O mago das trilhas sonoras do cinema é brasileiro

O mago das trilhas sonoras do cinema é brasileiro

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SET/15 – pág. 32

O músico arranjador, Dudu Aram, vem alcançando destaque no cinema dos EUA, deixando a sua marca em filmes de destaques, a exemplo de “Self/Less”, estrelada pelo notável ator, Ben Kingsley

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A trilha sonora nos filmes é essencial, tem função primordial: mexe com o emocional e até mesmo nos assusta, dependendo do estilo do longa. E a plateia mantém-se inerte, com o olhar enfeitiçado – grudado na tela -, refém do que testemunha e ouve, através das imagens e de efeitos sonoros. Toda essa química nos transporta para o universo mágico da criação, comandado por profissionais altamente capacitados. Mas quem são esses magos do entretenimento, que criam subterfúgios e nos empurram para as ciladas de personagens enigmáticos? O Jornal Nossa Gente conversou com um brasileiro muito especial, que reside em Los Angeles, na Califórnia, e que cria trilhas sonoras para importantes filmes. O músico arranjador, Dudu Aram, ou Eduardo Barreto – nome de batismo -, vem alcançando destaque nos EUA, deixando a sua marca em obras cinematográficas consagradas, a exemplo do filme, “The Odyssey (2012/UK)”, que teve sucesso. “Foi o primeiro filme de minha carreira. Fiz os arranjos a convite do compositor Antônio Pinto, conhecido por longas premiados, Cidade de Deus e Central do Brasil. Ele também trabalhou em Collateral, Amy, Senna, entre outros”, conta Dudu.

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Conta o jovem músico que ele trabalha na composição de trilhas sonoras para o cinema desde 2012, se locomovendo para Londres, São Paulo e Rio de Janeiro. “Já produzi discos, trabalhei como DJ, mas o cinema tem sido especial porque trabalho com afinco, às vezes até esqueço-me, pois passo muitas horas dentro do estúdio, atendendo ao apelo da história”, revela. “É muito envolvente e fascinante associar uma trilha às imagens”, acrescenta.

Recentemente Dudu trabalhou na trilha musical do filme “Operações Especiais”, de Tomas Portella, que traz Cléo Pires e grande elenco. O filme foi rodado no Rio de Janeiro e será lançado em outubro no Brasil. “É essencial ressaltar que no processo de criação, a trilha musical não pode sobressair às cenas. A música não deve tirar o foco da história, portanto, é tudo muito minucioso”, explica o músico. “Têm trilhas, por exemplo, com vinte versões diferentes até chegar ao consenso final. No processo de mixagem o diretor e o produtor podem mudar a trilha. A trilha pode ser alterada a qualquer momento, compreende? Como músico e arranjador, apresento a minha sugestão ao diretor, ao produtor, e ela será avaliada, dependendo da proposta da trama”, fala.

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“O processo de criação é delicado e cada filme obedece a sua diretriz”, afirma Dudu. “Têm filmes que a trilha é aprovada rapidamente, depende da palavra final do diretor. Outras trilhas exigem um pouco mais de trabalho”, diz.

Indagado sobre os mecanismos necessários quando na criação de uma trilha, observou Dudu que o cenário do filme é estratégico nesse momento. A música mergulha no universo das personagens com o objetivo de atingir o alvo, o público. E quanto aos instrumentos musicais, disse o músico que eles são utilizados de acordo com o estilo da fita, o que requer sensibilidade aguçada e concentração. “Na história de ficção científica, por exemplo, utilizo efeitos eletrônicos com acústicos. Utilizei esses recursos em um filme recente e ficou muito bom. Era tudo muito obscuro no filme, então fiz arranjos que evidenciassem esse clima. No longa, Serra Pelada, usei instrumentos acústicos, misturando-se a uma outra acústica desafinada e deu certo. O músico arranjador tem de estar no clima da história, observar os cenários para então criar a trilha ideal”, reforça. “Em filmes infantis, embora não tenha musicado, o uso de pianos de brinquedos, entre outros recursos, são muito utilizados”.

Natural da cidade de São Paulo, Dudu Aram toca diversos instrumentos, como guitarra, baixo, piano e percussão. “A versatilidade do músico é fundamental para o exercício do seu trabalho, principalmente quando se trata de uma trilha sonora, ouvida por milhões de pessoas nos cinemas”, diz. “A meta é criar a trilha perfeita, musicalmente falando, que ficará na história do cinema. Essa é a busca de todo arranjador e compositor”, finaliza.

Filmografia 2015

Em outubro será lançado no Brasil o filme, “Operações Especiais”, do diretor do Rio de Janeiro, Tomas Portella. Em julho foi lançado nos EUA à ficção científica “Self/Less”, estrelada por Ryan Reynolds e Ben Kingsley.

Em cartaz o documentário “Amy”, que conta a vida da cantora Amy Whinehouse, desde sua adolescência, com trilha sonora de Antônio Pinto e música adicional de Dudu Aram.


WaltherAlvarenga

Walther Alvarenga