Polêmica e acordos no encontro entre Trump e Bolsonaro

Polêmica e acordos no encontro entre Trump e Bolsonaro

A visita do Presidente Jair Bolsonaro a Donald Trump reforça parceria com os EUA e o Brasil surge como aliado da Otan no contexto do impasse na Venezuela. A isenção de visto para turista americano e a polêmica da construção do muro na fronteira entre EUA e México 

Edição de março/2019 – p. 10

Polêmica e acordos no encontro entre Trump e Bolsonaro

O encontro entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro em Washington foi pontuado por cordialidade e a afirmação do republicano de que quer o Brasil no Tratado do Atlântico (Otan), organização militar comum de defesa, com 28 países. A indicação do governo de Bolsonaro como aliado da Otan surgiu no contexto do impasse na Venezuela e da possível intervenção militar no regime de Nicolás Maduro. Em contrapartida Bolsonaro formalizou em edição extra do Diário Oficial da União um decreto – que entra em vigor em 17 de junho deste ano – com a dispensa – unilateral – de visto para turistas norte-americanos entrarem no Brasil, se estendendo a visitantes da Austrália, Canadá e Japão.

Bolsonaro também defendeu a construção do muro na fronteira entre EUA e México para conter imigrantes irregulares, o que causou certa indignação entre brasileiros nos EUA e nos países da Europa. “Nós vemos com bons olhos a construção do muro”, afirmou em entrevista à Fox News. Ao ser chamado de “Trump dos Trópicos” pela entrevistadora, Bolsonaro falou de sua admiração por Trump, e que deseja que o Brasil seja uma grande nação, assim como o líder norte-americano busca que os EUA sejam grandes.

Afirmou ainda que a maioria dos imigrantes não tem boas intenções ou não pretende fazer o melhor para o povo dos EUA. Disse que os americanos que defendem o socialismo deveriam olhar para a França, onde a política de fronteiras abertas para refugiados foi uma decisão ruim para o país. E aos que são contra ao muro de Trump ele alfineta: “Será que eles tirariam portas e muros de suas próprias casas”.

Trump defendeu que integrantes dos setores militares da Venezuela suspendam apoio a Nicolás Maduro e fala do fim do socialismo no continente americano. “Pedimos aos integrantes dos setores militares da Venezuela que suspendam o apoio a Maduro, que não é nada além de uma marionete de Cuba. Os Estados Unidos e o Brasil estão em apoio ao povo cubano, que sofre, e ao povo da Nicarágua. Chegou a hora final do socialismo no nosso hemisfério. A última coisa que queremos nos Estados Unidos é o socialismo”, enfatiza o republicano.

A ida de Bolsonaro aos EUA e seu encontro com o Donald Trump, acendeu o debate sobre a presença do Brasil na lista de países com tratamento especial na Organização Mundial do Comércio (OMC). O republicano disse, no entanto, que o país apoiaria a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Por sua vez, o ministro da Economia, Paulo Guedes (que integra a comitiva do presidente) havia afirmando que a condição para esse apoio seria o país deixar a lista de tratamento especial da OMC. O Brasil é membro da OMC desde janeiro de 1995.

A OMC surgiu em 1995 para regulamentar o comércio mundial, e é um órgão considerado importante para países que dependem de um sistema de normas para defender seus interesses no cenário do comércio internacional. A organização, que tem hoje 164 países membros, funciona como um mediador de conflitos comerciais.

Lançamento de foguetes

Ficou acordado que o governo brasileiro vai permitir o uso do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, para lançamento de foguetes pelos EUA, que demonstram interesse na estrutura do local. Portanto, os EUA serão o primeiro país a utilizar o centro, embora não há prazo para o início das operações. A França, a Rússia e Israel também têm interesse no CLA, paralisado desde 2001. Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, diz que a prioridade é estabelecer uma nova governança para o setor espacial no Brasil.

Isenção do visto para americanos

Turistas de quatro países – Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão– estão dispensados de visto para viajar para o Brasil. O decreto, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), foi publicado em edição extra do Diário Oficial. De acordo com o documento, o visto é apenas para “turismo, negócios, trânsito, realização de atividades artísticas ou desportivas ou em situações excepcionais por interesse nacional”.

A estadia dos estrangeiros que preencherem esse quesito sem visto será de 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90. A medida anunciada pelo governo é unilateral. Ou seja, brasileiros continuam precisando de visto para entrar nos países beneficiados pelo ato. A publicação do decreto acontece durante a primeira visita de Bolsonaro como presidente da República aos EUA.