Paixão pelos pincéis abre caminho para o Louvre

Paixão pelos pincéis abre caminho para o Louvre

A renomada professora de Ortodontia da USP, Vania Valdo, descobre talento para pintura e expõe sua obra no Museu do Louvre, em Paris. Uma trajetória de empenho e amor pelas artes plásticas

Edição de junho/2019 – p. 36

Paixão pelos pincéis abre caminho para o Louvre

“O maior talento é a mistura das cores com profundidade, provocar pessoas quando veem as minhas telas. Os meus traços retratam o que vivo no momento. Eu sou o momento e procuro diversificar, descobrir novas técnicas. Na minha vida pessoal sou regrada, mas, quando pinto telas e painéis, sou ousada, me solto. É assim que eu me sinto, expressando emoção e alegria”, revela a artista plástica Vania Valdo, que em 2012 expôs seus quadros no Museu do Louvre, em Paris, a convite do então presidente François Hollande e do diretor do Carroussel do Louvre. “Quando recebi a carta assinada pelo presidente francês e pelo diretor do Carroussel do Louvre, comunicando que o meu trabalho tinha sido aprovado, foi inacreditável. Dei pulos de alegria e agradeci ao Universo pela oportunidade”, lembra com emoção.

Aos sessenta anos – idade que faz questão de revelar – Vania, que é ortodontista – renomada professora da USP (Universidade de São Paulo), durante 37 anos –, atualmente residindo em Orlando, tem uma trajetória bem sucedida nas artes plásticas, e ressalta o quanto a Ortodontia foi essencial para o seu trabalho com pintura. “Na Ortodontia você trabalha com a harmonia facial e isso privilegiou a estética de minhas telas, dos meus traços e cores. Levei esse aprendizado para a minha arte. O artista pinta para si, mas espera a reação do outro. E o que é exposto no meu trabalho, traduz o amor”, comenta.

Paixão pelos pincéis abre caminho para o Louvre“Os pincéis expressam o que estou vivenciando. A minha viagem à África me inspirou a pintar animais. E quando estive em Nova York, vi painéis incríveis, fiquei motivada com a proposta e pintei painéis. A energia das cores – a água viva do Espírito Santo –, está implícita nas minhas obras. A arte entrou na minha vida como a música entra na nossa alma. Ela foi penetrando tão profundamente em mim que, com o passar do tempo, ficou difícil me manter distante dos pincéis e das tintas e, a cada trabalho que fazia, observava o quanto gostava de ver com olhos diversos, com os olhos da alma, complementa Vania.

“Descobri a pintura com o meu pai, ele me inspirou”

Indagada sobre a descoberta do talento em pintar telas, relata Vania que, “descobri a pintura com o meu pai, ele me inspirou”, emociona-se. “Era professora muito bem-sucedida da USP, com ótimo salário e uma carreira consolidada, mas o meu pai mostrou um novo horizonte quando me incentivou a fazer aulas de pinturas junto com ele, no mesmo atelier que frequentava. Foi quando me matriculei no mesmo curso que o meu pai fazia. Era algo pouco provável naquele momento – 2003 –, mas resolvi aceitar o desafio”, lembra com saudosismo. “O meu primeiro quadro foi inspirado na obra do Gustavo Rosa, a ‘Rosa de Bérgamo’. O incrível é que todos gostavam das minhas pinturas, elogiavam. Eu procurava estar ao lado da minha grande paixão, meu pai. Pude descobrir a artista que estava escondida dentro de mim”.

Fragilizada emocionalmente com a morte do pai, Vania abandonou a pintura por três anos, quando, num insight, decidiu retomar os pincéis. “Voltei a pintar e me dediquei às aulas, esse era o desejo do meu pai”. E não demorou muito para que os quadros da renomada professora de Ortodontia da USP chamassem a atenção das pessoas. Foi quando resolveu levar algumas de suas telas para a avaliação de uma conceituada curadora de São Paulo, Carmem Pousada.

“Naquele momento, eu não tinha noção de que estava conhecendo uma das curadoras mais importantes do meu país. O mais surpreendente foi observá-la analisando os meus trabalhos e ouvi-la dizer que eu tinha grandes oportunidade, porém, para confirmar, ela dependia da avaliação do grupo de curadoria do Louvre. Eu não sabia se tinha ouvido corretamente ou se realmente ela estava falando do Louvre de Paris. Respirei fundo, tomei um gole de chá de canela, oferecido por ela, e, pasmem, o chá preferido do meu pai. Não tinha dúvidas que estava sendo abençoada por ele”, relembra.

“Carmem Pousada, que me foi apresentada por uma amiga, representava o Louvre. Em seu escritório, ela me explicou os detalhes do que eu precisava fazer para participar da exposição no renomado museu de Paris. Escolheu três dos meus quadros, fotografou e preenchemos juntas a ficha de inscrição. Tudo então estava pronto para ser submetido à aprovação, ou não, da curadoria do museu”, complementa a artista.

“Quinze dias depois recebi uma carta que vinha do Louvre. Meu coração bateu mais forte. Mesmo tremendo, abri e fui tomada por muita emoção. A carta estava assinada pelo presidente da França e pelo diretor do Carroussel do Louvre e me parabenizava, comunicando que o meu trabalho tinha sido aprovado”, celebra.

Em Paris, conta Vania Valdo, parou em frente ao Louvre e ficou observando o monumento, mundialmente famoso. Sabia da responsabilidade que teria pela frente, mas se sentiu gratificada pelo reconhecimento do seu trabalho. “Estava parada na calçada, emocionada, quando senti o cheiro agradável de canela vindo de uma confeitaria. Veio à lembrança do meu pai, sabia o quanto ele estava feliz por mim. Eu comecei a pintar pelo meu pai”, se emociona.

“O grande dia chegou. As pernas tremiam, a emoção tomava conta de mim. Entrei no Louvre e me deparei com um salão enorme e comecei quase a correr, em busca do meu quadro. Parecia uma eternidade. Não sabia direito para que lado ir, parecia um labirinto. As lágrimas surgiram de felicidade quando encontrei o meu quadro. A expressão de felicidade está estampada na foto que logo tirei ao lado do meu grande triunfo. Curti, sonhei e agradeci”, agradece.

Paixão pelos pincéis abre caminho para o Louvre

E após a exposição do Louvre, a carreira da artista plástica deslanchou, quando seus trabalhos foram expostos na Itália, em Nova York, Miami e Orlando, alcançando notoriedade. E quando se mudou para os EUA, em 2016, aplicou para o visto de “Habilidades Extraordinárias” – categoria O –, obtendo aprovação da Imigração em sete meses, recebendo o Green Card. “Estou no meu segundo casamento e divido a vida com uma pessoa maravilhosa. Em meio ao companheirismo e a cumplicidade, realizamos um sonho antigo: morar na América e estamos felizes demais”, exalta.

Aulas de pintura

“Tenho um atelier em casa e dou aulas de pintura para pessoas de quatro a setenta anos. Adoro pintar e divido essa paixão com meus alunos. Os interessados em ingressar na pintura e aprimorar seu talento e conhecimento, estou a disposição”, incentiva Vania Valdo. “O lema do trabalho que faço com os meus alunos é: ‘Descubra o artista que está escondido dentro de você’. Já tenho planos para abrir uma nova escola, onde possa compartilhar o meu trabalho com um maior número de pessoas e assim, poder disseminar a arte e o prazer desta emoção”, conclui Vania Valdo.

Serviço

Vania Valdo

Fone: 954-805-7838

Contato: vaniavaldo.com