Se Brasil abaixar a cabeça, EUA ‘passam por cima’, diz Carvalho

Se Brasil abaixar a cabeça, EUA ‘passam por cima’, diz Carvalho

Jornal revelou que EUA captavam informação por meio de comunicações.
Segundo ministro, países do Mercosul devem tomar decisão sobre o caso.

bandeiraO ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta terça-feira (9) que se o Brasil “abaixar a cabeça”, os Estados Unidos “passam por cima da gente total”. A declaração foi feita em referência às denúncias de atos de espionagem dos Estados Unidos no Brasil.

“Qualquer ferimento, qualquer ataque à soberania de um país tem que ser respondido com muita dureza, porque se a gente abaixar a cabeça, amanhã eles passam por cima da gente total”, disse o ministro antes de participar de um evento, no Palácio do Planalto, sobre orçamento público.

No domingo (7), reportagem do jornal “O Globo” revelou que, na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no país, se tornaram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency – NSA, na sigla em inglês).

Nesta segunda, em nova reportagem, o jornal revelou que a NSA e a Agência Central de Inteligência (CIA) mantinham em Brasília, pelo menos até 2002, uma estação de espionagem para coleta de dados enviados via satélite.

O ministro afirmou que, durante cúpula do Mercosul, marcada para esta semana, os chefes de Estado dos países integrantes dos bloco – Brasil, Uruguai, Venezuela, Argentina – deverão tomar uma “decisão em conjunto” sobre o tema. A reunião, que terá presença da presidente Dilma Rousseff, ocorrerá nesta quinta-feira (11).

Os líderes do Mercosul também deverão debater sobre o recente episódio vivido pelo presidente da Bolívia, Evo Morales. “Consideramos gravíssimo [as denúncias de espionagem], da mesma forma como foi grave o evento com o presidente Evo Morales”, disse Gilberto Carvalho.

Na semana passada, Morales foi impedido de entrar no espaço aéreo de países europeus pela suspeita de que estava transportando Edward Snowden, um ex-técnico da inteligência americano foragido que denunciou as ações de espionagem do governo dos EUA.

Fonte: g1.globo.com