Protestos no tapete vermelho: Hollywood à beira de greve nacional de produções 

Paralisação dos profissionais cinematográficos em compasso de espera em Hollywood

 

Os membros do principal sindicato da indústria do entretenimento dos EUA aprovaram por unanimidade, nesta semana, greve que pode paralisar a maioria das produções de Hollywood. Uma paralisação nas filmagens seria extremamente prejudicial para os estúdios, que já sofreram vários atrasos devido à pandemia de Covid-19

 

Da Redação 

O clima é tenso nos meios cinematográficos dos EUA. Em breve, 60 mil trabalhadores da indústria do entretenimento podem entrar em greve pela primeira vez em 75 anos. Dependendo de quanto tempo dura, alguns das séries e programas com grande audiência podem ser afetados – essa a alternativa de trabalhadores do setor. 

Equipe de produção fala de horas exaustivas de trabalho – Com isso, na terra do cinema, o letreiro de Hollywood, em Hollywood, Califórnia, poderá perder o seu glamour se a greve nacional realmente se consolidar. A consulta teve uma aprovação de 98% e uma participação de cerca de 90% dos afiliados, segundo o sindicato de classe. 

Os membros do principal sindicato da indústria do entretenimento dos EUA aprovaram por unanimidade, nesta semana, greve que pode paralisar a maioria das produções de Hollywood. Os profissionais representados pela “Aliança Internacional de Trabalhadores de Palcos Teatrais (IATSE)” nos EUA autorizaram o sindicato a organizar uma paralisação as atividades caso não cheguem a um acordo sobre melhores remunerações com a “Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP)”, a organização que engloba estúdios de cinema e emissoras de televisão. 

Operadores de câmeras, produtores, roteiristas e até mesmo atores estão em compasso de espera, após a “Aliança Internacional de Funcionários de Palco Teatral” votar esmagadoramente para autorizar a greve.  

Segundo depoimentos de profissionais da indústria cinematográfica, fazer filmes é muito mais lento do que se possa imaginar. Na verdade, apenas dois a oito minutos de um produto final são filmados em um dia normal. É necessário filmar cada cena de vários ângulos, cada um com uma iluminação diferente. Cenas de acrobacias complicadas demoram ainda mais. Se, por exemplo a cena exige que um armário cheio de pratos seja quebrado – explicam os continuístas –, é preciso substituir esse armário – e todos os pratos –, para cada tomada.  

Outro detalhe de cena: se uma atriz pula em uma piscina, a equipe de produção tem que secar e pentear seu cabelo todas as vezes antes para voltar a filmar novamente. 

Para um operador de câmera, o dia médio inclui cerca de 12 horas de trabalho. Apenas uma hora para o almoço e, como a cenas em locais diferentes, geralmente as viagens são frequentes – em apenas um dia de filmagem, o que se torna extremamente desgastante para o profissional. Isso significa ficar fora de casa uma média de 15 horas por dia. 

Vários programas têm horas ainda mais longas – até 16 horas ou mais de trabalho por dia. Isso significa um período de mais de 19 horas por dia. Todos os dias. 

“Esta votação é sobre a qualidade de vida, saúde e segurança daqueles que trabalham na indústria cinematográfica e televisiva. Nosso pessoal tem necessidades humanas básicas, como tempo para comer, dormir o suficiente e ter um fim de semana. E aqueles que estão na base da tabela salarial não merecem nada menos que um salário digno”, disse o presidente da IATSE, Matthew Loeb. 

A votação não representa uma convocação imediata de greve, mas autoriza os representantes da organização a recorrer a esse recurso se não conseguirem melhorar suas condições de trabalho. Entre outras reivindicações estão um aumento das contribuições para seguros de saúde privados e planos de aposentadoria. 

A maioria dos membros do sindicato está com contratos temporários como técnicos, artistas e funcionários que trabalham em áreas como figurino, design de cenários e iluminação. Uma paralisação nas filmagens seria extremamente prejudicial para os estúdios de Hollywood, que já sofreram vários atrasos devido à pandemia de Covid-19 e investiram em plataformas como Disney+ e HBO Max, cujo modelo de negócios precisa de um fluxo constante de novos conteúdos para reter assinantes. 

Além disso, outras entidades de classe, como os sindicatos de atores (SAG) e roteiristas (WGA) apoiam as exigências da IATSE. Lembrando que a última greve que atingiu Hollywood foi convocada em 2017 pelo sindicato dos roteiristas e afetou as filmagens e transmissões televisivas durante 100 dias.