“Apesar da maneira divertida de abordar a criminalidade no Rio, a ênfase do filme está no jeito alegre do povo carioca, sem falar na beleza peculiar da “Galera” do Rio. Com certeza, os olhos do público estarão onde o coração mandar, como diz o tucano do filme. Os amantes do Rio verão o encantamento da Cidade Maravilhosa, que a tem tornado o centro das atenções do planeta nos últimos anos. Sugestão 3D. Será impossível não se contagiar com sua alegria e se não se emocionar com a sua beleza.”

Por Rita Pires

A animação nas telas de cinema, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, mostrou para o mundo por que o Rio é a Cidade Maravilhosa. O “Rio”, como é chamado o filme, apresentou, para mais de 150 países, as belezas naturais da cidade e um povo alegre e bonito. O filme orçado em US$ 90 milhões desenhou pontos do Rio, como: Os Arcos da Lapa, o Morro da Urca, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, o Bonde de Santa Teresa, a Praia de Ipanema, a Pedra da Gávea, a Praia do Arpoador, a Vista Chinesa, a Praia de Copacabana, a Vista Chinesa, A Favela e a Marquês de Sapucaí, berço das escolas de samba. Os encantos da cidade seduziram o público, atraindo cada vez mais pessoas a assistirem ao filme, que é uma linda homenagem ao Rio de Janeiro. Também não é para menos, a cidade tem sido o alvo dos holofotes do planeta: com a Copa em 2014, Olimpíadas em 2012, palco de shows internacionais, mercado para atores estrangeiros e, atualmente, cenário do filme.

O diretor Saldanha, que mora em Nova Iorque há quase 20 anos, é brasileiro e tem conquistado cada vez mais seu espaço em terra estrangeira. Depois de ficar famoso em Hollywood com a série “A Era do Gelo”, realiza o sonho antigo de mostrar os encantos cariocas para o resto do mundo. Nas inúmeras entrevistas concedidas para divulgar seu trabalho, Saldanha revelou que, todas as vezes que vinha ao Brasil, lia reportagens sobre pinguins que chegavam à costa brasileira ou sobre tráfico de aves exóticas. Como sempre teve interesse por temas ecológicos, começou a colecionar essas histórias. Mas, enquanto maturava a ideia, surgiram vários filmes com pinguins e ele teve de mudar o personagem principal. Daí, a opção pela ararinha-azul chamada Blu. A saga de Blu surgiu da ideia de Saldanha apresentar ao mundo as belezas do Rio de Janeiro, por sinal, muito bem apresentadas.

“Adoro o Rio. Cresci em uma vida suburbana, soltando pipas e vendo bate-bolas na rua durante o carnaval. Sempre quis fazer um filme que mostrasse os lugares lindos da cidade. Mas também escolhi locais que foram marcantes na minha vida. Por exemplo, minha mulher morava no Horto, e quando eu ia encontrá-la, ficava admirando a Vista Chinesa. Também não dava para ignorar a realidade das favelas, que fazem parte do Rio e são berço de criatividade e talento”, comenta Carlos. O cineasta de 46 anos, pai de 4 filhos, disse que, com o dinheiro que ganha, só quer pagar boas universidades para os filhos. “Não tenho maiores ambições”, comentou. “Rio” liderou as bilheterias do feriado da Páscoa na América do Norte, pelo segundo fim de semana seguido, e continuou a ser o principal filme escolhido nas bilheterias internacionais. Assim, Blu tornou-se celebridade no mundo.

Enredo do Filme

O longa “Rio” fala sobre o domesticado Blu (que teve a voz do ator Jesse Eisenberg, de “A Rede Social”, sucesso de bilheteria), uma arara muito rara que vive na pequena cidade de Moose Lake, Minnesota, depois de capturado por bandidos e vítima do tráfico de animais raros.

Blu foi muito paparicado pela menina que o achou na sua cidade e cresceu sendo criado em gaiola, por isso morre de medo de altura. Mas a história toma outros rumos quando ele descobre que há outro exemplar fêmeo, vivo no Brasil. A fêmea da espécie, Jade, recebe a voz de Anne Hathaway (a rainha da noite do Oscar).

O cientista, que recebe a voz do ator Rodrigo Santoro, leva Blu e sua dona para viver uma experiência turística inesquecível. Apesar do contrabando de animais que mostra a criminalidade vivida pelos traficantes de animais silvestres, a cidade não perde o encanto que vem com as cores, a música, a diversidade cultural e a beleza natural.

Blu totalmente americanizado, por viver todo o tempo numa cidade do interior dos Estados Unidos, de repente, vê-se em um ambiente totalmente diferente, tendo que se adaptar aos novos costumes e a nova cultura. Como todo brasileiro que vive desde criança em um país estrangeiro, ao visitar o Brasil, deslumbra-se com o lado maravilhoso do país e, ao ouvir o ritmo brasileiro, trás à memória o que já está no sangue, assim foi com Blu, que alça seus primeiros voos, finalizando o filme. Outras vozes famosas fazem parte do filme, como: Tracy Morgan, George Lopez e Jamie Foxx. A trilha ficou por conta de Sergio Mendes, outro brasileiro reconhecido internacionalmente, que convidou Carlinhos Brown e William, do Black Eyed Peas.

O filme é homenagem à Cidade Maravilhosa que já ganhou, há muitos anos, o Zé Carioca, dos estúdios Walt Disney.

Coincidência ou não, o Rio de Janeiro é sempre a cidade do Brasil escolhida para emprestar seu cartão postal. Os cariocas agradecem e retribuem, modernizando e ampliando seu mercado turístico.

O Brasileiro Carlos Saldanha (Diretor do “Rio”)

O talentoso Carlos Saldanha, diretor do filme “Rio”, aos 22 anos, decidiu que iria fazer cursos de computação gráfica nos EUA. Casou-se às pressas e pediu aos familiares e amigos, como presente, dinheiro para a viagem. Chegou até a fazer mestrado em Animação em Computação Gráfica, na New York School of Visual Arts (NYSVA).

Os bons resultados viriam em breve. Quando ainda era estudante, fez o curta-metragem “Time for Love” e acabou chamando a atenção de Chris Wedge, instrutor do mestrado na NYSVA, que o convidou para trabalhar em sua produtora independente, a Blu Sky Studios. Participou de vários projetos, como o ganhador do Oscar de melhor curta-metragem de animação, Bunny; a franquia de sucesso “A Era do Gelo”; e o divertido “Gone Nutty”, um curta-metragem sobre o desastrado e famoso esquilo Scrat, personagem que criou para interlúdios no primeiro “A Era do Gelo” e que acabou roubando a cena.

Comprada pela 20th Century Fox, a produtora passou a ser responsável pela produção e comércio de filmes de animação, tendo lançado além da série citada: os “Robôs” e “Horton e o Mundo dos Quem”.

Rodrigo Santoro – Ator Brasileiro que tem se destacado em Hollywood

Acostumado a participar de entrevistas coletivas em Hollywood graças à sua promissora carreira internacional, Rodrigo Santoro esbanjou tranquilidade no encontro com a imprensa brasileira e estrangeira para o lançamento mundial do longa-metragem de animação “Rio”, com a direção de Carlos Saldanha, pelos estúdios Fox. Santoro, nascido na região serrana do Rio, disse está super feliz em poder homenagear a cidade que escolheu para viver no filme “Rio”. Nele, o ator é o cientista excêntrico Túlio, que deixa o Rio em direção a Minnesota para avisar à americana Linda (voz de Leslie Mann), dona da domesticada Blu, que a última fêmea de sua espécie está na Cidade Maravilhosa.
O ator disse que já dublou muitos filmes, mas é a primeira vez que faz animação de verdade. Participou do processo criativo junto a outros artistas. Rio é um projeto que uniu muitas feras do meio artístico. Santoro falou que o convite para o trabalho aconteceu durante uma viagem de avião. O autor, que sempre foi fã dos trabalhos de Carlos Saldanha, disse que quando foi convidado para fazer parte do filme sobre o Rio, aceitou na hora. Marcado pelas falas acanhadas que lhe couberam em filmes estrangeiros como “Charlie’s Angels” (2003) e “300” (2006), Rodrigo Santoro, encara um novo desafio.

Apesar de ter tido a sorte de cair na simpatia dos olhos de Hollywood, Santoro disse ser apegado ao seu país. Está feliz assim, indo e vindo, e não tem planos para se mudar definitivamente para cá. O futuro pertence ao amanhã.