Obesidade infantil

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JAN/13 – pág. 46

Defenda o seu filho da epidemia do século XXI

Nos últimos anos, a obesidade infantil vem aumentando de forma alarmante com consequências na saúde das crianças e jovens. Alimentação incorreta, ingestão excessiva de alimentos, sedentarismo e falta de atividade física são apontados como os grandes impulsionadores da obesidade infantil, um problema que não só prejudica a saúde como a autoestima dos mais novos.

As crianças obesas podem desenvolver vários problemas de saúde que vão agravando-se ao longo dos anos, entre eles: diabetes tipo 2, síndrome metabólica, dislipidemias, tensão arterial elevada, asma e outros problemas respiratórios, alterações no sono, perturbações na puberdade ou menarca (primeira menstruação), doenças do comportamento alimentar e infecções.

Por que surge?

As crianças precisam de mais nutrientes (relativamente) do que os adultos, só assim podem crescer e desenvolver-se corretamente. Segundo explica António José Guerra, pediatra e membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria, “se ingerirem as calorias necessárias para fazerem face às suas atividades diárias, ao seu crescimento e ao seu metabolismo, então a sua massa corporal evolui num canal de percentil (curva de crescimento) adequado e a uma velocidade normal”. Em contrapartida, “se ingerirem mais calorias do que as que precisam e gastam, acumulam tecido adiposo e adquirem mais peso do que é desejável, aumentando assim o risco de obesidade”, explica.

Quais as causas?

A causa mais frequente para a obesidade infantil é a ingestão alimentar excessiva, doces, sanduíches, fast food, alimentos processados, junk food, refrigerantes e a falta de exercício físico. No entanto, os fatores hereditários e genéticos também podem estar na origem do ganho de peso desmedido.

Quais os fatores de risco?

São vários os fatores que, normalmente em conjunto, contribuem para aumentar o risco das crianças terem excesso de peso ou tornarem-se obesas:

  • alimentação – ingestão regular de alimentos calóricos, com muita gordura, bebidas ricas em açúcar, doces;
  • sedentarismo – falta de exercício, bem como atividades de lazer sedentárias, como ver televisão ou jogar computador, vídeo game, contribuem para o agravamento;
  • genética – de acordo com um estudo, a genética pode contribuir em 77% da obesidade. Os investigadores, da University College London, seguiram 5.092 pares de gêmeos e evidenciaram forte influência genética na adiposidade infantil;
  • fatores psicológicos – existem crianças que comem muito como forma de superar problemas ou mesmo para lidar com as emoções, como estresse ou tristeza.

Como prevenir?

Nesta perspectiva, “a atitude mais correta é manter sempre hábitos alimentares saudáveis ao longo da vida e, assim, contribuir para a prevenção da obesidade. A prevenção é sempre melhor e mais eficaz que o tratamento, particularmente no ciclo de vida pediátrico”, sublinha António José Guerra.

Como se diagnostica?

Para saber se o peso da criança indica algum problema relativamente ao estado de nutrição e de saúde, o pediatra, o médico de família ou outro profissional de saúde – que lida com crianças e adolescentes – avalia a história individual e familiar, bem como os seus hábitos diários.

Essa apreciação, segundo António José Guerra, “consiste na avaliação do peso e do comprimento/estatura da criança, no cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e na sua interpretação em função das curvas de crescimento (percentis)”. Esses indicadores revelam se a criança está com peso correto ou excessivo para a sua idade, sexo e estatura.

Cabe à família, quando percebe que uma criança tem risco de tornar-se obesa, tomar uma série de medidas para inverter essa tendência. Dar o exemplo é a palavra de ordem: escolher alimentos saudáveis, organizar atividades em família e incentivar a criança a participar delas são alguns dos passos a seguir.

Como se trata?

As crianças precisam seguir alimentação saudável e aumentar a atividade física diária. Aqui, a ajuda dos pais é imprescindível, pois eles têm de escolher melhores alimentos para seus filhos.

Além disso, crianças e jovens com peso acima do normal devem iniciar um programa de controle do peso, seguindo a orientação do médico ou nutricionista.

Vale a pena os pais, apesar da correria da vida, dispensarem maior dedicação e cuidado na alimentação saudável de seus filhos, treinando (com paciência) o paladar das crianças para os alimentos nutritivos que proporcionarão a base da saúde infantil e adulta.

No próximo mês, falaremos das plantas medicinais que ajudam no emagrecimento.

Até a próxima!

Texto: Madalena Alçada Baptista
Revisão científica: Dr. António José Guerra (pediatra e membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria).

Elly Tuchler
Médica Acupunturista
www.acuhomeo.com
(407) 373-0606