Conscientização – A Palavra de Ordem do novo Milênio

Por Rita Pires

Hoje, a obesidade não é somente problema mundial, mas também nutricional. Alimentar-se passou a ser uma preocupação fundamental na medida em que temos, nas prateleiras, uma competição entre produtos práticos, porém nada saudáveis. O mal que os produtos gordurosos e o açúcar causam já é do conhecimento de todos. Porém, os produtos mascarados, os que parecem inofensivos, mas que fazem parte da cadeia de alimentos não saudáveis, esses merecem cuidados especiais na hora de fazer o mercado.

Conhecer o que estamos ingerindo todos os dias deve ser a regra número 1 do nosso cardápio. Entendendo melhor a composição dos alimentos e seus benefícios, podemos viver uma vida mais saudável e equilibrada. É bem mais fácil evitar guloseimas, produtos em embalagens atraentes, criativos apelos publicitários e tentações gastronômicas quando entendemos melhor suas composições e, automaticamente, seus benefícios e malefícios. A obesidade é uma doença crônica, que vem se alastrando no mundo com a mesma proporção da hipertensão e o diabetes. A Organização Mundial de Saúde classificou o excesso de peso como epidemia mundial. Entre os “fora de forma” estão mais de 300 milhões clinicamente obesos, aqueles com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30. A obesidade traz uma série de doenças graves, como problemas cardíacos, diabetes, hipertensão e até alguns tipos de câncer. Um recente relatório sobre a epidemia da obesidade dos Estados Unidos apresenta quadro crítico e catastrófico, em que 35,7 % dos adultos e 16,9 % das crianças, entre 2 e 19 anos, estão obesos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A projeção até 2030 é que, a menos que os norte-americanos mudem seus hábitos, 50% dos adultos dos EUA estarão obesos.

No Brasil, o índice também é sinal de alerta, pois 40% da população estão acima do peso e 10 a 15 % têm obesidade. Hoje, o problema é mais grave que a fome. Caso não haja campanha maciça contra a obesidade e incentivo à vida mais saudável, a obesidade será um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil e deste novo milênio, acometendo quase um terço da população mundial. Somente na América Latina, é provável que 200.000 pessoas morram anualmente em decorrência de complicações da obesidade. No Brasil, o problema adquire proporções cada vez maiores. Dados mais recentes mostram que ele já ocupa o sexto lugar no ranking dos países com maior número de obesos, atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Itália e França. Porém, a obesidade vai além da estética no momento em que ela desencadeia uma série de doenças, que só aumentarão caso a obesidade cresça no mundo, doenças como diebetes tipo 2, câncer de endométrio e doença cardíaca crônica. Devido a uma série de dados importantes e alarmantes como esses, deve haver conscientização imediata por uma alimentação saudável e uma vida fisicamente ativa.

Alimentos Mascarados que parecem Inofensivos e Saudáveis

Imagina um cardápio que tem granola diet no café da manhã, salada com molho e croutons no almoço, barra de cereal no lanche da tarde e sopa pronta no jantar. Aparentemente, um cardápio equilibrado e totalmente saudável, porém, a tabela nutricional desses alimentos não diz a mesma coisa. Isso porque eles podem esconder quantidade de gorduras, açúcares, conservantes e sódio que prejudicam não apenas a dieta, mas também a saúde. Não é novidade que, quando consumido em excesso, o sódio pode levar ao inchaço e contribuir para o surgimento de doenças cardíacas, entre outras. O consumo excessivo de sucos de frutas, refrigerantes light e castanhas também pode ser a causa de você não conseguir eliminar os pneuzinhos para o verão, mesmo parecendo hábitos mais saudáveis. As aparências enganam, por isso devemos estar atentos às composições dos produtos. Por exemplo:

Adoçante artificial: alguns estudos relacionam substâncias que compõem os adoçantes com o surgimento de câncer e doenças como Alzheimer e Parkinson. Por isso, o consumo deve ser moderado. Os riscos desses produtos vão além da balança, pois foram descobertos receptores para o sabor doce nas papilas gustativas que têm a capacidade de aumentar a absorção de glicose pelo organismo. O açúcar mascavo é um ótimo substituto.

Alimentos light: geralmente, esses produtos apresentam baixo valor nutritivo, sendo ricos em açúcares, gorduras ou sódio.

Smoothies e sucos de fruta: trocar refrigerante por sucos naturais de fruta é bom começo para quem quer se adequar a um estilo de vida mais saudável. Porém, pessoas que têm como objetivo o emagrecimento precisam ficar atentas ao consumo de smoothies e sucos, pois eles podem prejudicar a dieta. É preciso consumir moderadamente e optar por smoothies feitos com iogurte desnatado e sem adição de açúcar. Quando pensamos em um indivíduo saudável, a frutose natural não causa mal algum se consumida em quantidades moderadas. Mas a frutose artificial, encontrada em alguns sucos artificiais, refrigerantes e cereais matinais (quando consumida em grande quantidade), pode causar acúmulo de gordura e desenvolvimento de diabetes e hipertensão, segundo algumas pesquisas.

Saladas prontas: achar nas prateleiras dos mercados uma salada que desperte o apetite não é tarefa difícil. Em vários restaurantes e redes de “fast food”, encontra-se variedade de folhas verdes acompanhada de muito molho, croutons e queijos. Porém, apesar de parecer inofensiva, a refeição pode esconder várias calorias. Os vegetais serão sempre bem-vindos ao cardápio saudável, porém o melhor tempero é o azeite de oliva, limão ou vinagre, e pouco sal.

Pães escuros: que o pão escuro é sempre indicado nas dietas no lugar do pão branco já é do conhecimento de todos. Porém, o que poucos sabem é que não basta pegar qualquer um nas prateleiras dos mercados, pois alguns são tão refinados quanto o pão francês. O verdadeiro pão integral precisa ter pelo menos dois gramas de fibra por porção. A quantidade de fibras que o pão integral oferece irá ajudar no processo de emagrecimento, já que elas auxiliam no bom funcionamento do intestino e ajudam a aumentar os níveis de saciedade. As fibras também ajudam a diminuir a absorção de gordura e colesterol. Então, a ordem é checar a tabela dos nutrientes atrás do produto.

Barras de cereal: devem-se ser consumidas as com maior quantidade de fibras e que sejam livres de açúcar, gordura vegetal ou chocolate. As barras de cereal com pedaços de fruta também são boa alternativa.

Pipoca de micro-ondas: a pipoca está na lista de alimentos de baixas calorias, no entanto, a melhor a ser consumida é a caseira. Como todo produto industrializado, as pipocas de micro-ondas contêm grande quantia de gordura vegetal e aromatizantes. Sopas prontas: são práticas, porém pobres em nutrientes e ricas em sódios, glutamato monossódico, açúcares e conservantes. Apesar da praticidade, não é um hábito alimentar recomendável.

Granola: apesar de parecer opção inofensiva para o café da manhã, também deve ser consumida com moderação. Mesmo sendo ótima fonte de fibras, ela pode acumular muitas calorias. Assim, para aproveitar os benefícios da granola diet, é recomendado o consumo de, no máximo, uma xícara de chá por dia.

Castanhas: contribuem para um cardápio saudável por conter a chamada gordura boa, porém é muito calórica. Elas fornecem proteínas, vitaminas, minerais e mantém a saciedade, no entanto, devem ser consumidas moderadamente.

Importante: essas dicas foram dadas pelas nutricionistas Dayse Menezes e Chris Vitola. Dietas feitas por nutricionistas serão, certamente, mais eficazes. Procure associar a dieta para perder peso à dieta para uma vida saudável.

 

Caminhada

Se você não é adepto das aulas de aeróbica, peso, spinning, zumba, ou não pratica esportes, não desanime, pois a caminhada é excelente dica de atividade física aeróbica, que pode fazer toda a diferença no seu peso e na sua saúde, quando associada à reeducação alimentar. Estudos comprovaram que quem caminha com frequência emagrece 25 vezes mais do que quem não pratica atividade física. Caminhar no seu condomínio ou pelo seu bairro pode ainda previnir a diabete. Um estudo japonês comprovou que andar cerca de 30 minutos após o jantar provoca perda de peso duas vezes maior do que caminhar de estômago vazio. Passear a essa hora reduz os níveis de açúcar no sangue e a gordura corporal. Caminhar ao ar livre renova a energia e traz mais prazer na atividade. Procure apreciar a natureza durante a caminhada e descubra o prazer em se exercitar.

 

O que pode levar a Obesidade

O descontrole alimentar não é decorrente somente da falta de esclarecimento sobre o assunto. Muitas vezes, é resposta de problemas emocionais. Situações vividas ainda na infância ou adolescência podem resultar em um alto nível de frustração e estresse, levando o indivíduo a buscar o prazer imediato na ingestão de alimentos. Durante essa fase, não existe o autocontrole, que pode ter como resultado a obesidade ou até mesmo a obesidade mórbida. Por sua vez, a obesidade também pode ser decorrente de problemas de hereditariedade, hormônios e medicamentos. Qualquer que seja a razão, não há mágicas para alcançar o peso ideal e uma vida saudável. O caminho sempre será atividade física e alimentação saudável. A atividade física é importante para manter o peso ideal e isolar a ansiedade que leva ao descontrole alimentar. A orientação de um especialista ajudará a escolher o melhor caminho para cada caso. Porém, antes de tudo, a conscientização por uma vida saudável é fundamental para alcançar seu objetivo. Antes de começar a dieta, o exercício físico, ou qualquer outra decisão que leva a esta opção de vida, lembre-se que sua determinação dependerá da sua attitude. A motivação de qualquer que seja o sacrifício, será sempre a conscientização. Conscientize-se e mude para melhor.

As causas da Obesidade Hereditariedade: deficiência ou falha da molécula leptina, que controla a quebra e a utilização da gordura.

Hormônios: hipotireoidismo, ovários policísticos, puberdade, gravidez, menopausa e andropausa.

Medicamentos: anti-histamínicos, anticoncepcionais e antidepressivos.

Emocionais: ansiedade e depressão provocam compulsão.

Hábitos: “Beliscar” o tempo todo, lanches fora de hora, frituras e doces em excesso. Vida sedentária e estressante. Alimentação diária em “fast foods” e a falta de alimentos saudáveis.

 

Opções de tratamento mais utilizadas

Existem várias alternativas terapêuticas que, combinadas, conseguem boas perdas de peso como as dietas de baixas e muito baixas calorias, a psicoterapia, a terapia comportamental, o exercício físico e algumas drogas. Isso porque obesidade ameaça a vida, reduz a qualidade de vida e a autoestima. Porém, quando se trata de obesidade mórbida, essas medidas, na maioria das vezes, são fugazes e ineficientes, pois a imensa maioria dos pacientes não consegue promover mudança nos seus hábitos alimentares e na prática de atividade física de forma definitiva. Além disso, existem alterações nos mecanismos que controlam a distribuição da gordura e o gasto energético, fazendo com que haja grande tendência à recuperação do peso perdido, superando inclusive o peso inicial e tornando-se ainda mais obeso, fenômeno popularmente conhecido como “efeito sanfona”. Os pacientes com obesidade mórbida devem, portanto, ser encarados como portadores de doença séria. A cirurgia bariátrica (nome utilizado para se definir a cirurgia para obesidade mórbida) é o único método cientificamente comprovado que promove acentuada e duradoura perda de peso, reduzindo as taxas de mortalidade e resolvendo, ou pelo menos minimizando, uma série de doenças associadas à obesidade grave.

ALERTA

Açúcar, gordura e sal… os maiores vilões da saúde. Um cardápio sem equilíbrio pode nos trazer sérios problemas de saúde. O uso da gordura trans eleva os índices de colesterol ruim, entope as artérias e, consequentemente, traz o risco de infarto. O sódio, presente praticamente em todo tipo de alimento industrializado, é utilizado como conservante dos alimentos. Por isso, todos os produtos industrializados (bebidas gaseificadas, enlatados, conservas, congelados, molhos e temperos prontos, biscoitos, frios, embutidos) apresentam teores elevados de sódio. 11% do sódio na dieta de um adulto vêm da adição de sal à comida. A maioria (77%) vem do consumo de produtos industrializados que contêm o mineral. Com a retenção de líquidos, o nosso coração começa a trabalhar mais para bombear esse maior volume de sangue. Dessa forma, a pressão arterial aumenta, podendo ocasionar consequências graves à saúde, tais como acidente vascular cerebral, cegueira, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e câncer do estômago.

O consumo do açúcar refinado deve ser fiscalizado sempre. O problema é que o “açúcar invisível”, já embutido no alimento que vem da fábrica, atinge quantidade cada vez maior de produtos. Se você examinar o rótulo dos produtos que colocou em seu carrinho de supermercado, descobrirá que existe açúcar em coisas que você nem imaginava.As pesquisas mais recentes na área de nutrição e metabologia mostram que esse alimento, principalmente em excesso, está associado à obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares, entre outros males. O açúcar é alimento calórico e sem nenhum valor nutricional. Por isso, o melhor a fazer é comer pouco. Além do risco de engordar, há ainda outro ponto que reforça a necessidade de moderação no consumo de açúcar, a ausência de nutrientes faz com que ele seja digerido quase que instantaneamente, o que provoca a rápida elevação nos níveis de glicemia e otimiza o depósito de gordura nas células.

Todos os alimentos que contêm carboidratos aumentam a glicemia sem exceção, mas cada um apresenta uma carga glicêmica, dependendo da forma de preparo, da combinação com outros nutrientes como gordura, fibras insolúveis e proteína. Por exemplo, a batata cozida apresenta maior carga glicêmica que a batata frita, porque é isenta de gordura. Quanto maior a carga glicêmica, mais peso ganhará. O segredo na hora da compra é consumir os produtos que mostram na sua tabela: menos de 400 gramas de sódio, baixa carga giclêmica (na internet, você poderá encontrar tabelas de comparação entre alimentos com índice glicêmico e carga glicêmica) e o menos possível de “trans fat”. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ingestão de gordura trans não ultrapasse 1% do valor calórico da dieta. Como cada grama de gordura equivale a nove calorias, um adulto que consome 2.000 calorias diárias não deveria ultrapassar 2 g de gordura trans, pois, além de aumentar os níveis de colesterol, a gordura trans também diminui a quantidade do colesterol “bom”.

 “Não é fácil ter atitudes radicais, mas não é impossível. Depois de tanto estudo sobre os alimentos e a grande importância do cardápio para uma vida longa e longe de doenças, fica inevitável refazer o cardápio e ter nova visão da vida. Mesmo que você se encontre no peso ideal, procure verificar se sua alimentação está proporcionando-lhe vida saudável. Mais que dieta, é reeducação alimentar. Por isso, quando falo em conscientização, estou falando em abraçar um novo estilo de vida. Alguns estudos mostram que a alimentação influencia no nosso humor, trazendo sensação de bem-estar. Essa sensação encoraja outras atitudes que também beneficiam: atividades físicas, vida social saudável, fazendo crescer a autoestima. Uma atitude desencadeia outras. Mas é necessário começar. De tudo que foi falado, faça um resumo de sua vida e descubra seu próprio caminho. Com moderação e prudência, chega-se ao equilíbrio.”

Rita Pires

Fontes: Revista “De Bem com a Vida” – Publicação Roche Diagnóstica Brasil Ltda. / Thinkstock/pt.wikipedia.org / Instituto de Urologia e Nefrologia (IUN), (17) 4009-9191/ Edição MdeMulher/ Ministério da Saúde, www.portalsaude.gov.br