Reeleição do Primeiro-ministro desencadeia a fúria palestina

Reeleição do Primeiro-ministro desencadeia a fúria palestina

O retorno de Benjamin Netanyahu ao poder para um quarto mandato provavelmente significa problemas para os esforços de paz no Oriente Médio, além de mais tensões com os Estados Unidos

Benjamin Netanyahu
Benjamin Netanyahu

O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, venceu as eleições parlamentares e conquistou 30 dos 120 assentos do Parlamento, contra 24 para o principal adversário, o trabalhista União Sionista, liderado por Isaac Herzog. A decisão foi apertada, com as primeiras pesquisas de boca de urna apontando para um empate entre os dois partidos. Herzog admitiu a derrota e deu parabéns a Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, mas sinalizou que não iria juntar forças e que preferia ir para a oposição.

A reeleição de Benjamin desencadeou a fúria do povo palestino, pois em seu discurso de campanha ele declarou que não haverá um Estado palestino ao lado de Israel, e vai prosseguir incentivando assentamentos israelenses em territórios árabes ocupados. Na Faixa de Gaza o clima é tenso com promessas de retaliação a Israel. Uma vitória do opositor, Isaac Herzog, deixaria mais fácil a vida do presidente americano Barack Obama, que busca uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos. Esta era a opinião de muitos analistas políticos. As relações entre Estados Unidos e Israel não andam em uma fase muito boa, principalmente depois que Netanyahu foi a Washington a convite da oposição republicana. A Casa Branca não comentou as declarações de Netanyahu, mas o porta-voz, Josh Earnest, deixou claro que os Estados Unidos vão continuar apoiando a criação do Estado Palestino.

Estratégia de campanha

Netanyahu concentrou sua campanha principalmente em questões de segurança, enquanto os seus adversários se comprometeram a resolver o alto custo de vida do país, acusando o líder de estar fora de contato com as pessoas comuns. “Contra todas as probabilidades, conseguimos uma grande vitória para o Likud”, disse Netanyahu. “Estou orgulhoso do povo de Israel, que soube distinguir entre o que é importante e o que é periférico, e insistir no que é importante”, acrescentou.

O retorno de Netanyahu ao poder para um quarto mandato provavelmente significa problemas para os esforços de paz no Oriente Médio, além de mais tensões com os Estados Unidos. Em uma inversão radical da política, Netanyahu disse que agora se opõe à criação de um Estado palestino, um dos objetivos políticos fundamentais da Casa Branca e da comunidade internacional. O primeiro-ministro também prometeu expandir a construção em áreas judaicas de Jerusalém Oriental, parte da cidade reivindicada pelos palestinos como sua capital. A comunidade internacional esmagadoramente apoia a criação de um Estado palestino na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza, regiões capturadas por Israel em 1967.

No início deste mês, Netanyahu fez um discurso no Congresso dos Estados Unidos criticando um acordo nuclear entre os americanos e o Irã. Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que Barack Obama estava confiante de que os fortes laços entre Israel e os Estados Unidos durariam muito além da eleição, independentemente do vencedor.

Aida Touma Suleiman
Aida Touma Suleiman

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, irá se reunir com todos os dez partidos que entraram no Parlamento e ouvir recomendações de quem deverá participar do próximo governo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que planeja formar as alianças para o novo governo dentro de duas a três semanas.

O lado Palestino

Palestinos que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia não votam, mas alguns poucos moradores de Jerusalém conseguiram cidadania israelense. Além disso, a população árabe de Israel, descendente daqueles que viviam no país antes da guerra entre Israel e Palestina em 1948, votou. “Este (o processo de paz) deveria ser o centro da campanha”, disse Aida Touma Suleiman, candidata da aliança de partidos árabes. “Não há nenhuma questão que você possa discutir sem fazer uma conexão com a continuação da ocupação e da guerra política que diferentes governos mantém nos últimos anos.”