Pior do que está…

Pior do que está…

Vai ser difícil ficar! Até porque parece que pior, não tem jeito mesmo. E de todas as formas e motivos possíveis.

Mas pior, ou melhor, só nós podemos deixar, e isso também nós sabemos, e muito bem. Mesmo que na maioria das vezes nos falte só a coragem.

Ora… Se o caldo está sem sal, que se ponha logo um quilo, e vamos salgar de uma vez por todas o assunto.

Agora, se a receita for de bolo, que se coloque logo um quilo de açúcar, porque bolo é como romance. Quanto mais doce melhor! E para quem não sabe, paixão é como caldo, quanto mais salgado melhor!

Agora… Se no bolo a coisa está complicada, se coloque um pouco de cravo e canela… Dá um sabor especial…

Já no caldo, aceite o desafio e mande ver umas duas ou três pimentas, daquelas bem vermelhinhas…

Só gostaria de saber por que as pessoas normalmente precisam saber da opinião dos outros para colocar mais açúcar, cravo ou canela em seu bolo. E se for um caldo que precisa de mais sal e pimenta então, pode não pedir ajudar, mas também não resolve e nem tempera nunca. E acaba o caldo, com gosto de nada e sem sal como o cozinheiro, dirão vocês.

Será que é porque dizem que adoçar é bem mais fácil do que salgar e apimentar? Deve ser, porque senão teria bem mais gente salgando e apimentando suas vidas, não?

Muitos dizem que o gostinho doce demora mais a sair da boca e da lembrança, e que o salgado e apimentado, lembra sempre experimentar uma vez, e depois só sentir saudade, e que conforme a força da pimenta faz até chorar.

De qualquer maneira, a única certeza é de que se seja por excesso de doce ou de sal e pimenta, o gosto não ficar do jeito que queríamos, sempre teremos a chance de aliviar tudo com um chá verde, da esperança.

Para isso, mais do que uma pitada de açúcar, sal ou pimenta, sempre tem a colher de chá.

Pode ser da grande mesmo. Deve dar efeito melhor.

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior.