Pé na Cova: Entrevista com a diretora geral Cininha de Paula e com o autor Miguel Falabella

Pé na Cova: Entrevista com a diretora geral Cininha de Paula e com o autor Miguel Falabella

Foto: Thyago Andrade
Foto: Thyago Andrade

Parceiros de longa data, Cininha e Miguel têm uma história de sucesso. Juntos, fizeram ‘Salsa e Merengue’, ‘Sai de Baixo’, ‘Toma Lá, Dá Cá’, ‘A Vida Alheia’, ‘Aquele Beijo’ e ‘Sexo e as Negas’. Além disso, também tiveram vários trabalhos em teatro, como “A Gaiola das Loucas” e o “O Que o Mordomo Viu”.

Miguel Falabella estreou na televisão como ator na novela ‘Sol de Verão’, de Manoel Carlos, em 1982. Como diretor, teve a sua primeira experiência em ‘Sassaricando’, de Silvio de Abreu, em 1987. Sua estreia como autor foi em 1996, quando escreveu ‘Salsa e Merengue’, em parceria com Maria Carmem Barbosa. Depois, vieram ‘Delegacia de Mulheres’, ‘A Lua Me Disse’ e ‘Toma Lá Dá Cá’. Em 2008, fez ‘Negócio da China’, primeira novela que escreveu sozinho, e, em 2012, fez ‘Aquele Beijo’. Mais recentemente, em 2014, foi a vez de ‘Sexo e As Negas’. Autor de ‘Pé na Cova’, ele também atua na série, onde fica clara a sua vocação para o humor.

Cininha de Paula

Pé na Cova é um grande sucesso de público. A que você credita essa identificação do telespectador ao seriado?

Eu acho que ele não fala exatamente da morte, fala dessa luta que o brasileiro tem por um pequeno espaço, qualquer que seja ele. De fazer o seu trabalho honesto, de ganhar dinheiro, de viver de maneira decente. Essa identificação acontece em todas as classes sociais e toca muito fundo. Tudo de uma forma bem humorada, alegórica, mas que fala de assuntos absolutamente pertinentes ao nosso dia a dia.

Existe um clima de amizade e uma sintonia muito grande do elenco. Como é dirigir uma equipe tão unida e talentosa?

Tenho comigo Miguel Falabella, Marília Pêra, Eliana Rocha, Alexandre Zachia e ainda Diogo Vilela. Todos esses e os  demais integrantes do elenco também são muito especiais, pessoas que foram praticamente crias minhas, que cresceram comigo, como é o caso do Daniel Torres. E outros que acompanhei o crescimento. A Luma, por exemplo, em três anos, casou, teve filho, tanta coisa aconteceu nesse tempo. Já a Lorena era uma garotinha quando a conheci. Então tem uma ligação afetiva deles comigo e, ao mesmo tempo, um respeito muito grande pelo nosso trabalho.

O que você considera o tema central de Pé na Cova?

Família e tudo que acontece com a família. Não uma família nos moldes da normalidade. Pai, mãe, filho, filha. Pé na Cova é um programa para a família, feito por uma família. Família feita por vizinhos, por vendedoras de cachorro-quente, chineses, agregados. É o subúrbio, é um pedaço do Brasil.

O que o público pode esperar da quarta temporada? Quais são as principais novidades da trama?

São tantas novidades. Primeiro, a gente já estreia com o casamento do Alessanderson com Luiziane. Ele se casa, claro, com os interesses políticos e todas as peculiaridades de uma união por conveniência. Essa vertente política, social, o Alessanderson e o deputado Sebonetti retratam muito bem.

Fora isso, temos Dr Zóltan, um veterinário, com tantas teorias genéticas! Ele resolve todos os problemas com suas transformações. Modifica o comportamento das pessoas de acordo com o interesse. Não é mais apenas uma modificação estética, é estrutural. Ele acha que ele pode construir o homem perfeito, que não sofre, que esquece, e continua vivendo feliz e contente, por exemplo.

Temos também a chegada dos chineses ao Irajá. Vamos falar agora chinês e português no seriado. Eles representam uma competição comercial. Tudo que o chinês bota a mão dá dinheiro. Eles chegam com a pastelaria, que também é uma funerária, e o Ruço fica desesperado. É uma concorrência quase que desleal. Principalmente quando todo mundo passa a gostar do pastel chinês, mesmo que dentro da funerária, e local passa a ser um point dentro do universo “Irajaense”.

Miguel Falabella

Pé na Cova é muito querido pelo público. Como você vê o carinho do telespectador pelo seriado?

A identificação do público vem, basicamente, por ser a comédia da tolerância. Em que todos são bem vindos, aceitos, e olhados na sua humanidade. Os personagens são bizarros, fora dos padrões, mas são gente. E o olhar que se lança sobre os personagens é um olhar de humanidade mesmo.

A série tem a morte como pano de fundo, mas fala mesmo do amor e da família. O que você considera o tema central de Pé na Cova?

É isso mesmo. Na verdade, o amor e a morte estão ligados desde a Grécia clássica. Embora seja um seriado popular é um programa com um texto muito peculiar e o público reconhece isso.

E como é a sintonia do elenco? De que forma isso influencia na trama?

Temos uma relação maravilhosa. É um elenco pra quem eu escrevi. Elaborei cada personagem pensando em cada ator. Então, é maravilhoso e está tudo certo, a embocadura é deles.

Quais são as principais novidades desta temporada?

Essa é a temporada mais fantasiosa, mais poética, mais engraçada, mais humana. Os personagens são bizarros, mas têm um traço de humanidade muito forte. Nessa temporada, a clínica do Dr. Zóltan ganha protagonismo. Ao mesmo tempo, é globalizado, tem os chineses, uma pastelaria que também enterra gente, enfim, é aquela mistura gostosa que o público conhece e se diverte.