Qual é a diferença entre asma e bronquite?

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ABR/13 – pág. 55

Estabelecer a diferença entre doenças nem sempre é fácil, especialmente quando se trata de asma e bronquite. Não raramente, os dois problemas de saúde são taxados como o mesmo problema por quem não é médico. No entanto, eles são bem diferentes e necessitam de tratamentos específicos. Na maioria das vezes, o leigo chama a asma de bronquite, confundindo  as duas doenças e falando até em bronquite asmática. “Esse equívoco acontece porque os sintomas principais de ambas são semelhantes, tais como: tosse, falta de ar e, principalmente, chiado no peito”, afirma.

Para dar fim à confusão, vamos esclarecer que a bronquite está geralmente relacionada ao uso de tabaco e caracteriza-se pelo que os médicos chamam de tosse produtiva, ou seja, produção de muito catarro na maior parte do ano. Já a asma é mais frequente, dificilmente envolve produção de catarro durante as crises (às vezes, nem nessas ocasiões).

A asma está associada a fatores genéticos. “O gene está lá, mesmo que não cause asma no início da vida. A qualquer momento, ele pode ser ‘ligado’ e desencadear os sintomas da doença”. Este gene tem um comportamento peculiar: pode se “desligar” sem motivo aparente na adolescência, sem que o paciente volte a apresentar os sintomas, ou ser reativado anos depois, dando origem a novas crises. “Esta situação costuma ocorrer, por exemplo, com mulheres que tiveram a última crise quando crianças e passam a sentir novamente os sintomas quando engravidam”, diz. Há também casos em que os fatores que desencadeiam a ativação estão ligados a situações de profundo estresse. Por isso, alguns pacientes dizem ter “asma emocional”. Outros pacientes nascem sem sintomas da doença que vão manifestar-se apenas na fase adulta. “Estas características do gene da asma deram à doença uma variedade de tratamentos exóticos e esotéricos, como garrafadas e benzedeiras. Como o gene, às vezes, “desliga”, o paciente acha que se curou por métodos comprovadamente ineficazes”.

Se por um lado, asma e bronquite guardam diferenças, por outro guardam importantes semelhanças: necessitam ser acompanhadas por um pediatra, no caso das crianças; ou por um pneumologista, para adultos. “A asma mata muito mais do que as pessoas pensam. O fumo deve ser abolido, pois é praticamente uma tentativa de suicídio. A forma mais eficaz de controlar a doença é o uso inalatório de broncodilatadores de longa duração e corticosteroides. Esses são indispensáveis e não causam os efeitos colaterais comuns aos corticoides orais e/ou injetáveis, como aumento de peso, osteoporose e retenção de líquidos. Portanto, podem ser usados por períodos prolongados, às vezes por toda vida”.

Entre os outros tratamentos disponíveis, estão as xantinas (medicações antigas bem menos eficazes, mas de baixo custo), os bloqueadores de leucotrienos (mais eficazes em crianças, porém de custo elevado) e as bombinhas em spray. “Essas devem ser usadas no momento da crise, como paliativo. Na dose correta, não viciam nem fazem mal ao coração. Pacientes cardíacos devem usá-las com cuidado e sempre sob acompanhamento conjunto de um cardiologista”.

Os pneumologistas ressaltam que “vacinas não têm comprovação científica suficiente para serem indicadas como tratamento na asma e também o banho frio e natação não ajudam o asmático em nada”. Essa é uma lenda urbana. A atividade física é salutar como um todo na vida do ser humano, mas deve ser praticada sob supervisão médica, no caso de asmáticos. “Eles poderão ter crises se não tiverem a doença bem controlada”.

Para prevenir o problema, recomenda-se a retirada de qualquer objeto que seja um possível reservatório de poeira e de ácaros na casa de asmáticos, como tapetes, travesseiros de pena de ganso, brinquedos de pelúcia e animais domésticos, especialmente gatos (o problema não é o pelo, mas a saliva dele). “Também é importante ter controle rigoroso das baratas, pois as fezes são alérgenas, que podem desencadear crises”, revela.

Curiosidade: Mais de 90% dos casos de bronquite crônica estão relacionados ao tabagismo. Se você é fumante, reflita sobre isso!

Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
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