Pesquisa aponta recorde de latinos na eleição presidencial

Pesquisa aponta recorde de latinos na eleição presidencial

Levantamentos do “Pew Research Center” aponta que 5,3 milhões de eleitores latinos marcam presença em 2020 nas eleições presidenciais dos EUA. Esse contingente está ligado ao aumento no número de naturalizados que pretendem exercer o direito ao voto. E ainda: prisões podem ocorrer em cidades-santuário com reforços do ICE

Edição de fevereiro/2020 – p. 08

Pesquisa aponta recorde de latinos na eleição presidencial

O ano de 2020 promete muito nas eleições presidenciais dos EUA, sendo que, segundo levantamentos do “Pew Research Center”, os eleitores latinos devem ser, pela primeira vez, a maior minoria racial ou étnica do país em tempos eleitorais para escolha do presidente americano – recorde de 32 milhões projetados para ser elegível para votar. Esse contingente de eleitores latinos está ligado ao aumento no número de naturalizados que pretendem exercer o direito ao voto.

Com isso, os latinos serão responsáveis por 13,3% de todos os eleitores elegíveis, aponta o centro. No entanto, o número de eleitores latinos ainda está muito abaixo dos 60 milhões que vivem no país. Apenas metade desse total é elegível para votar – a menor parte de qualquer grupo racial ou étnico.

Vale lembrar que a população hispânica cresceu rapidamente nas últimas décadas, muitos, no entanto, não são eleitores registrados. Mais do que outros grupos raciais ou étnicos, muitos hispânicos são jovens (18,6 milhões têm menos de 18 anos) ou adultos não cidadãos (11,3 milhões, mais da metade dos quais são imigrantes não autorizados).

O índice de eleitores latinos se deve ao aumento de imigrantes naturalizados que se registram para votar. E de acordo com a “Parceria Nacional para Novos Americanos – National Partnership for New Americans” –, em relatório divulgado no início deste mês, a estimativa é de 5,3 milhões de cidadãos recém-naturalizados – muitos dos quais vivem em estados cruciais para os imigrantes – que podem ter um impacto decisivo nas eleições de 2020.

Os pedidos de cidadania começaram a aumentar à medida que a eleição presidencial de 2020 se aproxima. No ano fiscal de 2019 – que abrange 1° de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2019 –, 833.985 imigrantes tiveram a cidadania aprovada; um aumento em relação às 761.901 naturalizações no ano fiscal de 2018. Somando o ano fiscal de 2014 até o final do ano fiscal de 2020, haverá um número estimado de 5,3 milhões cidadãos recém-naturalizados elegíveis para votar.

Segundo os organizadores, cerca de 860.000 imigrantes se tornarão cidadãos dos EUA terão direito ao voto nas eleições presidenciais. Eles se juntarão a um total de 3,1 milhões de cidadãos naturalizados desde a eleição de Donald Trump para presidente. Mais de 4,4 milhões de novos cidadãos naturalizados se juntaram às fileiras de outros eleitores elegíveis.

Além da Flórida, os estados onde os cidadãos recém-naturalizados representam grandes blocos de votação são: Texas, Geórgia, Pensilvânia, Carolina do Norte, Arizona e Michigan, aponta a organização. Só a Califórnia detém aproximadamente um quarto do eleitorado latino do país, com 7,9 milhões de eleitores registrados. O Texas é o segundo com 5,6 milhões, seguido pela Flórida (3,1 milhões), Nova York (2,0 milhões) e Arizona (1,2 milhão) – dados do “Pew Research Center”.

Prisões em cidades-santuário

O governo dos EUA fecha o cerco contra as localidades que se recusam a colaborar com as autoridades de imigração, com a aplicação de novas táticas da lei contra indocumentados no país, a partir da fronteira sul, em operação minuciosa. Com isso, poderão ocorrer prisões em cidades-santuário em todo o país. Portanto, oficiais treinados da “Tactical Unit” – tropa de elite que estão sendo enviadas para cidades como Chicago e Nova York , para aumentar o poder de imposição dos agentes locais de Imigração e Alfândega, de acordo com dois oficiais familiarizados com a operação.

E não há como conter a atuação dos agentes de imigração, que também serão enviados para Los Angeles, Atlanta, Houston, Boston, Nova Orleans, Detroit e Newark, NJ – cidades com políticas locais que protegem imigrantes irregulares da deportação. Já sendo tudo preparado para a implantação e ação das equipes que, a partir deste mês, se estendendo até maio.

Segundo autoridades de imigração, a nova operação tem como meta aumentar as detenções nas jurisdições do santuário em pelo menos 35%. Com isso, o clima de insegurança é latente, pois o perigo iminente coloca em risco os imigrantes que ainda continuam na fila de espera pela legalização.

E conforme adiantou o porta-voz da “Alfândega e Proteção de Fronteiras”, Lawrence Payne, cerca de cem oficiais da agência foram destacados para atuar com o “ICE”, responsável pelas prisões de pessoas indocumentadas no interior do país. “Vamos melhorar a integridade do sistema de imigração, proteger a segurança pública, e fortalecer nossa segurança nacional”, disse Payne.

E de acordo com e-mail enviado às autoridades do país, a implantação das equipes ocorrerá de fevereiro. O comunicado foi lido no “The New York Times” por um funcionário familiarizado com o planejamento. Entre os agentes que estão sendo enviados para as cidades do santuário estão membros da unidade tática de elite conhecida como “BORTAC”, que atua essencialmente como a equipe da “SWAT da Patrulha de Fronteira”.

Com equipamentos adicionais, como granadas de efeito moral e treinamento aprimorado do tipo “Forças Especiais”, incluindo certificação de atiradores, os oficiais geralmente realizam operações de alto risco, visando indivíduos que violentos, e, muitos deles com extensos antecedentes criminais. Segundo afirmou Matthew T. Albence – diretor interino da ICE –, a implantação vem em resposta às políticas adotadas pelas cidades-santuário, que dificultam o trabalho dos agentes de imigração”.