Para voar longe

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No lançamento de disco, Andressa Morais quer atingir a final olímpica nos Jogos Rio 2016

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Andressa Morais, do arremesso de disco – Fotos: Alexandre Schneider
Andressa Morais, do arremesso de disco – Fotos: Alexandre Schneider

Como juvenil, os resultados da paraibana Andressa Morais já eram bastante promissores: campeã brasileira, sul-americana e pan-americana do arremesso de disco. Em 2011, já competindo como adulta, foi campeã sul-americana em Buenos Aires e participou do campeonato mundial Daegu, na Coreia do Sul. Em 2012, desembarcou nos Jogos de Londres, onde foi a 16ª colocada, com 60,94 m. “Foi uma experiência única! Estava com 21 anos e participei da cerimônia de abertura, que foi algo fora do normal! Na hora, passou um filme na minha cabeça da minha vida inteira…”, relembra, emocionada. Logo após as Olimpíadas de Londres, conquistou a medalha de ouro no Ibero-Americano de Barquisimeto, na Venezuela, com um arremesso de 64,21 m. Foi sua melhor marca até hoje, que lhe valeu o recorde sul-americano. Em 2015, Andressa conseguiu arremessar o disco a 64,15 m, no Troféu Brasil. E o ano olímpico começou bastante animado. Em janeiro, a atleta do Esporte Clube Pinheiros, que é treinada pelo cubano Julian Mejias desde 2009, participou de uma temporada de treinamento em Cuba. Lá, treinou com os técnicos de Denia Caballero, que é campeã do Pan e do Mundial – e a grande favorita ao ouro nos Jogos Rio 2016 . “A preparação está forte, estou treinando bastante e totalmente focada nas Olimpíadas do Rio”, avisa Andressa que, aos 25 anos, tenta arrumar tempo para concluir o último ano da faculdade Educação Física. Ela é patrocinada pela Oakley, Asics, Caixa e Nissan, além de fazer parte do Programa Olímpico da Marinha e de receber a Bolsa Atleta do Ministério dos Esportes.

Jogos Cariocas – Como o arremesso de disco surgiu na sua vida?

Andressa Morais – Minha mãe, Djanete, sem dúvida foi a minha grande inspiradora. Nos anos 80, ela praticava diversas modalidades de arremessos – peso, disco e martelo. Tornou-se campeã estadual e foi recordista paraibana. Eu me aproximei do arremesso de disco por influência dela. No início, era ela que não me deixava desistir dos treinos… Hoje, eu acho muito legal poder dar continuidade ao sonho olímpico da minha mãe.

Jogos Cariocas – Quando percebeu que poderia se tornar uma atleta de ponta dentro do arremesso de disco?

Andressa Morais – Pratico desde os 11 anos de idade. Mas comecei a acreditar realmente que poderia me tornar uma atleta de ponta quando participei das primeiras competições adultas e obtive bons resultados. Em 2008, saí da Paraíba e fui para São Paulo. E estou morando lá desde então. Tento fazer tudo da melhor forma possível. Sempre fui uma pessoa muito determinada e luto para conseguir chegar onde eu quero.

Jogos Cariocas – Como é sua rotina de treinos?

Andressa Morais – Treino diariamente na cidade de Bragança Paulista, onde fica a sede dos treinamentos da seleção brasileira de atletismo. Normalmente eu começo fazendo musculação, com treinos de arranque, agachamento e supino. Depois, faço exercícios específicos do lançamento de disco e treino a parte técnica dos lançamentos. Além disso, faço também treinos físicos com saltos, corridas e abdominais.

Jogos Cariocas – Como estão as chances do arremesso de disco feminino do Brasil nas Olimpíadas do Rio? Quem serão suas principais adversárias?

Andressa Morais – Acredito que, se conseguir alcançar minha melhor marca nas Olimpíadas, posso conseguir uma vaga na final. E, uma vez na final, vamos brigar de igual para igual. Quem estiver melhor na hora, leva. A cubana Denia Caballero e a croata Sandra Perkovic são sempre nomes fortes.

Jogos Cariocas – No arremesso de disco, o fato de estar em casa pode representar uma vantagem efetiva para os atletas brasileiros?

Andressa Morais – Será uma grande vantagem, em todos os sentidos. Será a minha segunda experiência olímpica e com certeza estou mais focada, pois estarei em casa, com toda a torcida brasileira a favor. Isso irá ajudar muito.

Jogos Cariocas – Já sonhou com os Jogos Rio 2016? O que imagina encontrar lá?

Andressa Morais – Sonhar mesmo, eu ainda não sonhei…  No momento, estou tão focada nos treinamentos que nem tenho tempo de sonhar… Com certeza pretendo brigar por medalhas, que é o objetivo pelo qual venho trabalhando há anos. Acredito que, se eu atingir os 67 metros, seja possível entrar na disputa por medalhas nas Olimpíadas do Rio. Estou me preparando muito para obter esse resultado no Rio de Janeiro, em agosto.

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