“Operação Lava Jato” desmantela quadrilha que assaltou a Petrobrás

“Operação Lava Jato” desmantela quadrilha que assaltou a Petrobrás

Na lista de prisões estão os executivos das principais empreiteiras suspeitas de pagar propinas para fechar contratos com a Petrobrás e Renato Duque, ex-diretor de serviços da estatal, que teria sido indicado para o cargo pelo PT

Da Redação

Ação da Polícia Federal na “Operação Lava Jato”
Ação da Polícia Federal na “Operação Lava Jato”

A onda de escândalos envolvendo a Petrobrás repercute no cenário internacional. E a “Operação Lava Jato”, comandada pela Polícia Federal vem surpreendendo à cada dia com a prisão de altos executivos e empreiteiras, envolvidos no maior roubo da história do país. Na lista de prisões, executivos das principais empreiteiras suspeitas de pagar propinas para fechar contratos com a Petrobrás e Renato Duque, ex-diretor de serviços da estatal, que teria sido indicado para o cargo pelo PT. As prisões ocorreram durante a sétima fase da operação “Lava Jato”, realizada a semana passada. Dos mandados de prisão expedidos a maioria foi cumprido. Entre os executivos que tiveram a prisão preventiva ou temporária decretada estão os dirigentes de OAS, Camargo Corrêa, Iesa Óleo e Gás, UTC e Construtora Queiroz Galvão. E segundo divulgou a PF os contratos com a Petrobrás somam R$ 59 bilhões, considerando o período de 2003 a 2014.

Alberto Youssef - doleiro e suposto chefe do esquema
Alberto Youssef – doleiro e suposto chefe do esquema

E até o momento do fechamento desta edição, o panorama entre corruptores e corrompidos era este: Valdir Lima Carreiro (Iesa), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS) e Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC) estão presos. Dalton dos Santos Avancini (Camargo Corrêa) não foi localizado pela polícia. Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão) se entregou. O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB na Petrobrás, entrou na lista de procurados da Interpol e do sistema nacional de procurados e impedidos. A PF tinha um mandado de prisão, mas não conseguiu localizar o suspeito de envolvimento em desvios da estatal. As primeiras referências ao suposto envolvimento de Fernando Baiano com fraudes na estatal surgiram em depoimentos prestados pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef.

Os advogados têm evitado dar detalhes à imprensa sobre como foram os depoimentos dos clientes. Aos jornalistas, eles têm dito somente que ocorreram na “normalidade”. E segundo depoimento de um funcionário da empresa responsável pela comida dos presos, foram oferecidos arroz, feijão, nhoque e frango grelhado. O advogado de Fernando Soares, apontado como o operador do PMDB na Petrobrás, Mário de Oliveira Filho, afirmou que o cliente é usado como “bode expiatório” na “Operação Lava Jato”. Irredutível, diz apenas que , “não tenho posição nenhuma a declarar. O Fernando é um camarada que está sendo usado como bode expiatório. É só isso. O Fernando está sendo usado como bode expiatório e ele não tem nada com o PMDB, com ninguém, absolutamente ninguém, nada, zero de PMDB”, disse o advogado.

Renato Duque - Ex-diretor de serviços da estatal
Renato Duque – Ex-diretor de serviços da estatal

A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobrás, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Na primeira fase da operação, deflagrada em março deste ano, foram presos, entre outras pessoas, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobrás que somam R$ 59 bilhões. Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, foram expedidos, nesta sétima etapa, 85 mandados em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal.

Conforme balanço divulgado pela PF, além das 23 prisões, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Também foram expedidos nove mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à polícia prestar depoimento), mas os policiais conseguiram cumprir seis.
Esquema de corrupção – O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da “Lava Jato” na primeira instância da Justiça, diz no despacho que autorizou as prisões efetuadas e que o esquema de corrupção na Petrobrás pode ter provocado danos bilionários à estatal e aos cofres públicos.
De acordo com relato do juiz, o esquema reunia um cartel formado pelas maiores empreiteiras brasileiras, que combinavam quem ganharia as licitações para obras da Petrobrás. Nessas concorrências, diz ele, as empresas cobravam preço máximo e depois distribuíam propina em valores correspondentes a 2% ou 3% do contrato – tudo isso era combinado previamente.

Sérgio Moro - Juiz Federal
Sérgio Moro – Juiz Federal

De acordo com o documento do juiz, parte da suposta propina era repassada ao doleiro Alberto Yousseff, suposto chefe do esquema, que transferia o dinheiro a agentes públicos (pessoas que trabalhavam na Petrobrás ou políticos).

“Tomando-se os valores milionários ou bilionários destes contratos -entre a Petrobrás e empreiteiras suspeitas de envolvimento no esquema -, os danos sofridos pela empresa estatal, cujo acionista majoritário é a União Federal e, em última análise, o povo brasileiro, atingem milhões ou até mesmo bilhões de reais”, diz Moro no texto.

No despacho, o juiz afirma que o esquema investigado na “Lava Jato” identificou “quatro grupos criminosos dedicados principalmente à pratica de lavagem de dinheiro e crimes financeiros no âmbito do mercado negro de câmbio”.

Esses grupos, informa Moro, seriam liderados pelos supostos doleiros Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Raul Henrique Srour.