Regina Casé volta às novelas após 18 anos

Regina Casé volta às novelas após 18 anos

Regina Casé volta como protagonista da novela “Amor de Mãe”, da Globo – dramalhão que promete levar o telespectador às lágrimas. Após comandar o musical “Esquenta”, viverá a sofrida Lurdes. E mais: atriz revela que foi vítima de preconceito em loja nos EUA

Edição de novembro/2019 – p. 46

Regina Casé volta às novelas após 18 anos

Após 18 anos longe dos estúdios de novelas, se dedicando à função de apresentadora na Globo – comandou o musical “Esquenta” –, Regina Casé está de volta como protagonista da novela “Amor de Mãe”, um dramalhão que promete levar o telespectador às lágrimas. E se você está familiarizado com Regina falando coisas engraçadas na telinha, alegre e com total descontração, prepare-se: sua personagem, a Lurdes, vai dar o que falar. Contando com entusiasmo de seu retorno à teledramaturgia brasileira, a atriz revela que sentia falta de interpretar. “A cada vez que eu fazia um filme ou uma peça, a resposta era maravilhosa. O José Luiz Villamarim e a Manuela Dias – diretor e autora de “Amor de Mãe –, me convidaram de uma maneira tão linda que foi impossível recusar”, relata, lembrando que em 2015 teve excelente desempenho no filme, “Que Horas Ela Volta?”

E sobre a personagem Lurdes, Regina diz que se trata de uma mulher simples que nasceu em Malaquitas, cidade fictícia no Rio Grande do Norte. Batalhadora, teve quatro filhos, Magno (Juliano Cazarré), Ryan (Thiago Martins), Domênico (Eros Lazari quando criança) e Érica (Nanda Costa), e adotou Camila (Jéssica Ellen) quando ainda era bebê. E vai um alerta aos noveleiros de plantão porque a sofrida mulher, a Lurdes, enfrentará um turbilhão de problemas por culpa dos filhos.

Como disse Regina Casé, em recente entrevista, “tem muito choro, momentos de dor e aflição. São coisas da vida real, do cotidiano de pessoas simples. Não é nada fácil na vida da Lurdes, e ela, apesar de tudo, é uma mulher forte, desprovida de ressentimentos, uma verdadeira leoa em defesa dos filhos. Sem dúvida, personagem marcante e que vai impressionar o público em casa”, ressalta.

A trama da personagem se desenvolve em torno de um fato muito doloroso da sua vida, quando estava em trabalho de parto para ganhar a filha Érica. O marido Jandir (Daniel Ribeiro) vendeu o pequeno Domênico a um traficante de crianças. Imagine o que irá acontecer. “Cada problema que surge, ela não pensa um segundo. Ela cai para dentro para resolver. Quando ela descobriu que o Domênico foi vendido, ela pegou os outros filhos e foi embora para o Rio de Janeiro. E a única informação que ela sabia era que a mulher se chamava Kátia. Ela não descansa um segundo dessa busca”, adianta Regina.

Regina Casé explica a volta às novelas após 18 anos afirmando que, “a nova geração nunca tinha me visto atuar como atriz de novelas”. “Eu fiquei apaixonada pela linguagem nova da autora Manuela Dias. Alguém que está dentro da televisão e não está acomodada. Está querendo inventar. O Villamarim dirigindo, ela escrevendo, os dois me chamaram para jantar e fizeram a corte. Claro, aceitei”, fala com entusiasmo.

Mulheres no cinema

Quanto a sua personagem Val, no filme “Que Horas ela Volta?”, Regina Casé conta que usou momentos que viu e viveu para a interpretá-la. “Eu acho que eu acumulei a Val a vida toda. Me dá um pouco tristeza e angústia quando você não tem como colocar para fora. Cada coisa da Val, o jeito que ela catava piolho, eu sei que foi uma mulher de Junco-Salitre. A hora que ela dá comida para as crianças, foi de uma mulher do interior do Espírito Santo”.

Sobre o longa “Eu, Tu, Eles”, vivendo a Darlene, a atriz lembra que conviveu diretamente com cortadores de cana e citou dia em que promoveu um forró para os novos amigos. “No canavial todos eram de fato cortadores de cana, menos eu. Eu me envolvi. Sofri durante as gravações”, admite.

“Você fica indignado. Você fica apaixonado. Você sente um amor. Como um ser humano consegue trabalhar naquilo o dia inteiro e à noite consegue dançar forró comigo sorrindo?”, lembra as cenas de dança no filme.

Regina Casé fala também do seu novo filme, “Três Verões”, dirigido por Sandra Kogut, que será lançado ainda este ano, onde interpreta novamente uma empregada doméstica. A atriz diz que foi muito questionada se a personagem não seria muito semelhante à de “Que Horas Ela Volta?”. “Porque duas empregadas são a mesma coisa? As pessoas acham que empregada não tem nome. Antigamente se dizia: ‘Não interessa o nome. Eu chamo de Maria’. Então eu falei: ‘’Eu quero fazer essa empregada e completamente diferente da Val’”, alfineta.

Preconceito nos EUA

A atriz conta que foi vítima de preconceito em loja nos Estados Unidos. Ela enfatiza que ao entrar na loja – não citou o nome – viu quando o gerente pediu que o segurança ficasse de olho na apresentadora e seu marido, Estevão Ciavatta. “Milhares de pessoas, principalmente as que estão acostumadas mesmo sendo da minha cor, acreditam que são brancas. No Brasil são. A pessoa está ali, ouviu aquilo e fica ‘não é comigo’.”

“Como eu sei que isso acontece diariamente com os negros, eu presto atenção em como falam, em como o segurança está de olho em mim. Talvez eu esteja mais atenta. É como se eu tivesse uma lente de aumento.”

Regina lembra ainda das homenagens que recebeu de Caetano Veloso com as músicas “Rapte-me Camaleoa” e “Muito” e revelou que o músico foi um dos maiores apoiadores de sua carreira. “O Caetano em todos os momentos mais difíceis, em que eu dizia ‘isso é ruim’, ele falava ‘não é, vai lá’.”

“Eu nem sei como agradecer ao Caetano”, finaliza a atriz.