O exemplo de Zaqueu

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MAI/13 – pág. 60

31out 2010 zaqueu(1)“Zaqueu procurava ver Jesus para saber quem era, e não podia conseguir por causa de muita gente, já que era pequeno de estatura. E, correndo adiante, subiu a um sicômoro para o ver, porque por ali havia de passar” – Lucas XIX – 3 e 4.

Ao lado do fato real, o evangelho apresenta um ensinamento em sua narrativa. Zaqueu não conseguia ver Jesus por causa de muita gente, já que era pequeno de estatura. Essa pequena estatura pode significar o seu grau evolutivo. Sua pequena estatura, isto é, sua pouca evolução espiritual dificultava sua aproximação com Jesus. Interessante observar que Zaqueu tem conhecimento do fato. Sabe que sua pequena estatura lhe dificulta ver o Mestre. Nós também somos de pequena estatura, ou seja, somos Espíritos pouco evoluídos. O degrau evolutivo em que nos encontramos dificulta-nos compreender melhor os ensinamentos e, sobretudo, vivenciá-los. Mas nem sempre tomamos conhecimento do fato. Não assumimos nossas dificuldades, nossas limitações. O orgulho e a vaidade impedem-nos de tomarmos conhecimento de nossa realidade. Allan Kardec indaga aos instrutores espirituais (questão 919, O Livro dos Espíritos): “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?” Resposta: “Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo”. Exatamente isso o que fez Zaqueu. Conhecia a si mesmo, sabia de sua pequena estatura, da distância que o separava de Jesus.

Mas Zaqueu não se acomodou. Ao contrário, elaborou um plano de ação para superar a dificuldade em que se achava. “E, correndo adiante, subiu a um sicômoro para ver o Mestre”. Portanto, planejou suas atividades, visando atingir o fim que pretendia. Sabemos da importância do planejamento em nossas vidas. E se o plano é bem elaborado e executado com dedicação, conseguimos ótimos resultados. Fazemos isso na vida material, por que não fazer o mesmo em relação às questões espirituais? Identificadas nossas carências, as falhas a serem corrigidas, por que não fazer como Zaqueu? Planejar a vida também com vistas aos interesses do Espírito. Os livros a serem lidos, estudos a serem feitos, trabalhos a realizar, treinando-nos na vivência dos ensinos que abraçamos.
A árvore em que Zaqueu subiu pode significar esses recursos de que podemos nos valer para superar nossas deficiências. Somos de estatura pequena, mas podemos correr, isto é, aproveitar o tempo, dedicando-nos ao ideal. E subir numa árvore, ou seja, falta de evolução espiritual, com esforço, dedicação. Os considerados gênios, ou seja, pessoas talentosas, têm mais de transpiração (trabalho, dedicação) do que de inspiração (habilidades especiais).

Zaqueu subiu numa árvore para ver Jesus. Ele, Zaqueu, era um homem rico, conhecido, entretanto, não se importou com a opinião pública, com o que iriam pensar e falar dele. Estava decidido, determinado a ver Jesus. Significa que quando resolvemos trabalhar pela nossa evolução espiritual, buscando aproximarmo-nos do Mestre, não podemos estar preocupados com a opinião de terceiros. Elogios ou reprovações não devem nos atingir. Devemos fazer o que julgamos correto, executar o nosso plano, sem desviar do roteiro, ainda que recebamos críticas e reprovações. O mundo em que vivemos ainda é bastante materializado. Embora a maioria afirme acreditar em Deus e na imortalidade da alma, não vive como se fosse eterna. Não vivemos de maneira coerente com os princípios religiosos em que dizemos acreditar. Aquele que, efetivamente, empenhar-se na aplicação dos ensinos de Jesus na vida cotidiana, princípios recordados e explicados pelo Espiritismo, estará em minoria e exposto a opiniões desfavoráveis – até de amigos e dos próprios familiares. É como subir numa árvore. Terá que ser indiferente ao que as outras pessoas pensem e falem dele. Zaqueu tomou essa atitude corajosa e foi bem-sucedido. O mestre o viu e falou com ele: “… desce depressa, porque importa que eu fique hoje em tua casa”. Zaqueu, que não conseguia nem ver Jesus, recebeu o Mestre em sua casa. Diz o Evangelho que Zaqueu recebeu Jesus com júbilo, e nem podia ser de outra maneira. Sua estratégia deu certo. O plano elaborado e executado alcançou pleno êxito. Dali por diante, ele seria outro homem, porque passaria a viver com as luzes do Evangelho, na companhia do Senhor.

Nós também podemos nos aproximar de Jesus, recebê-Lo em nossa casa, isto é, em nosso íntimo. Para isso, precisamos nos conhecer, planejar as ações visando superar as dificuldades, nossas imperfeições que fazem com que permaneçamos distantes do Mestre (embora Ele esteja conosco), e realizar o plano com dedicação, mesmo que tenhamos que enfrentar opiniões contrárias.

José Argemiro da Silveira
Autor do livro: Luzes do
Evangelho, Edições USE