Operação 30 dias mobiliza Imigração em todo país

Operação 30 dias mobiliza Imigração em todo país

O Departamento de Segurança Interna (DHS) atua com ordem de deportação e o alvo são os imigrantes que entraram no país depois de primeiro de janeiro de 2014 e que apresentam histórico não compatível às normas imigratórias

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Retomada a caça às bruxas nos Estados Unidos, com a chamada Operação 30 dias que o Departamento de Segurança Interna (DHS) vem monitorando, com ordem de deportação aos imigrantes que entraram no país depois de primeiro de janeiro de 2014 e que apresentam um histórico não compatível às normas imigratórias – incluindo os que têm ordem de deportação decretada pela Corte, envolvimento com drogas e alcoolismo. “As operações atuais são uma continuação daquelas já anunciadas pelo Secretário (do DHS) Jeh Johnson em janeiro e março. Reafirmamos que estas operações se limitam àqueles que foram detidos na fronteira a partir de primeiro de janeiro de 2014, receberam ordens de deportação de uma Corte de Imigração e esgotaram as apelações, casos de asilo e algum outro benefício humanitário pendente”, anunciou a porta-voz do DHS, Marsha Catrón. “Enfatizamos também que em suas operações, o DHS continuará a obedecer às regras existentes para evitar deter os indivíduos em áreas sensíveis como escolas, hospitais e locais religiosos, exceto em circunstâncias de emergência”, reforça Marsha.

O clima é de apreensão entre os imigrantes que têm pendências com a Corte e teme pelo flagrante que poderá ocorrer a qualquer momento. O cuidado tem sido redobrado, principalmente nas rodovias, onde a abordagem ocorre com frequência. Marsha, inclusive, disse que as autoridades migratórias mantêm as prioridades de deportação anunciadas em 20 de novembro de 2014. Nessa data, foram estabelecidas quatro condições: aqueles que sejam considerados uma ameaça à segurança nacional, da fronteira ou pública; indivíduos com histórico de violações na imigração; pessoas presas por dirigirem intoxicadas (DUI) ou acusadas de violência doméstica, exploração sexual, roubo ou qualquer delito que resulte como pena mais de 90 dias de detenção e imigrantes com ordem de deportação emitida depois de 1 de janeiro de 2014.

Segundo documento obtido pela Agência de Notícia Reuters, trata-se de uma operação com 30 dias de duração que acontecerá entre maio e junho e será parecida com a realizada no início de 2016 na Geórgia, Texas e Carolina do Norte. Na ocasião, foram detidas 121 pessoas, a maioria crianças e mulheres. A operação vem sendo intensificada nas fronteiras dos Estados Unidos, na tentativa de conter as “invasões” que estão sendo frequentes. “Para promover e manter a segurança na fronteira, as nossas prioridades incluem aqueles detidos cruzando clandestinamente a fronteira depois de primeiro de janeiro de 2014. Isso inclui adultos solteiros e adultos que trouxeram seus filhos”, detalhou a porta-voz. A Reuters disse que as batidas migratórias ficarão a cargo dos agentes do Departamento de Imigração (ICE). Entre os incluídos estão indivíduos que entraram nos EUA ainda menores e desacompanhadas de um adulto e que já cumpriram 18 anos.

Crianças desacompanhadas

A Patrulha da Fronteira informou em seu website que nos seis primeiros meses do ano fiscal de 2016 foram presos 27.754 crianças desacompanhadas em contraste com 15.616 presos no mesmo período em 2015. O índice tem preocupado a Casa Branca. O Transnational Records Access Clearinghouse (TRAC) da Universidade de Syracuse em Nova York calcula que durante o ano fiscal de 2016 os tribunais de imigração processarão aproximadamente 206.215 ordens de deportação, em contraste com 187.985 do ano anterior. Entre os afetados estão mexicanos, salvadorenhos, guatemaltecos, hondurenhos, chineses, indianos, equatorianos e dominicanos. O TRAC também informou desde 30 de março que as Cortes de Imigração teriam 486.206 casos pendentes. Os tribunais mais congestionados ficam localizados nos seguintes estados: Califórnia, Texas, Nova York, Flórida, New Jersey e Virgínia.

No Congresso, os deputados democratas Lucille Roybal Allard e Zoe Lofgren, ambas da Califórnia, e Luís Gutierrez, de Illinois, alegaram que, ao invés de deportar os centro-americanos que fogem da violência em seus países, deve-se adotar uma política de refugiados.“Os alvos dessas batidas e deportações são aqueles que não têm acesso a um advogado ou processos legais em seus pedidos de asilo”, diz um comunicado redigido pelos deputados. Eles alegam que as batidas ocorridas no início de 2016 revelam principalmente “as falhas do sistema migratório dos EUA no que diz respeito a asilos. Acho que não deveríamos retirar as crianças e suas famílias de seus lares no meio da noite”, opina a candidata presidencial democrata Hillary Clinton. “Devemos oferecer-lhes oportunidades às famílias que fogem da violência na América Central em busca de uma vida melhor”.