar mais de uma vez?

Sim. Você pode ser convidado a uma nova doação para o mesmo paciente ou para algum outro que seja compatível com você. A quantidade de medula óssea doada é rapidamente resposta pelo organismo de modo que não ocorre esgotamento de sua reserva de células-tronco.

10. Posso saber para quem doarei as células?

Não. É obrigatório resguardar a identidade tanto do doador quanto do receptor, entretanto, você poderá receber notícias do andamento do transplante e das condições clínicas do receptor, preservado o anonimato de ambos.

O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura de muitas doenças do sangue.

Serviços

Para mais informações sobre doação de Medula Óssea:

Rooselvelt@icla.org

(407) 276-4860

Toll free: 718-391-0990

www.icla.org